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Tudo é Justo volta ao Disney+ na 2ª temporada: a crítica detonou, o público maratonou

Jun Satō
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Tudo é Justo, drama jurídico de Ryan Murphy sobre um escritório de divórcios formado só por mulheres, volta para a segunda temporada no Hulu, nos Estados Unidos, e no Disney+, no resto do mundo. A Disney está promovendo a série por meio do figurino. Kim Kardashian volta como Allura Grant, com Naomi Watts no papel de sua cofundadora Liberty Ronson e Niecy Nash-Betts como Emerald Greene, a ex-policial que se tornou investigadora da dupla e, depois, sócia. Sarah Paulson e Glenn Close também retornam como a rival Carrington Lane e a mentora Dina Standish. Na arte oficial da série, as seis mulheres aparecem em peças de alfaiataria em tons de creme, camelo e marfim, dispostas como na vitrine de um ateliê. Mais do que qualquer caso, é essa imagem que a série vende.

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A premissa continua a mesma. Allura e Liberty deixaram um escritório dominado por homens para criar uma firma que representa mulheres em divórcios de alto risco, e a sinopse oficial promete “mais uma temporada de escândalos, segredos e saltos altos”, em que “novas alianças se formam, amizades são postas à prova e uma revelação chocante ameaça a própria existência do escritório”. A primeira temporada terminou com duas ameaças ao mesmo tempo: Carr jurando destruir a Grant, Ronson & Greene por dentro, e a polícia chegando para prender Dina pelo assassinato do homem que agrediu Emerald. O novo trailer começa com uma única frase: “A vingança é um jogo cruel”. Em sua crítica, o The A.V. Club destacou uma cena em que Dina dá um tapa no rosto de Carr.

Poucas séries que retornam têm um histórico como este. Os críticos não apenas não gostaram da primeira temporada; eles disputaram para ver quem conseguia descrevê-la melhor. O Rotten Tomatoes contabiliza 6% de críticas positivas entre 34 resenhas, sob o consenso: “Ruim demais para amar, entediante demais para gerar polêmica”. A média ponderada do Metacritic é de 17 em 100. No The Guardian, Lucy Mangan deu zero estrelas à série — a 18ª crítica do jornal a receber essa nota — e escreveu que “não sabia que ainda era possível fazer uma televisão tão ruim”.

O público reagiu de outra forma. O Hulu contabilizou 3,2 milhões de visualizações no mundo todo nos três primeiros dias, a maior estreia de uma série original com roteiro da plataforma em três anos. No dia seguinte ao lançamento, o serviço de monitoramento FlixPatrol classificou a produção como a mais assistida globalmente no Disney+. A renovação foi anunciada quando apenas cinco episódios haviam sido lançados. A decisão se baseou nos dados de audiência, não nas críticas.

O único aspecto da primeira temporada reconhecido pela indústria diz muito sobre a natureza da série. Suas duas indicações ao Emmy, concedidas pela Television Academy, foram nas categorias de penteado contemporâneo e maquiagem contemporânea. Não pelo roteiro, nem pelas atuações: pela aparência. Para a maioria dos dramas, isso soaria como prêmio de consolação. Em Tudo é Justo, parece mais uma descrição. O The A.V. Club colocou a série na tradição das novelas do horário nobre, como Dynasty e Knots Landing, em que ombreiras nunca foram mero enfeite. Eram o argumento, uma forma de mostrar quem tinha o poder antes mesmo de alguém abrir um processo.

A segunda temporada aposta ainda mais nessa lógica, a começar pelo lugar escolhido para sua primeira exibição. Antes que qualquer assinante pudesse dar o play, o episódio de estreia teve sua première mundial no Rome Film Fest, no Auditorium Parco della Musica, com Kardashian, Paulson, Watts e Nash-Betts presentes. Um festival de cinema é um palco estranho para uma série que os críticos trataram como piada — e, ao mesmo tempo, perfeito para uma produção cujo verdadeiro meio é a fotografia: o tapete vermelho é o único lugar em que as roupas são o acontecimento. A própria divulgação da Disney usa o mesmo tom: a página da temporada resume a série em cinco palavras: “Vingança, mas com alta-costura”.

O elenco cresce nas bordas, não no centro. O ator brasileiro Cauã Reymond entra para o elenco fixo da série, e Nyle DiMarco, vencedor de America’s Next Top Model e Dancing with the Stars, chega em um papel recorrente que o Hulu ainda não detalhou. Teyana Taylor retorna como Milan, a aspirante a advogada que trabalha para Allura, e Matthew Noszka como Chase Munroe, o astro do futebol cujo casamento com Allura deu início à trama da primeira temporada. A lista de participações especiais mantém a tradição de escalar rostos conhecidos como clientes e adversários, com Margo Martindale, Denise Richards, Jaime Pressly e Dorinda Medley entre os nomes anunciados. Anthony Hemingway, que dirigiu vários episódios da primeira temporada, comanda a estreia.

Os títulos divulgados para os três primeiros episódios — “The Scorpio Ball”, “Going Down” e “Thanksgiving Part One” — sugerem uma temporada estruturada tanto em torno de grandes cenas quanto dos casos: um baile, uma mesa de feriado, salas em que todos se vestem para uma plateia. Isso combina com a maneira como a série sempre funcionou e com a forma como vem sendo promovida desde o primeiro trailer.

Alguns críticos passaram a chamar Tudo é Justo de clássico camp; outros nunca deixaram de considerá-la o pior drama da televisão. Os dois grupos continuaram assistindo, e a plataforma contou todos da mesma forma. Uma série que vive da atenção, e não da aprovação, pode durar enquanto houver interesse. O que os números não revelam a ninguém — nem mesmo à Disney — é se as pessoas que apertam o play são fãs ou testemunhas, e se, para um serviço de streaming, ainda existe alguma diferença.

O que saber antes de dar o play. A segunda temporada de Tudo é Justo estreia na quarta-feira, 4 de novembro de 2026, com três episódios no Hulu e no Hulu no Disney+ para assinantes do pacote nos Estados Unidos, e no Disney+ nos mercados internacionais. Os novos episódios chegam semanalmente, às quartas-feiras; serão oito ao todo, com o final previsto para 2 de dezembro. A série foi criada por Ryan Murphy, Jon Robin Baitz e Joe Baken e é produzida pela 20th Television em associação com a Ryan Murphy Television; Kardashian, Close, Watts, Paulson, Nash-Betts e Taylor também são produtoras executivas. Os nove episódios da primeira temporada estão disponíveis nos mesmos serviços para quem quiser colocar a série em dia.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

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