Filmes

Savannah Guthrie volta ao ‘Today’, o matinal que todos dão como morto

Liv Altman

Nada aconteceu, e é exatamente esse o ponto. Uma apresentadora tirou duas semanas de folga e voltou para o mesmo sofá, a mesma co-apresentadora, a mesma luz das sete da manhã. A internet tratou como um evento porque a televisão matinal tornou-se, silenciosamente, um dos últimos lugares na grade onde a promessa não é a novidade, mas o retorno — a garantia de que as pessoas que estavam lá antes estarão lá de novo.

Essa promessa é mais antiga do que a maior parte da audiência que a assiste. O gênero foi construído sobre a ideia de uma casa que você visita antes de a sua própria ter acordado completamente: um formato de mesa de cozinha, apresentadores que você conhece pelo primeiro nome, um ritmo mais próximo do ritual familiar do que do jornalismo duro. Toda reinvenção de prestígio do último trecho da televisão buscou o evento e a ruptura; o programa matinal nunca deixou o negócio da companhia. Sua moeda nunca foi o furo. Era o rosto.

É por isso que o obituário reflexivo para o formato continua errando o alvo. Virou moda colocar a TV matinal no balaio das coisas que o streaming matou, uma peça da audiência agendada esperando para ter seu plugue puxado. Os livros dizem o contrário, e eles dizem em alto e bom som.

A faixa horária que todos insistem em enterrar está vencendo

O Today passou o ano não apenas sobrevivendo, mas escalando — sua melhor performance em mais de uma década, de acordo com os balanços do setor mantidos pelo Adweek’s TVNewser, com audiência total subindo mais de 20% em relação ao ano anterior e uma sequência trimestral de vitórias que não mantinha desde 2012. O verdadeiro caso de declínio está em outro lugar do dial, em um concorrente em terceiro lugar que perde aplateia que todo mundo supõe estar perdendo o gênero inteiro. A faixa horária não está colapsando. Elação está se consolidando em torno dos programas que entenderam o que estavam vendendo.

E está vendendo estabilidade num momento em que sua apresentadora mais visível tem tido muito pouca disso. Guthrie segurou a cadeira durante um calamidade privada que nenhum sorriso matinal é projetado para suportar: a mãe, de 84 anos, desapareceu de sua casa no início do ano e ainda não foi encontrada. O fato de ela ter continuado aparecendo, tirado suas pausas e voltado não é uma nota de rodapé aos números — pode ser o motor silencioso deles. Os telespectadores não sintonizam para a notícia, que já está brilhando na palma das mãos deles. Eles sintonizam para o ser humano que continua chegando.

Essa é a força do formato e seu teto em numa única respiração. Um programa cujo produto é a continuidade não pode se dar ao luxo de ser interessante da mesma maneira que o drama de prestígio é interessante; não pode provocar ou surpreender sem rachar a própria coisa que os telespectadores vêm buscar. O programa matinal sobrevive sendo confiável, e confiabilidade, por definição, não é notícia. É o equivalente televisual de um farol — valioso justamente por fazer a mesma coisa todos os dias, e fácil de ser ignorado exatamente por esse motivo.

A mecânica desse retorno em particular foi tão baixa quanto o gênero exige. Guthrie ficou longe durante uma semana — parte disso com a família, parte disso no US Open ao lado do marido, Michael Feldman — e voltou para o Studio 1A ao lado de Craig Melvin enquanto o programa se ajeitava em sua base de outono. Como People notou primeiro, Melvin a recebeu com um “nós sentimos sua falta,” e ela respondeu no estilo que a faixa horária exige: uma piada de volta às aulas e a promessa de lhe trazer uma maçã brilhante nova até o final da exibição. Ninguém aprendeu nada. Todo mundo teve o que veio buscar.

Esse é o truque todo, e a pista toda. Uma mídia que metade da indústria já considerou morta acaba de ter seu melhor ano desde 2019, oferecendo a coisa menos dramática na televisão — uma pessoa familiar, voltando para dentro, no horário. A maçã era um adereço. Conforto não era.

Tags: , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.