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Bella Shepard, a atriz que segue em frente quando suas franquias acabam cedo demais

Penelope H. Fritz
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Bella Shepard
Bella Shepard
Photo: Gage Skidmore / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento17 de dezembro de 2001
Royal Oak, Michigan, United States
OcupaçãoAtriz
Conhecido porOz, Mágico e Poderoso, Perseguição às Bruxas, No Ritmo do Natal

Os trabalhos de maior destaque de Bella Shepard aconteceram dentro das mitologias criadas por outras pessoas. Primeiro veio um drama sobre lobisomens criado pelo responsável por Teen Wolf; depois, um spin-off de Star Trek carregado por décadas de cânone e por uma base de fãs que discute cada cena. Nas duas vezes, ela recebeu um papel principal; e, nas duas, a resposta à pergunta sobre quanto tempo esse protagonismo duraria foi definida bem longe do set. Até agora, o verdadeiro tema da carreira de Shepard é o que uma atriz consegue construir dentro de uma história que talvez não tenha permissão para chegar ao fim.

A história começa em Michigan. Shepard cresceu entre Waterford, Flint e Grand Blanc, e seu primeiro crédito na tela veio graças à avó, que enviou uma foto da neta para um teste de elenco aberto de Oz: The Great and Powerful, de Sam Raimi. O resultado foi uma pequena fala, como uma criança Quadling na fantasia da Disney — o bastante para mudar os rumos da família: pouco tempo depois, ela já morava em Los Angeles.

Para uma menina nascida em Royal Oak em 17 de dezembro de 2001, que estreou naquele filme de Raimi de 2013, o que veio em seguida foi a formação típica de uma atriz mirim naquela cidade: uma sequência de cenas avulsas e participações curtas. Ela apareceu na docussérie paranormal My Haunted House, interpretou Lexie em dois episódios da comédia da CBS Life in Pieces e fez o papel de uma menina em Grace and Frankie, da Netflix. Nenhum desses trabalhos exigiu que ela carregasse a produção nas costas, mas eles lhe ensinaram o ritmo de um set antes que a maioria dos atores da sua idade sequer tivesse conhecido um.

O primeiro papel em que ela pôde realmente mergulhar foi o de Alice Hargrave em A Girl Named Jo, drama de época ambientado em 1963 sobre duas amigas de lados opostos de uma cidade pequena que desenterram a história que ela esconde. Shepard permaneceu na série por três temporadas, de 2018 a 2019, e já contou que a personagem mudou bastante ao longo desse período; ela também descreveu a produção como uma forma de apresentar o movimento pelos direitos civis a espectadores mais jovens. Mais ou menos na mesma época, interpretou a versão adolescente de Aleida Diaz na sétima e última temporada de Orange Is the New Black. Para se preparar, estudou a atuação de Elizabeth Rodriguez e trabalhou no dialeto da personagem — um detalhe de interpretação que faz diferença quando um flashback precisa convencer um público que já conhece a versão adulta.

As participações especiais continuaram: Regan em The Wilds, Tati na retomada de iCarly e Kelly no filme de terror de Elle Callahan, Witch Hunt, de 2021. Então, em junho de 2022, a Paramount+ anunciou Shepard como uma das quatro jovens protagonistas de Wolf Pack, adaptação de Jeff Davis do romance de Edo van Belkom, publicado em 2004. Ela interpretou Blake Navarro, uma estudante rebelde mordida por um lobisomem durante uma debandada provocada por um incêndio florestal, ao lado de Armani Jackson, Chloe Rose Robertson e Tyler Lawrence Gray. Sarah Michelle Gellar vivia uma investigadora de incêndios criminosos, e Rodrigo Santoro fazia parte do elenco adulto. Em entrevistas perto da estreia, em janeiro de 2023, Shepard falou do lobisomem como uma metáfora para a ansiedade adolescente e a pressão familiar, e de como era importante para ela ver mulheres jovens fortes no centro de uma série de gênero.

É aqui que os registros públicos ficam menos elogiosos — e vale a pena examiná-los com cuidado. Wolf Pack foi duramente criticada assim que estreou: recebeu 44% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes; o The Guardian deu uma estrela ao primeiro episódio, destacando a atuação sem vida e o enredo incompreensível; e a Variety publicou uma crítica que considerou até Gellar apagada. Ainda assim, os mesmos oito episódios apareceram repetidamente no top 10 semanal de produções originais de streaming nos Estados Unidos, e Davis havia deixado claro antes da estreia que a série se passava em um universo separado de Teen Wolf, apesar do estúdio e da equipe em comum. A produção foi cancelada em janeiro de 2024, mesmo com os preparativos para uma segunda temporada em andamento. As críticas à atuação recaíram sobre todo um elenco jovem que trabalhava com diálogos que os mesmos críticos classificaram como sem sentido; o cancelamento também eliminou qualquer chance de ver o que Blake poderia ter se tornado quando os roteiros encontrassem seu rumo.

O padrão se repetiu, em outra tonalidade, com Star Trek: Starfleet Academy. Shepard foi anunciada como uma das cadetes em julho de 2024 e, um ano depois, foi apresentada como Genesis Lythe, a primeira Dar-Sha a entrar para a Frota Estelar — uma nova espécie caracterizada por sulcos faciais e pela ausência de sobrancelhas. Filha de um almirante, Genesis está decidida a construir uma reputação própria, e os roteiristas lhe deram uma falha interessante para interpretar: a cadete mais brilhante da turma acaba descobrindo que adulterou suas próprias cartas de recomendação e é pega tentando apagá-las justamente quando a capitã Nahla Ake, vivida por Holly Hunter, está prestes a recomendá-la para a trilha de Pré-Comando. Shepard explicou que preferiu começar do zero. “Eu estava interpretando uma espécie totalmente nova, nunca vista antes, então quis começar criando a personagem e o mundo dela; só depois fui entrando aos poucos no universo de Star Trek como um todo”, disse ao TrekMovie. A franquia também tem um significado pessoal para ela: seus avós assistiam à série original dos anos 1960.

A série estreou na Paramount+ em 15 de janeiro de 2026, com Paul Giamatti como vilão e Robert Picardo de volta no papel do Doutor, e acabou envolvida em uma briga que não foi ela quem provocou. A recepção da crítica foi amplamente positiva, com 85% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas as notas do público no site e no IMDb foram alvo de campanhas de avaliações negativas em poucos dias, em meio a uma onda de ataques online que rotulavam a série de “woke”. Em 23 de março de 2026, depois que os dez primeiros episódios concluíram sua exibição semanal, CBS e Paramount anunciaram que a segunda temporada, já filmada, seria a última.

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Entre uma franquia e outra, Shepard também interpretou Shelby na comédia natalina da Netflix The Merry Gentlemen, ao lado de Britt Robertson e Chad Michael Murray — um lembrete de que seu repertório não se limita à televisão de gênero. Mas será Genesis quem definirá a próxima etapa. Shepard contou que o segundo ano das cadetes é “mais louco que o primeiro” e que Genesis “passa por uma jornada muito bonita na segunda temporada”.

Essa jornada chega à Paramount+ em março de 2027, quando estreia a temporada final de Star Trek: Starfleet Academy, que terá Bill Nighy e Rosemarie DeWitt entre os convidados. Nenhum projeto posterior foi anunciado. Para uma atriz que já construiu duas personagens dentro de histórias com prazo para acabar, o que ela escolher fazer quando Genesis deixar a academia dirá mais sobre ela do que qualquer uma das franquias teve tempo de revelar.

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