Filmes

Adam Aron responde “obrigado, mas não” aos procuradores e aposta, com a AMC, numa Paramount-Warner maior

Liv Altman

Durante quase toda a última década, os operadores de salas de cinema trataram a consolidação dos estúdios como uma ameaça a ser suportada, não como uma tábua de salvação a ser bem-vinda — menos compradores significavam condições mais fracas e menos lançamentos. Adam Aron, que comanda a maior rede de exibição do planeta, agora aposta no oposto. Seu abraço público a uma fusão entre Paramount e Warner Bros. reformula o negócio não como um aperto sobre os cinemas, mas como o motor mais certo da retomada do cinema que ele promete há anos.

Como o Variety noticiou em primeira mão, Aron dispensou os procuradores-gerais estaduais que tentam congelar a fusão com um seco “obrigado, mas não”, argumentando que os reguladores que imaginam um mercado encolhido interpretam mal, fundamentalmente, como o negócio do cinema realmente funciona. Uma Paramount maior e mais capitalizada, na visão dele, é um estúdio que ocupa telas em vez de esvaziá-las — a diferença entre uma distribuidora que se resguarda e outra comprometida com a grande sala.

O apoio é relevante porque divide o campo dos exibidores. A Cinema United, entidade que representa os donos de salas coletivamente, atacou o mesmo acordo e apoiou o litígio desenhado para freá-lo, alertando que um estúdio combinado ganharia alavancagem perigosa sobre as empresas que de fato vendem ingressos. A ruptura de Aron com essa linha dá a David Ellison — cuja Paramount é a adquirente — um aliado raro entre os próprios operadores com quem um estúdio consolidado um dia terá de negociar.

Também alinha Aron a um coro improvável. Dias antes, o superagente Ari Emanuel usou um artigo de opinião no Wall Street Journal para classificar a ação antitruste dos estados como “lixo”, vendendo a fusão como a cura de Hollywood, e não sua doença. Entre o agente mais poderoso do ramo e o executivo de cinema mais visível, o lado pró-fusão ganhou silenciosamente dois constituintes — talento e exibição — que os falcões antitruste supunham que resistiriam.

O que está em jogo é concreto. Doze procuradores-gerais estaduais democratas entraram com uma ação em meados de julho para bloquear a união de aproximadamente US$ 111 bilhões, e a Paramount concordou desde então em não fechar a transação até cinco dias após o julgamento ou 1º de junho de 2027, o que ocorrer primeiro. A intervenção de Aron chega bem dentro dessa janela — uma batida de lobby voltada menos para o tribunal e mais para o argumento público a favor da aprovação do negócio.

É um espetáculo estranho: o homem que comanda os cinemas torcendo pelo estúdio que um dia ditará seus termos — uma aposta de que um Hollywood maior vale mais para a bilheteria do que um mais livre.

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