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Abigail’s Party: Tamzin Outhwaite brilha, mas o revival de Nadia Fall suaviza a crueldade de Mike Leigh

Martha Lucas

Toda remontagem de Abigail’s Party chega carregando um fantasma. A Beverly de Alison Steadman — toda ameaça arrulhante e Demis Roussos no som — assombra o papel há uma geração, e o caminho mais fácil para encenar a autópsia de coquetel de Mike Leigh é como uma máquina de nostalgia: uma risada calorosa diante de banheiros cor de abacate e dos modos de uma classe que já não se veste assim. Tamzin Outhwaite, percorrendo o palco do Harold Pinter Theatre no West End, recusa o calor. Sua Beverly não é uma curiosidade de época, mas uma predadora — e essa recusa é o argumento mais interessante que esta produção apresenta para mostrar por que a peça ainda morde.

As resenhas convergiram para Outhwaite como a atração principal, e nisso estão certas. Os críticos recorrem ao mesmo repertório: o Financial Times a chamou de rija, feroz e simplesmente fabulosa; o The Stage a viu tomar conta da noite e pisar firme com convicção brilhante; o Time Out identificou uma garota má de meia-idade, calculista e perversa. Ela despeja mais malícia e mais manipulação em Beverly do que o papel normalmente exige, deixando a hospitalidade de uma anfitriã azedar em controle. Por consenso geral, é um sucesso.

Mas o enquadramento de tour de force enterra a decisão mais ousada da remontagem. Nadia Fall escalou Omar Malik e Lauren Patel, ambos atores de ascendência sul-asiática, como Tony e Angela, o jovem casal recém-chegado à rua. De repente, o murmúrio de desconforto de Laurence sobre a mudança na qualidade do bairro deixa de ser um detalhe pitoresco de época e se transforma em um fio desencapado. Leigh construiu a peça como um estudo do esnobismo inglês devorando a si mesmo; a escalação de Fall redireciona esse esnobismo pela linha de falha real do país, e a noite ganha uma aresta que o original só podia sugerir. É para isso que serve uma remontagem — não para requentar um clássico, mas para reorientá-lo.

O que torna o outro instinto da produção uma perda genuína. A comédia de Leigh é um sistema de entrega de pavor: o riso tem a função de te prender, para que, quando a crueldade e a catástrofe chegarem, você perceba que foi cúmplice o tempo todo. Uma minoria séria de críticos sentiu que Fall nunca gira esse botão. Arifa Akbar, no Guardian, escreveu que a escuridão do final não se sustenta; Alice Saville, no Independent, encontrou uma produção que favorece um tom consistente de palhaçada desbragada em vez de intensidade, embotando o que, por baixo da festa, é um retrato de bullying. A sala gargalha, e então é convidada a sofrer — e o luto não encontra lugar.

Essa lacuna importa mais do que qualquer nota de estrelas. Uma remontagem que se dá ao trabalho de fazer a comédia de classe de Leigh falar ao presente, e então se recusa a fazê-la doer, está fazendo apenas metade do trabalho a que se propôs. Outhwaite é claramente capaz da crueldade; a malícia já está carregada em sua Beverly. Fall já provou que consegue ler a peça contra sua reputação aconchegante. O tom de agradar o público, em outras palavras, é uma escolha, não um teto — o que é o veredito mais frustrante que um crítico pode alcançar.

Abigail’s Party está em cartaz no Harold Pinter Theatre até 19 de setembro, a temporada no West End de uma montagem que começou no Theatre Royal Stratford East e fez uma turnê antes de chegar à capital, com Kevin Bishop como Laurence e Pandora Colin como Sue completando o elenco de cinco atores.

A festa de Beverly é construída para terminar com a gargalhada entalando na garganta, a piada se transformando tarde demais em algo que ninguém pode desfazer. Esta mantém o riso vivo até o último gole. É a Abigail’s Party mais engraçada em anos — e é exatamente aí que está o problema.

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