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Annabelle Wallis, a atriz que a crítica sempre salva dos próprios filmes

Penelope H. Fritz
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Annabelle Wallis
Annabelle Wallis
Photo: Eva Rinaldi from Sydney Australia / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento5 de setembro de 1984
Oxford, Inglaterra
OcupaçãoAtriz
Conhecido porX-Men: Primeira Classe, Rei Arthur: A Lenda da Espada, Annabelle 2: A Criação do Mal
PrêmiosBloodGuts UK Horror Award — Melhor Vilão · Indicação ao MTV Movie Award — Melhor Atuação de Susto

Há um tipo de crítica que acompanha Annabelle Wallis há quase toda a carreira: descarta o filme, mas abre uma exceção para ela. Foi assim com um terror que, por acaso, tinha o mesmo nome de sua protagonista; com uma nova versão de um clássico de monstros que deveria inaugurar o universo compartilhado de um estúdio — e acabou enterrando a ideia; e, de novo, com um thriller de ficção científica ambientado em um tribunal, rejeitado pela maioria dos críticos. O padrão é tão constante que talvez seja a chave mais útil para entender seu trabalho: uma atriz inglesa que raramente encontra o projeto à altura dos elogios que recebe e, ainda assim, continua aceitando o próximo, muitas vezes em um gênero que ninguém esperava.

Sua escolha mais recente aponta para outro caminho. No drama da Netflix Unabomber, ela interpreta Christiana Morgan, a psicóloga de Harvard que trabalhou ao lado de Henry Murray nos experimentos de personalidade dos quais o adolescente Ted Kaczynski participou. O roteiro faz de Morgan a consciência daquela sala. À medida que as sessões ficam mais conflituosas, ela começa a se inquietar com os métodos, enquanto Murray, vivido por Russell Crowe, insiste em prosseguir. É um papel coadjuvante em um filme duramente recebido pela crítica, e que se encaixa quase perfeitamente no desenho de sua carreira: a pessoa que percebe que algo está dando errado antes que os outros estejam prontos para admitir.

A parte inglesa de sua biografia é breve. Ela nasceu em Oxford, em 5 de setembro de 1984, mas a família se mudou para Cascais, no litoral atlântico a oeste de Lisboa, quando ela tinha dezoito meses; foi lá que cresceu. Em escolas internacionais, tornou-se fluente em inglês, português, francês e espanhol; décadas depois, aprendeu italiano para um thriller da Netflix rodado na Itália. Atuou em curtas-metragens em Portugal antes de se mudar para Londres, onde fez comerciais e chegou a considerar escolas de teatro, até decidir que, na verdade, precisava de um agente.

A árvore genealógica da família reúne mais artistas do que esse caminho improvisado poderia sugerir. Richard Harris, o ator irlandês que interpretou Albus Dumbledore nos dois primeiros filmes de Harry Potter e passou décadas como uma das personalidades mais explosivas do teatro e do cinema, era tio-avô materno de Wallis; isso faz de Jared Harris, Jamie Harris e do diretor Damian Harris seus primos de segundo grau. Pelo lado paterno, ela descende de Marie Lloyd, estrela do music hall cujas insinuações de duplo sentido lotavam os teatros de Londres na virada do século XX. Seu irmão mais velho, Francis, tornou-se diretor e já trabalhou em projetos para Michael Kors e para as cantoras Pixie Lott e Birdy.

O começo foi tortuoso. Seu primeiro papel principal veio em Dil Jo Bhi Kahey…, um filme em hindi lançado em 2005 que foi mal nas bilheterias. Vieram depois papéis pequenos, entre eles o da namorada de Mark Strong em Body of Lies, de Ridley Scott, e um papel no thriller de baixo orçamento Steel Trap. A televisão mudou a escala. Na terceira temporada de The Tudors, do Showtime, ela assumiu de Anita Briem o papel de Jane Seymour: a terceira esposa de Henrique VIII, que finalmente lhe deu o herdeiro homem que ele tanto queria e morreu poucos dias depois do parto. O papel exigia serenidade em uma corte onde todos os outros tramavam alguma coisa, e ela a transmitiu sem tentar conquistar a simpatia do público. Pan Am, da ABC, em que também apareceu, foi cancelada após uma temporada; Madonna a dirigiu em W.E., e ela teve uma breve participação em X-Men: First Class.

