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Tom Cruise, o último astro de cinema que faz suas próprias acrobacias e mantém o resto em sigilo

Penelope H. Fritz

A acrobacia é o argumento. Quando Tom Cruise se agarrou ao exterior de um Airbus A400M durante a decolagem real, quando escalou o Burj Khalifa sem cabos visíveis em quadro, quando treinou meses para prender a respiração por seis minutos embaixo d’água numa única tomada, ele afirmava algo sobre o cinema: que o público percebe a diferença entre o que é real e o que é fabricado, e que essa diferença importa. O argumento funcionou. Top Gun: Maverick arrecadou 1,49 bilhão de dólares em 2022, trouxe de volta ao cinema os adultos ocasionais no exato momento em que Hollywood havia desistido deles, e garantiu ao filme seis indicações ao Oscar. Em novembro de 2025, a Academia lhe entregou um Oscar honorário. A lógica se sustentou.

Tom Cruise em Jerry Maguire
Tom Cruise em Jerry Maguire (1996)

Thomas Cruise Mapother IV nasceu em 3 de julho de 1962 em Syracuse, Nova York, filho de um engenheiro elétrico que foi, por suas próprias palavras em inúmeras entrevistas, um homem difícil e por vezes violento. A família se mudou com frequência — quinze escolas antes da adolescência — e acabou se estabelecendo em Glen Ridge, Nova Jersey. Ali jogou futebol americano até uma lesão acabar com isso, e caiu quase por acidente numa produção escolar de Guys and Dolls. Esse acidente se revelou definitivo.

Sua carreira inicial se apoiou em algo mais difícil de nomear do que carisma: um comprometimento total com o que a câmera exige. Risky Business, em 1983, mostrou que podia sustentar um filme sozinho. Top Gun, três anos depois, o transformou em estrela — o filme mais rentável de 1986.

O que raramente se enfatiza é com que deliberação ele se afastou dessa imagem justamente quando teria sido mais cômodo ficar nela. Born on the Fourth of July, com Oliver Stone, rendeu-lhe sua primeira indicação ao Oscar e exigiu que interpretasse um veterano do Vietnã paraplégico, Ron Kovic, sem qualquer componente glamoroso. Em Rain Man, ele apoiou a atuação premiada de Dustin Hoffman sem ofuscá-la. Jerry Maguire, em 1996, trouxe a segunda indicação ao Oscar e continua sendo a atuação que mais surpreendeu os críticos.

Tom Cruise em Tropic Thunder
Tom Cruise em Tropic Thunder (2008)

Mission: Impossible, lançada em 1996, iniciou seu projeto mais emblemático — embora o verdadeiro tema da franquia não seja o espião Ethan Hunt, mas o contrato físico entre Tom Cruise e seu público. Nos últimos filmes, a escalada havia atingido um nível que nenhum estúdio normalmente toleraria: saltos HALO reais, uma motocicleta lançada de uma falésia norueguesa, sequências subaquáticas que exigiram meses de treinamento. Os filmes continuaram elevando as apostas porque as apostas eram, em sentido literal, o produto.

A pergunta crítica sobre esse comprometimento é se ele reflete algo sobre o ofício ou sobre o controle. As duas possibilidades não se excluem. A mesma lógica — o domínio absoluto sobre o que é visível — também regeu sua relação com a Igreja da Cientologia, que ingressou por volta de 1986, da qual foi o porta-voz mais proeminente em meados dos anos 2000, e sobre a qual se fechou após o retrocesso de imagem causado por uma entrevista ao Today show em 2005 e suas críticas à atriz Brooke Shields por usar medicação psiquiátrica prescrita. Os três casamentos — com Mimi Rogers, Nicole Kidman e Katie Holmes — terminaram. Sua filha Suri, nascida em 2006 com Holmes, foi criada pela mãe desde que Holmes saiu do casamento em 2012 e escolheu não envolver Suri na Cientologia. Múltiplas fontes confiáveis relataram, por mais de uma década, que Cruise não teve contato significativo com Suri desde então. Ele nunca abordou o assunto.

Tom Cruise em A Questão da Honra
Tom Cruise em A Questão da Honra (1992)

Em maio de 2025, Mission: Impossible – The Final Reckoning chegou às salas — o oitavo filme, concebido como conclusão da franquia — e arrecadou aproximadamente 600 milhões de dólares mundialmente frente a um orçamento reportado de 400 milhões. A Paramount enquadrou os resultados em um arco comercial mais amplo. Em 16 de novembro de 2025, Cruise recebeu o Prêmio Humanitário Jean Hersholt das mãos de González Iñárritu na cerimônia dos Governors Awards. Em seu discurso disse: “Fazer filmes não é o que eu faço. É o que eu sou.” O público se levantou.

González Iñárritu também dirige Digger, em cartaz a partir de 2 de outubro de 2026. As primeiras imagens apresentadas no CinemaCon em abril mostravam Cruise fisicamente transformado — um “bilionário perturbado”, irreconhecível comparado à figura esguia e sempre em corrida que o público acompanha há quarenta anos. O filme gerou atenção imediata nos circuitos de premiação. Depois: Broadsword, um drama de guerra com Marion Cotillard e Henry Cavill; um filme de ação com Scarlett Johansson; uma possível continuação de Edge of Tomorrow; e um eventual Top Gun 3. O corpo ainda está em movimento. O resto permanece em sigilo.

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