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Oregon recua e cai o último obstáculo estadual à fusão Paramount-Warner

O procurador Dan Rayfield retira a exigência de documentos e o pedido de adiamento, deixando a consolidação de US$ 110 bilhões de David Ellison praticamente sem oposição nos EUA
Molly Se-kyung

Procuradores-gerais estaduais se tornaram, silenciosamente, o último obstáculo numa era em que Washington aprova megafusões de mídia sem resistência — e quando um deles recua, o negócio está essencialmente fechado. Oregon era o último estado a contestar a absorção da Warner Bros. Discovery pela Paramount, e sua desistência significa que a maior reestruturação do sistema de estúdios americano em uma geração agora não enfrenta nenhuma oposição governamental organizada em solo nacional.

Conforme o Deadline noticiou em primeira mão, o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, retirou tanto uma intimação civil para a entrega de documentos da Paramount quanto o pedido para que um juiz do Condado de Multnomah suspendesse a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões — protocolado dias antes de uma audiência na segunda-feira que agora não acontecerá. Os documentos que ele exigia abrangiam o lobby da Paramount junto a autoridades federais, sua participação em uma declaração do Departamento de Justiça dos EUA endossando o acordo e uma campanha interna que a empresa batizou de “Projeto Guerreiro”.

A retirada soa menos como satisfação e mais como impasse. A Paramount, agora comandada pela Skydance, de David Ellison, recusou-se a ser notificada, apresentou objeções dentro do prazo e — segundo o estado — agiu como se se considerasse “acima da lei”. O gabinete de Rayfield enquadrou a desistência como uma recusa em “gastar os recursos dos cidadãos do Oregon com esses joguinhos”, enquanto a Paramount celebrou o fim do que chamou de “um esforço injustificado para atrasar uma fusão legal e pró-competitiva”.

O que estava em jogo nunca foi exclusividade do Oregon. Uma empresa combinada uniria duas das bibliotecas fundadoras de Hollywood — a montanha da Paramount e o escudo da Warner — sob um único dono, junto com CBS, HBO, CNN e franquias que vão da DC a Star Trek. Rayfield havia alertado que “os cidadãos do Oregon têm um interesse real neste acordo — em nossa indústria cinematográfica, em nossa economia, nas escolhas que terão como consumidores”, uma prévia do argumento de concentração que arquivistas e estúdios concorrentes continuam levantando à medida que o catálogo da história do cinema americano se contrai nas mãos de cada vez menos empresas.

Com a aprovação antitruste federal já garantida e o último desafio estadual eliminado, as duas empresas esperam fechar o negócio até o final do terceiro trimestre, pendendo apenas da aprovação da União Europeia e do Reino Unido. A Paramount entregou mais de 822 mil documentos durante a disputa; a Warner Bros. Discovery produziu cerca de 1,2 milhão — uma trilha de papéis que agora vai para os arquivos, e não para um tribunal.

Da próxima vez que o destino de um estúdio for discutido em público, talvez não seja num tribunal de Portland, mas numa sala de reuniões que já é dona dos dois lados do letreiro.

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