O papel que a gravou na memória do público britânico foi o de Grace Burgess, em Peaky Blinders, da BBC. Grace chega a Birmingham como a nova garçonete do pub Garrison, mas, na verdade, é uma informante do inspetor Campbell, infiltrada para se aproximar de Tommy Shelby, interpretado por Cillian Murphy. O roteiro precisava convencer o público de duas coisas incompatíveis sobre ela ao mesmo tempo, e Wallis interpretou essa vida dupla sem jamais dar sinais de que havia algo por trás. Grace foi morta no início da terceira temporada por uma bala destinada a Tommy, e sua ausência moldou o rumo que a série tomou depois. Quando Wallis voltou como Grace Shelby na quinta temporada, era uma presença da qual Tommy não conseguia se livrar — exatamente esse era o ponto.

Annabelle Wallis
Annabelle Wallis. Photo via The Movie Database (TMDB)

Hollywood a descobriu por meio do terror. Annabelle, derivado de The Conjuring, dirigido por John R. Leonetti e produzido por James Wan, deu a ela o papel principal de Mia Form, uma jovem grávida cuja casa se torna alvo de uma boneca possuída. O filme foi massacrado pelos críticos, mas mesmo assim virou um sucesso de bilheteria; os que não gostaram tendiam a elogiá-la. Ela foi indicada ao MTV Movie Awards na categoria de Melhor Atuação de Dar Medo, e voltou brevemente ao papel de Mia Form em Annabelle: Creation, em 2017. Na mesma época, estrelou Fleming, minissérie sobre o criador de James Bond, na qual interpretou Muriel Wright ao lado de Dominic Cooper, além de fazer uma sequência de filmes menores em 2016, da comédia de Sacha Baron Cohen Grimsby ao thriller de guerra Mine.

A lógica das franquias da década passou então diretamente por ela. A Universal escalou Wallis como a arqueóloga Jenny Halsey, ao lado de Tom Cruise, em A Múmia, filme concebido para dar início ao Dark Universe do estúdio, uma série de filmes interligados sobre monstros. Ela fez quase todas as próprias cenas de ação, incluindo a sequência do acidente de avião em gravidade zero. O filme recebeu críticas ruins, deu prejuízo e o universo planejado não sobreviveu. Naquele mesmo ano, ela apareceu em King Arthur: Legend of the Sword, de Guy Ritchie, outro lançamento caro que fracassou nas bilheterias; em 2018, foi a protagonista feminina da comédia Tag, no papel de Rebecca Crosby.

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Aqui, é preciso corrigir a versão mais lisonjeira de sua história. “Melhor do que o material” é um elogio que, repetido por tempo suficiente, endurece e vira sentença. Boa parte de sua carreira no cinema transcorreu em projetos que parecem ter sido escolhidos pela escala ou pela maquinaria do gênero, e não pelos roteiros; a lista de filmes protagonizados por ela que agradaram de fato à crítica é curta. Seu alcance aparece com mais clareza nos trabalhos mais discretos. Ela dá voz a Zora, a inteligência artificial que se torna parte da tripulação da nave em Star Trek: Discovery, um papel recorrente que surgiu do episódio “Calypso”, de Short Treks. Acima de tudo, há The Loudest Voice, minissérie de 2019 do Showtime sobre Roger Ailes, na qual interpretou Laurie Luhn, responsável pela escalação de convidados da Fox News e uma das primeiras mulheres a falar publicamente sobre os abusos de Ailes. O Chicago Sun-Times descreveu sua atuação como “um trabalho de partir o coração e de enorme força”. A série foi indicada ao Globo de Ouro. Ela não foi, e nenhuma de suas atuações recebeu até agora uma indicação a um grande prêmio da indústria — o que diz tanto sobre os projetos à sua volta quanto sobre o próprio trabalho.

Maligno é o filme que melhor explica por que diretores de cinema de gênero continuam a chamá-la. James Wan, de volta ao terror que ajudou a moldar com Saw e The Conjuring, concebeu o longa como uma homenagem ao giallo italiano e escalou Wallis como Madison Mitchell, uma mulher atormentada por visões de assassinatos que se revelam reais. Adiado pela pandemia, o filme chegou simultaneamente aos cinemas e à HBO Max em setembro de 2021. O ato final, que revela o que vive dentro de Madison, dividiu bastante o público, mas desde então conquistou uma legião de fãs fiéis. A atuação é a dobradiça que sustenta a reviravolta: Wallis precisa interpretar a vítima e, na prática, o instrumento do assassino, às vezes no mesmo plano. Em 2022, o BloodGuts UK Horror Awards a elegeu Melhor Vilã pelo papel, uma distinção bem-humorada que também descreve com precisão o que ela conseguiu fazer. Em 2021, ela também apareceu no filme de ação com viagem no tempo de Joe Carnahan, Boss Level, ao lado de Frank Grillo e Mel Gibson, e na comédia apocalíptica de Natal de Camille Griffin, Silent Night, com Keira Knightley e Matthew Goode.

