Negócios e finanças

Uber Eats substitui Grubhub no Amazon Prime na terceira tentativa da Amazon com delivery

Victor Maslow
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A Amazon já tentou três maneiras diferentes de levar refeições de restaurantes à casa de assinantes do Prime. Criou seu próprio serviço de entrega e o encerrou. Investiu na Grubhub e depois vendeu sua participação. A nova resposta, anunciada com a Uber nesta semana, é parar de tentar ser dona do negócio e alugar a rede de uma empresa que já chegou a apontar a Amazon como concorrente.

A maior parte da cobertura apresenta o acordo como uma nova vantagem do Prime: entrega grátis, sem precisar de uma conta da Uber e com alguns descontos de lançamento. Essa é a história para o consumidor. A questão corporativa é quem paga pela mudança de rumo da Amazon. A Grubhub perdeu seu lugar dentro da Amazon no mesmo dia em que a Uber Eats chegou, e nenhuma das empresas informou quanto a Uber paga à Amazon pelo tráfego.

O que o acordo com a Uber Eats oferece aos assinantes do Prime

Assinantes do Prime nos Estados Unidos já podem pedir em restaurantes da Uber Eats diretamente pelo Amazon.com e pelo aplicativo Amazon Shopping, usando os dados de acesso e pagamento que já têm na Amazon. A entrega é grátis em pedidos de restaurantes de US$ 25 ou mais. Segundo o anúncio conjunto, a rede abrange centenas de milhares de restaurantes em quase 10 mil cidades e localidades, de Boston e Los Angeles a Boardman, no Oregon. Também estão incluídos os assinantes dos planos Prime for Young Adults e Prime Access, que custam metade do preço, e o benefício pode ser compartilhado com um adulto da residência pelo Amazon Family.

“Junto com a Amazon, criamos uma experiência para os assinantes do Prime que foi pensada para tornar a entrega de refeições de restaurantes tão natural, conveniente e acessível quanto pedir qualquer outra coisa na Uber Eats”, disse Andrew Macdonald, presidente e diretor de operações da Uber. Jamil Ghani, vice-presidente global do Prime na Amazon, afirmou que a parceria é “a essência do Prime”.

A Grubhub arca com o custo

O acordo da Amazon com a Grubhub, que dava aos assinantes do Prime uma assinatura gratuita do Grubhub+, terminou no dia do anúncio, disse um porta-voz da Amazon à TechCrunch, acrescentando que a empresa “avalia continuamente suas ofertas de terceiros”. Um porta-voz da Grubhub confirmou o fim da parceria. Os assinantes do Prime já não podem pedir pela Grubhub usando a Amazon. Quem já havia ativado o Grubhub+ continuará com o benefício até o fim de 2027.

Era mais do que uma vantagem para os assinantes. A Amazon começou a oferecer o Grubhub+ aos membros do Prime em 2022 e transformou o benefício em algo permanente dois anos depois. Como parte dessa expansão, a empresa fechou com a então proprietária da Grubhub, Just Eat Takeaway.com, um acordo de warrants vinculados ao desempenho que poderiam elevar sua participação acionária a até 18%. Meses depois, a Just Eat Takeaway anunciou que venderia a Grubhub para a Wonder e, em dezembro de 2024, a Amazon optou por monetizar os warrants que podia exercer, segundo a TechCrunch, com base no relatório anual da Just Eat Takeaway. O vínculo acionário foi o primeiro a acabar. Agora, o comercial também chegou ao fim, e a Grubhub, que pertence à Wonder, perdeu sua vitrine na Amazon.

O histórico da Amazon na entrega de refeições

O Amazon Restaurants foi lançado em Seattle em 2015 e chegou a mais de 20 cidades dos Estados Unidos antes de a Amazon encerrá-lo em 2019, lembra a GeekWire. A empresa havia cortado vagas na equipe no início de 2018, fechado seu serviço em Londres mais tarde naquele ano e também encerrado o Daily Dish, um serviço de entrega de almoços em locais de trabalho. No documento de abertura de capital de 2019, a Uber listou a Amazon como concorrente da Uber Eats. Sete anos depois, essa concorrente está vendendo pedidos da Uber Eats dentro do próprio aplicativo.

Por isso, é preciso fazer uma ressalva ao dizer que a Amazon está “voltando ao negócio de entrega de refeições”. Os restaurantes e a rede de entregas são da Uber. O que a Amazon oferece é o cliente: a conta Prime, o cartão salvo e o aplicativo já instalado no celular. A estratégia deixou de ser dona da refeição para ser dona do momento em que alguém decide pedi-la.

O que as empresas não divulgaram

Um porta-voz da Uber não quis comentar os termos financeiros, inclusive se a empresa paga à Amazon uma comissão por indicação nos pedidos feitos pelo site, informou a Bloomberg, conforme citado pela Quartz. O número divulgado sobre a economia também precisa ser visto com cautela. Amazon e Uber dizem que os assinantes podem economizar mais de US$ 175 por ano, valor superior à anuidade de US$ 139 do Prime. A estimativa considera uma quantidade típica de pedidos, anualizada com base em dados de agosto de 2026, e compara os preços com pedidos feitos pela Uber Eats sem uma assinatura do Uber One. As taxas de serviço continuam sendo cobradas, confirmou a Amazon à GeekWire. Assinantes do Uber One mantêm seus benefícios, mas as duas assinaturas funcionam de forma independente, e a vantagem do Prime só cobre pedidos da Uber Eats feitos pela Amazon. O Uber One custa US$ 9,99 por mês ou US$ 96 por ano.

Novos usuários recebem US$ 20 de desconto nos dois primeiros pedidos de US$ 25 ou mais pela Uber Eats, desde que feitos em até 14 dias, e titulares do cartão Prime Visa ganham 5% de volta em pedidos da Uber Eats até 5 de dezembro. As duas empresas já tinham vínculos por meio da computação em nuvem, dos robotáxis da Zoox e da Uber Eats integrada à assistente Alexa+, observa a TechCrunch.

O acordo também chega em meio a uma disputa acirrada. O Yahoo Finance aponta que a parceria foi anunciada pouco depois de a DoorDash acertar a compra da Instacart em um negócio de US$ 17 bilhões, enquanto o Walmart vende um pacote Walmart+ e Sam’s Club Plus por US$ 120 ao ano. As ações da Uber subiam cerca de 2,6%, e as da Amazon, aproximadamente 1,7%, nas negociações do pré-mercado, segundo dados do Yahoo Finance.

A permanência da Grubhub no Prime termina em 31 de dezembro de 2027, quando expiram as últimas assinaturas ativadas. A da Uber segue condições que nenhuma das empresas vai revelar.

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