Televisão

Yellowstone acabou: Dutton Ranch leva Beth e Rip para o sul do Texas

O spinoff de nove episódios de Chad Feehan na Paramount+ tira do Yellowstone os dois únicos sobreviventes da família e os planta num sul do Texas que não sabe quem são os Dutton.
Martha O'Hara

Os Dutton saíram de Yellowstone como a série saiu do ar: mal, pela metade e com quase toda a família morta ou escrita para fora. Dois sobreviveram aos destroços. Dutton Ranch, o spinoff de nove episódios de Chad Feehan na Paramount+ e na Paramount Network, recolhe Beth Dutton e Rip Wheeler numa região do país que não faz a menor ideia de quem eles são.

O sul do Texas é o dispositivo. Kelly Reilly e Cole Hauser voltam sem o resto da família que passaram cinco temporadas protegendo, num estado cuja cultura de pecuária é mais antiga e mais fechada do que a de Montana, contra um rancho rival que não vai parar nem por dinheiro nem por sobrenome Dutton. A premissa foi montada para testar se o casal central da série-mãe era forte o bastante para sustentar uma ficção sozinho, ou se sempre foi uma função da família ao redor. Feehan assumiu o cargo de showrunner depois que Taylor Sheridan passou para produtor executivo via Bosque Ranch e recebe o lançamento mais exposto que o universo Sheridan já teve na televisão.

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Reilly retorna a Beth com a mesma temperatura com que encerrou a matriz: fria, exata e sem interesse em ser simpática. O piloto coloca ela em salas onde o sobrenome não funciona como moeda. O Rip de Hauser segue como o centro ético da história, o único personagem cuja violência aparece como ofício e não como defeito. A aposta de elenco é que o público que acompanhou os dois por cinco temporadas vai segui-los para fora de Montana, e que o público que nunca chegou ao fim de Yellowstone vai lê-los como protagonistas novos num western sobre forasteiros. As duas apostas convivem dentro da mesma encomenda de nove capítulos.

Finn Little volta como Carter, o garoto que Beth e Rip meio-adotaram nas temporadas intermediárias de Yellowstone, e a série o usa como tecido conectivo com a matriz. Juan Pablo Raba interpreta Joaquin, o capataz violento do rancho rival, e a ficção o planta como o novo oposto ético que Rip precisa ler do outro lado da cerca. Jai Courtney aparece como Rob-Will, num papel que o trailer mantém fora de quadro por estratégia de marketing. Os outros principais se completam ao redor. O elenco é mais curto que o de Yellowstone: a série decidiu que aquela amplitude era função da escala, e spinoff troca escala por foco.

Feehan não é a escolha óbvia para a cadeira. Chegou a esse posto via Banshee e Ray Donovan, duas séries que colocaram violência física dentro de uma estrutura de compromissos morais, e o universo Sheridan, até aqui, era em grande parte escrito pelo próprio Sheridan. A troca é a novidade estrutural do lançamento. É a primeira série do entorno Sheridan cuja direção criativa não é de Sheridan. Se a série mantiver o ritmo de planos longos, diálogo seco e clima como personagem, a franquia terá provado que viaja. Se perder esse ritmo, terá aprendido seus limites dentro do seu spinoff mais ambicioso.

Paramount+ e Paramount Network estão tocando a estreia no formato linear-mais-streaming que o estúdio rodou com as prequels de Yellowstone. O primeiro episódio foi ao ar em 15 de maio. O segundo está marcado para 22 de maio. A temporada tem nove capítulos, sem pausa anunciada no meio. O estúdio não confirmou segunda temporada, postura padrão para um spinoff que depende de a estreia segurar a audiência. Os números de Yellowstone foram o dado mais barulhento da cabo americana no último ciclo; saber se Dutton Ranch herda uma fatia relevante, ou se a franquia fica presa em Montana na cabeça do espectador, é a pergunta que as próximas oito quintas-feiras vão responder.

O sinal de gênero é interessante. Yellowstone foi vendida como western e assistida como drama de família; a imprensa de prestígio leu como as duas coisas, depois como nenhuma, e finalmente como a ficção mais vista da TV paga americana. Dutton Ranch é vendida como western e drama, nessa ordem, e o piloto mantém o maquinário de drama familiar fora da mesa até o segundo ato. Não há John, não há Jamie, não há Kayce, não há Monica. Não há casarão a defender. A série que chega está mais perto, na forma, de um filme de Sheridan (Hell or High Water, Wind River, Sicario) do que da novela multigeracional em que a matriz se transformou. Saber se era isso o que o público queria é a segunda pergunta.

A classificação TV-MA combina. O piloto não suaviza a violência que a matriz vinha contendo no trecho final, e o argumento estrutural da temporada é que os Dutton estão mais expostos no sul do Texas do que nunca estiveram em casa. O rancho rival tem sua própria contabilidade; Beth tem menos banco e nenhuma cobertura política. A série faz as contas explícitas na segunda metade do piloto.

Dutton Ranch tem nove episódios entre Paramount+ e Paramount Network. O capítulo dois estreia em 22 de maio de 2026, e Feehan já tem a temporada inteira fechada na ilha de edição.

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