Negócios e finanças

Bill Rasmussen, fundador da ESPN que apostou na TV esportiva 24 horas, morre aos 93 anos

Victor Maslow

Todo fã que já deixou a televisão ligada depois da meia-noite para ver melhores momentos que já havia assistido vive dentro de uma aposta que Bill Rasmussen fez quando quase ninguém mais a considerava sensata. Rasmussen, o assessor de imprensa esportivo demitido que fez a ESPN existir pela força de vontade e a comandou como seu primeiro presidente, morreu em sua casa na Flórida. Ele construiu a máquina que transformou assistir a esportes em algo que se podia fazer a qualquer hora e o fez com ousadia muito antes de ter dinheiro.

Os obituários o chamarão de visionário, e ele era. Mas visão é a parte barata desta história. O que distinguia Rasmussen era ter agido com base em uma ideia que todos os investidores profissionais à sua frente haviam rejeitado, fazendo isso com a teimosia de um pai e a audácia de um filho, em vez de uma fortuna. A homenagem que ele reconheceria não é a lista de marcos. É a própria aposta.

A ideia surgiu, como sua família sempre contou, no trânsito. Rasmussen acabara de ser dispensado do cargo de diretor de comunicação do New England Whalers, e ele e seu filho Scott avançavam lentamente por uma rodovia interestadual de Connecticut, pensando no que fazer com o tempo de satélite que haviam contratado. O encolher de ombros de Scott — faça o que quiser com isso, mostre esportes o fim de semana inteiro — virou a premissa de uma empresa. Um modesto canal regional cresceu, no curso de uma única conversa, para algo que ninguém havia criado: uma rede que nunca parava de transmitir jogos.

A decisão que tornou isso possível não foi romântica. Foi aritmética, e é a razão pela qual toda a economia da mídia esportiva hoje tem a aparência que tem. Rasmussen calculou que alugar um transponder de satélite 24 horas por dia custava aproximadamente o mesmo que algumas horas. Se o tempo no ar era quase gratuito depois que se pagava pelo dia, a medida sensata não era preencher uma noite, mas cada minuto. A escassez sempre havia definido o esporte na televisão: um jogo aqui, um programa de melhores momentos ali. Rasmussen inverteu isso. A abundância se tornou o produto.

Ele não tinha quase nada para sustentar essa convicção. Recusado por um financista após outro, manteve o empreendimento respirando com um adiantamento em dinheiro obtido com seu próprio cartão de crédito e com recursos que sua família colocou para cobrir os primeiros pagamentos. Quando a Getty Oil finalmente aceitou, salvou uma empresa que vinha operando com fé emprestada e dólares emprestados. Esse é o detalhe que a versão polida tende a apagar: a ESPN passou parte de sua infância a um pagamento perdido de jamais existir.

O que ele soltou na cultura logo o ultrapassou. A rede deu ao esporte seu próprio relógio e sua própria liturgia — a recapitulação noturna, o placar em atualização contínua, a frase de efeito do apresentador — e ensinou o público a tratar os jogos como companhia constante, e não como compromissos a cumprir. Cada rival que veio depois, toda grade de streaming de esporte ao vivo hoje disputada pelas empresas mais ricas do mundo, é uma discussão que Rasmussen iniciou. Ele deixou o principal cargo pouco mais de um ano após o lançamento, mas o modelo estava estabelecido e nunca mudou de fato.

Em seu capítulo final, ele foi franco sobre a doença de Parkinson com a qual convivia, escolhendo tornar público o diagnóstico e falar por outros que a carregavam, o mesmo instinto de ir primeiro que havia moldado tudo o que veio antes. Colegas se lembravam tanto de seu calor humano quanto de sua audácia. O presidente da ESPN, Jimmy Pitaro, chamou-o de homem notável, visionário e inovador. O veterano apresentador Chris Berman foi mais direto, chamando-o de George Washington da rede.

Ele deixa os filhos, netos e bisnetos, além de um legado ainda mais improvável: o reflexo, hoje compartilhado por centenas de milhões de pessoas, de pegar o controle remoto a qualquer hora e simplesmente esperar que o jogo esteja lá. Ele sempre está. Por muito pouco não esteve.

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