Negócios e finanças

Apple alerta que a memória vai continuar encarecendo e Mac e iPad vão faltar nas festas

A Apple projeta sua margem bruta no trimestre de festas para 45% a 46%, abaixo da estimativa de Wall Street, enquanto a demanda por centros de dados de IA eleva o preço da memória dentro de cada iPhone, Mac e iPad
Victor Maslow
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A Apple acaba de encerrar o melhor ano de sua história e dedicou a teleconferência de resultados a explicar por que será mais caro produzir os dispositivos no próximo. Os chips de memória presentes em todos os iPhones, Macs e iPads ficaram tão caros que o diretor-presidente da Apple classificou os preços como sem precedentes, e a empresa informou aos analistas que espera que esses custos continuem subindo mesmo depois das festas de fim de ano.

Para quem pretende comprar, o alerta tem duas consequências. A Apple já aumentou os preços de boa parte de sua linha para absorver os custos e agora prevê que Macs e iPads continuem difíceis de encontrar durante as festas de fim de ano, porque não consegue obter memória suficiente. As mesmas peças estão sendo compradas pelas empresas que correm para construir data centers de inteligência artificial, e até a fabricante de celulares mais valiosa do mundo agora disputa esses componentes com elas.

Um ano recorde, mas com margens menores

Os números principais foram fortes. A receita do quarto trimestre fiscal chegou a US$ 114,5 bilhões, alta de 12% em relação ao ano anterior, e as vendas do ano inteiro bateram recorde, alcançando US$ 478,8 bilhões, segundo o comunicado de resultados da Apple. A receita do iPhone subiu 17%, para US$ 57,6 bilhões, e a do Mac cresceu 24%, o maior avanço entre todas as linhas de produtos. Foi o primeiro relatório trimestral liderado por John Ternus, que sucedeu Tim Cook como diretor-presidente.

É na margem que a pressão aparece. A margem bruta foi de 47,9%, mas o diretor financeiro Kevan Parekh disse que cerca de um ponto percentual desse resultado veio de reembolsos pontuais de tarifas. Sem eles, a margem teria recuado aproximadamente um ponto em relação ao trimestre anterior, principalmente por causa da memória. Para o trimestre atual, a Apple projetou uma margem entre 45% e 46%, abaixo dos 46,3% esperados pelos analistas consultados pela LSEG, citando o aumento dos custos de memória e as despesas para operar o novo serviço de inteligência artificial da Siri.

A Apple repassou parte da conta aos clientes. Primeiro, aumentou os preços dos Macs e iPads e, depois, dos iPhones, acrescentando US$ 100 aos preços dos aparelhos, como informou a CNBC — uma decisão que Ternus descreveu como tomada a contragosto. Os executivos disseram que ainda é cedo para saber se os preços mais altos estão reduzindo as vendas e apontaram planos de parcelamento, como o Apple Upgrade Program, como forma de manter os dispositivos acessíveis.

A memória toma o lugar das tarifas como principal custo

Ao contrário das tarifas, que incidiam sobre produtos que entravam nos Estados Unidos, os custos de memória afetam todos os mercados em que a Apple atua, da Europa à Índia e à América Latina. Para garantir o fornecimento, as obrigações de compra da Apple junto a fabricantes subiram US$ 33 bilhões em um único trimestre, compromisso que, segundo Parekh, aparecerá no relatório anual da empresa. Um analista observou durante a teleconferência que a Apple agora disputa memória com compradores de grande poder financeiro, que assinam contratos de longo prazo, e que os preços dos laptops também vêm subindo em todo o setor.

Nem todos acreditam que o porte da Apple vá protegê-la por muito tempo. O Barclays, que recomenda uma posição abaixo da média na ação, escreveu antes da divulgação dos resultados que a vantagem de preço da Apple, proporcionada pelo tamanho da empresa e por acordos preferenciais para a compra de memória, está diminuindo. Os Serviços, negócio mais lucrativo da empresa, cresceram menos de 10%, o ritmo mais lento desde 2022, segundo a CNBC, e a Apple espera um avanço de apenas 8% a 9% neste trimestre. O iPhone Duo dobrável continua com oferta limitada, sem previsão de quando haverá unidades suficientes para atender à demanda, e as vendas do iPad caíram 10%. As ações recuaram quase 3% nas negociações após o fechamento do mercado.

A Apple prevê que a receita do trimestre encerrado em dezembro cresça entre 7% e 10%, o que, segundo a empresa, faria dele o maior trimestre de sua história, embora a oferta de Macs e iPads continue limitada pela falta de memória. O relatório anual será divulgado em 3 de novembro, e o dividendo trimestral de US$ 0,27 por ação será pago em 16 de novembro.

O chip que quase ninguém leva em conta ao comprar um laptop agora é o que determina quanto ele custa — e se estará ou não disponível na prateleira.

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