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100 Dias de Mentiras na Netflix: uma batedora de carteiras que sonha com a América vira espiã

Camille Lefèvre
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Uma batedora de carteiras vive de ler as pessoas enquanto elas estão ocupadas com outra coisa — e 100 Dias de Mentiras lhe entrega o alvo mais difícil de todos: um governo ocupante. Lee Ga-kyung, a melhor ladra de Gyeongseong, como Seul era chamada durante o domínio japonês, recebe uma proposta do movimento de independência. Ela assume uma falsa identidade, consegue um emprego no Governo-Geral japonês da Coreia e trabalha como espiã por cem dias. O romance de espionagem de época coreano, que chega à Netflix com Kim You-jung no papel principal, se constrói em torno desse acordo e de um detalhe sobre a mulher que o aceita: a causa não é dela. O teaser oficial da tvN tem como título uma frase da própria personagem: “Vou chegar à América, custe o que custar.”

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A série é o projeto especial da tvN para o aniversário de 20 anos do canal. Ryu Bo-ri, roteirista de Do You Like Brahms?, assina o roteiro, e Yoo In-shik, diretor da série Dr. Romantic e de Extraordinary Attorney Woo, divide a direção com Kim Yoon-jin. A produção é da Studio Dragon e da Nangman Crew. A história se passa dentro do edifício de onde o Japão administrava sua colônia. Ga-kyung entra no local como Geum Seo-hee, uma intérprete recém-contratada, enviada por Yoo So-ran (Kim Hyun-joo), atiradora de elite de um grupo antijaponês chamado Gugukdan. A proposta de So-ran, no material promocional, é direta: “Seja nossa espiã. Estou propondo um acordo.”

A complicação é que Ga-kyung já roubou um homem. Segundo o material de divulgação coreano, os dois se conhecem quando ela furta a carteira de Kim Tae-woong (Park Jin-young, integrante do GOT7 creditado como Jinyoung) na Estação de Gyeongseong. Dentro do Governo-Geral, ele atende pelo nome de Sato Hideo: um intérprete de elite, fluente em coreano, japonês e inglês, de volta a Joseon após uma década no exterior e filho adotivo de Sato Shinichi (Jin Seon-kyu), diretor-geral de Assuntos Políticos e segundo funcionário mais importante da administração colonial. Tae-woong tem dois nomes e, segundo a própria descrição da série, uma missão particular. Uma de suas falas promocionais resume o primeiro encontro: “Você era excelente em bater carteiras. Eu era péssimo.”

O teaser transforma esse encontro no motor da série. Tae-woong vive cruzando o caminho de Ga-kyung sob outra identidade e faz a pergunta óbvia em voz alta: “Uma batedora de carteiras, uma inquilina e agora uma intérprete do Governo-Geral?” O pai manda que ele a torne dependente dele. Do outro lado, So-ran dá uma nova missão a Ga-kyung: conquistar Sato Hideo. O teaser termina com Ga-kyung dizendo a ele: “Gosto de você. Desde que nos conhecemos”, enquanto cruza os dedos atrás das costas. Ou seja, os dois responsáveis pela operação apontaram seus agentes um para o outro.

Vista por esse ângulo, a premissa é menos uma história de amor com espionagem ao redor e mais um relato sobre dois mentirosos profissionais trabalhando no único edifício em que uma mentira pode custar a vida de um coreano. O intérprete era o ponto em que as ordens do Estado colonial se transformavam em palavras coreanas, e a trama coloca os dois protagonistas nesse cargo, por onde passam todas as frases e em que nenhum dos lados tem motivo para confiar neles. A frase oficial de divulgação indica o rumo da história: “Foi uma mentira que durou 100 dias. Até se tornar sincera.” A fala de Sato Hideo em seu próprio pôster segue a mesma linha: “Mesmo sabendo que era mentira, eu continuava querendo acreditar.”

O ano foi escolhido com cuidado. Em 1932, o movimento de independência realizou seus ataques mais conhecidos fora da Coreia: no início daquele ano, Lee Bong-chang lançou uma granada contra a comitiva do imperador japonês em Tóquio e, meses depois, Yun Bong-gil atacou com uma bomba uma cerimônia japonesa no Parque Hongkou, em Xangai. A série insere nesse contexto sua atiradora fictícia, sua batedora de carteiras e Yoo Philip (Lee Moo-saeng), um correspondente coreano-americano que trabalha para o movimento. A frase no pôster de personagem de Sato Shinichi aponta diretamente para esse cenário: “Você realmente acha que a Coreia conquistará a independência só me matando?”

As produções coreanas já abordaram o período colonial por diferentes caminhos. The Handmaiden construiu uma trama de golpes em torno de uma batedora de carteiras na Coreia dos anos 1930. Phantom perseguiu um espião entre os próprios funcionários do Governo-Geral. The Age of Shadows e Assassination acompanharam combatentes pela independência em meio a traições, e a própria Mr. Sunshine, da tvN, ambientou um romance na época da resistência. Recentemente, a Netflix também levou Gyeongseong Creature para a mesma cidade. No papel, o que 100 Dias de Mentiras muda é a motivação inicial. Sua protagonista não começa como patriota nem como vítima em busca de vingança. Ela começa como uma ladra profissional com uma passagem em mente, e a premissa sugere que o drama vai medir quanto da causa acaba contagiando a personagem antes que o prazo se esgote.

Há um segundo relógio correndo por baixo do primeiro. O nome falso dado a Ga-kyung, Geum Seo-hee, não foi escolhido ao acaso: no material de divulgação, So-ran revela que Seo-hee era o nome da filha dela. Assim, o luto de So-ran passa a fazer parte da identidade falsa de Ga-kyung, e a recruta carrega a perda de sua agente de controle para dentro do edifício em todos os dias de trabalho.

A escalação aposta em intérpretes capazes de sustentar uma dupla camada. Kim You-jung, que já protagonizou Moonlight Drawn by Clouds, ambientada em Joseon, e My Demon, vive a ladra que precisa soar como uma intérprete treinada. Park Jin-young interpreta o filho do regime que talvez não seja quem o pai imagina. Kim Hyun-joo, conhecida mundialmente por Hellbound, é a responsável pela operação; Jin Seon-kyu, conhecido internacionalmente por Extreme Job, interpreta o funcionário no topo da hierarquia do edifício. Park Jung-yeon e Lee Sun completam o elenco divulgado.

A premissa também deixa sem resposta a pergunta mais óbvia. Se uma ladra finge ser espiã por 100 dias e o homem que ela deve conquistar finge ser outra pessoa por seus próprios motivos, o prazo não revela qual dos dois estava mentindo. Quando chegar o centésimo dia, a quem, afinal, Ga-kyung terá sido leal?

100 Dias de Mentiras estreia na tvN em 10 de outubro de 2026, às 21h10, no horário da Coreia, e será exibida na TVING na Coreia do Sul e na Netflix no restante do mundo, com novos episódios aos sábados e domingos. A primeira temporada terá 16 episódios, e o final está previsto para 29 de novembro. Os personagens são fictícios; o cenário, o Governo-Geral japonês em Gyeongseong no ano de 1932, é histórico.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

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