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Borderlands: um espetáculo vazio apesar da atuação marcante de Cate Blanchett

Veronica Loop
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A cena de abertura de Borderlands é uma profusão caótica de luzes neon e ação explosiva, um ataque visual que deveria mergulhar imediatamente o público no universo vibrante e excêntrico de Pandora. Em vez disso, parece uma imitação barata: um espetáculo vazio, sem o charme e a profundidade da série de videogames que lhe serviu de base. Dirigida por Eli Roth e estrelada por Cate Blanchett no papel de Lilith, esta adaptação da adorada franquia Borderlands é um exemplo gritante de como não transportar um sucesso cult de uma mídia para outra.

Em essência, Borderlands é uma comédia de ficção científica cheia de ação que acompanha Lilith, uma infame caçadora de recompensas, quando ela retorna ao planeta natal e se une a um grupo improvável de desajustados. Juntos, eles enfrentam monstros e bandidos perigosos para proteger uma jovem que guarda a chave de um poder inimaginável. A premissa tem enorme potencial, mas a execução do filme deixa muito a desejar.

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Um dos poucos pontos altos de Borderlands é a atuação de Cate Blanchett como Lilith. Blanchett confere à personagem uma intensidade áspera e uma camada de profundidade que elevam o material. Sua interpretação de Lilith se destaca e ancora o filme em momentos de emoção genuína em meio ao caos. Só a presença de Blanchett já faz o filme valer a pena, mas nem ela consegue salvá-lo de seus inúmeros problemas.

Kevin Hart, como Roland, oferece algum alívio cômico, embora seu papel muitas vezes pareça pouco desenvolvido e fique à sombra do ritmo frenético do filme. A atuação de Hart é competente, mas falta presença de cena para sustentar alguns dos momentos mais absurdos. O elenco de apoio, que inclui Jamie Lee Curtis como Tannis, Edgar Ramírez como Atlas e Ariana Greenblatt como Tiny Tina, é talentoso, mas acaba sendo em grande parte desperdiçado. Seus personagens se reduzem a arquétipos unidimensionais, sem as nuances e o desenvolvimento que os tornaram memoráveis nos jogos.

A direção de Eli Roth tem altos e baixos. Por um lado, ele filma algumas das sequências de ação mais eletrizantes com uma energia cinética que mantém o público envolvido. A construção do universo tenta evocar uma terra devastada do Velho Oeste, e há momentos em que o cenário do filme ganha força. Roth, porém, tem dificuldade para equilibrar as mudanças de tom entre ação, ficção científica e comédia. O resultado é uma narrativa desconexa, que nunca chega a encontrar seu rumo.

A trilha sonora é um dos elementos mais fortes do filme. Ela captura os temas divertidos, com clima de faroeste, que os fãs dos jogos adoram e cria uma base musical que eleva alguns dos momentos mais banais. Ainda assim, até esse ponto forte é prejudicado pelos problemas de ritmo e pela falta de uma narrativa coerente.

Em termos temáticos, Borderlands tenta explorar ideias como a família que se constrói e a força da união diante de adversidades avassaladoras. Esses temas estão presentes na obra original e poderiam ter servido de base envolvente para o filme. Infelizmente, a estrutura previsível da narrativa e a falta de profundidade impedem que eles tenham a ressonância que deveriam.

As comparações com outras adaptações de videogames são inevitáveis, e Borderlands sai perdendo nesse quesito. Filmes como The Super Mario Bros. Movie (2023) e Sonic the Hedgehog 2 (2022) provaram que uma adaptação bem-sucedida pode preservar o espírito da obra original e, ao mesmo tempo, conquistar um público mais amplo. Já Borderlands parece uma tentativa sem empenho de lucrar com a popularidade da franquia, sem compreender de verdade o que a torna especial.

Também não fica claro a quem o filme se destina. Os fãs dos jogos de Borderlands provavelmente se decepcionarão com a falta de fidelidade à obra original, enquanto o público em geral pode ter dificuldade para se conectar com a narrativa desconexa e os personagens pouco desenvolvidos. As sequências de ação são divertidas, mas não bastam para sustentar um filme sem substância.

Um dos problemas mais evidentes de Borderlands é o ritmo. O filme corre de uma sequência grandiosa para outra sem dar ao público tempo para respirar ou se envolver com os personagens. Essa velocidade alucinante dificulta que nos importemos com o que está em jogo ou com as relações entre os personagens, elementos essenciais para o impacto emocional da história.

Outra grande falha é a falta de originalidade. Borderlands pega bastante emprestado de outros filmes e videogames, e o resultado é uma narrativa derivativa e sem inspiração. O humor costuma não funcionar, e as sequências de ação, embora visualmente impressionantes, carecem da criatividade e da inovação que faziam a obra original se destacar.

A fotografia é outro aspecto em que Borderlands deixa a desejar. Embora haja momentos de grande impacto visual, o uso constante de câmera tremida e cortes rápidos dificulta apreciar a construção do universo. As sequências de ação muitas vezes são confusas e desorientadoras, o que prejudica a experiência como um todo.

Apesar dos problemas, Borderlands também tem qualidades. Os efeitos visuais do filme impressionam, e há momentos em que o humor funciona. O elenco é inegavelmente talentoso, e as atuações acrescentam ao material uma camada de profundidade que, de outro modo, lhe faltaria. Ainda assim, esses pontos fortes não bastam para compensar os numerosos defeitos do filme.

No fim das contas, Borderlands é uma oportunidade perdida. Mira nas estrelas, mas acaba fracassando e entrega pouco mais do que uma experiência bem sem graça. A falta de fidelidade à obra original, somada à narrativa derivativa e aos problemas de ritmo, transforma o filme em mais um título esquecível na lista crescente de adaptações de videogames.

Os fãs da série Borderlands provavelmente se decepcionarão com esta adaptação, que não consegue captar a essência do que tornou os jogos tão queridos.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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