Seu trabalho vem se afastando aos poucos do centro de Hollywood. Em 2020, estrelou o thriller de Robin Pront The Silencing, cuja estreia no South by Southwest foi cancelada quando a pandemia fechou o festival, e interpretou a Princesa Buttercup em uma refilmagem beneficente de The Princess Bride, gravada em casa para a World Central Kitchen. Em 2024, Vanished into the Night, thriller italiano de Renato De Maria lançado pela Netflix, escalou Wallis ao lado de Riccardo Scamarcio como Elena, papel para o qual ela aprendeu italiano.

O ano atual tem sido o mais movimentado dela em muito tempo. Mercy, thriller de ficção científica de Timur Bekmambetov lançado em janeiro, escalou Wallis como Nicole Raven, a esposa assassinada no centro do caso contra um detetive de Los Angeles interpretado por Chris Pratt. Ele tem noventa minutos para convencer uma juíza de inteligência artificial, interpretada por Rebecca Ferguson, de que não a matou. Nicole aparece sobretudo nas gravações e nos fragmentos que o detetive analisa. O filme recebeu críticas ruins e arrecadou cerca de US$ 54,7 milhões no mundo todo, diante de um orçamento divulgado de US$ 60 milhões; depois, encontrou um novo público ao chegar ao topo do ranking do Prime Video.

Em agosto, veio Mutiny, thriller de ação de Jean-François Richet, no qual Wallis interpreta Angie Ellis, funcionária de uma empresa de navegação que descobre uma operação de tráfico de pessoas a bordo de um cargueiro, ao lado do guarda-costas fugitivo de Jason Statham. Dois dias antes do lançamento, em 21 de agosto, a Amazon disponibilizou por acidente o filme completo no Prime Video durante várias horas; as críticas foram divididas e a estreia nos cinemas foi modesta. Em seguida, em 25 de setembro, a Netflix lançou Unabomber, dirigido por Janus Metz e com Jacob Tremblay como o jovem Kaczynski e Shailene Woodley como uma agente do FBI. Os críticos, em sua maioria, não se convenceram, mas em outubro o filme chegou ao primeiro lugar no ranking de filmes da plataforma.

Sua vida pessoal ficou mais exposta do que ela provavelmente gostaria. Relacionamentos anteriores com o ator Chris Pine e com Chris Martin, do Coldplay, renderam anos de atenção dos tabloides; ela aparece no clipe da banda para “Hymn for the Weekend” e faz vocais de apoio em “Up&Up”. Desde 2022, está com Sebastian Stan. O casal estreou no tapete vermelho do Globo de Ouro em janeiro de 2025, quando Stan, ao receber o prêmio por A Different Man, encerrou o discurso com “Annabelle, eu te amo”. Ela o acompanhou a Cannes em maio de 2026, visivelmente grávida, e o primeiro filho do casal nasceu em julho; eles não divulgaram o nome nem outros detalhes. Fora dos sets, ela apoia a instituição de caridade para refugiados Choose Love e a Save the Children; em 2018, tornou-se embaixadora da Cartier.

O próximo trabalho é um drama de época. Em Pedro Pan, filme de Richie Adams sobre a operação que levou milhares de crianças cubanas aos Estados Unidos no início dos anos 1960, Wallis interpreta Penny Powers, uma inglesa que havia trabalhado no Kindertransport antes de se tornar uma figura central na ponte aérea. Andy Garcia e Paz Vega lideram o elenco, e a produção foi filmada no México, com as ruas de Mérida transformadas para parecer a Havana dos anos 1960. The Silence of Mercy, de Floria Sigismondi, filmado há vários anos, ainda não tem data de lançamento. A pergunta que sua carreira continua fazendo não mudou: será que alguém acabará criando um filme à altura dos elogios que ela não para de receber? Até lá, ela segue defendendo seu caso, um papel de cada vez.

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