Atores

Cate Blanchett: a rainha que sempre desmonta sua própria coroa

Penelope H. Fritz
Cate Blanchett
Cate Blanchett
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento14 de maio de 1969
Melbourne, Victoria, Australia
OcupaçãoAtriz, produtora e diretora artística de teatro
Conhecido porO Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, O Senhor dos Anéis: As Duas Torres
Prêmios2 Oscar · 3 BAFTA · Globo de Ouro

Há atrizes que constroem reputações e atrizes que constroem armadilhas. Cate Blanchett pertence à segunda categoria: cada papel que aceita parece projetado para atrair o espectador em direção a uma certeza — moral, estética, emocional — e depois retirá-la no momento mais desconfortável. Com dois Oscars, oito indicações e quase três décadas de carreira, ela é a figura dominante do cinema contemporâneo precisamente porque nunca parou de questionar o que significa ter esse poder.

Catherine Élise Blanchett nasceu em 14 de maio de 1969 em Melbourne, Austrália. Estudou no National Institute of Dramatic Art de Sydney e começou a trabalhar no teatro no início dos anos 1990, antes de migrar para o cinema. Quando Shekhar Kapur a escolheu em 1998 para interpretar a rainha Elizabeth I em Elizabeth, ela era praticamente desconhecida fora da Austrália; depois da estreia, seu nome nunca mais seria esquecido.

Com a trilogia O Senhor dos Anéis (2001–2003), onde emprestou sua presença hipnótica à elfa Galadriel, conquistou o grande público global. Foi com O Aviador (2004), de Martin Scorsese, que demonstrou pela primeira vez em Hollywood sua capacidade de eclipsar qualquer protagonista: sua Katharine Hepburn, nervosa e luminosa, lhe rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

O que a distingue de suas contemporâneas é a radicalidade das escolhas. Em Escândalo (2006), interpreta uma professora que comete um erro devastador e paga o preço total. Em Não Estou Lá (2007), é uma das seis encarnações de Bob Dylan — a única atriz do elenco — sem qualquer traço de pastiche. Junto ao marido Andrew Upton, com quem se casou em 1997 e tem quatro filhos, codirigiu o Sydney Theatre Company de 2008 a 2013.

Cate Blanchett em Tár
Cate Blanchett em Tár

Com Blue Jasmine (2013), de Woody Allen, ganhou o Oscar de melhor atriz. Sua Jasmine Francis — mulher da alta sociedade em queda livre, incapaz de reconhecer sua própria responsabilidade no desastre — é uma tragédia williamssiana reinstalada na Manhattan contemporânea. Em Carol (2015), dirigido por Todd Haynes, tudo funciona no sentido contrário: a emoção inteira está nos olhos, na pausa antes de falar, no que nunca é dito.

Mas é Lydia Tár em Tár (2022) que condensa o projeto de toda a carreira. Essa regente imaginada por Todd Field exige uma atriz capaz de gerar admiração e suspeita na mesma cena, de tornar o espectador cúmplice do abuso de poder que observa. Blanchett consegue com uma interpretação que lhe rendeu o Globo de Ouro, o BAFTA e sua oitava indicação ao Oscar. Em 2025, retornou com Black Bag, de Steven Soderbergh, como agente de inteligência negociando entre lealdades opostas. A coroa permanece. E continua sendo desmontada.

YouTube video

Filmes em destaque

Tags: , , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.