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Brad Pitt, o ator que Hollywood confundiu com uma fotografia por trinta anos

Penelope H. Fritz
Brad Pitt
Brad Pitt
Nascimento18 de dezembro de 1963
Shawnee, Oklahoma, USA
OcupaçãoAtor e produtor de cinema
Conhecido porClube da Luta, Seven – Os Sete Crimes Capitais, Bastardos Inglórios
Prêmios3 Oscar · Globo de Ouro · British Academy Film

Existe uma versão de Brad Pitt que pertence inteiramente ao universo dos tabloides: o homem das capas com Angelina Jolie, o marido que foi embora, o pai no centro de uma batalha de custódia, o rosto que vende revistas sem que ninguém discuta uma atuação. Essa versão é real. Também é a menos interessante.

William Bradley Pitt nasceu em dezembro de 1963 em Shawnee, Oklahoma, e cresceu em Springfield, Missouri, numa família conservadora onde chamar atenção para si mesmo não era um valor. Estudou jornalismo na Universidade do Missouri, abandonou o curso dois créditos antes de se formar e foi de carro para Los Angeles. O que veio depois foram anos de papéis menores na televisão, até que seis minutos em Thelma & Louise (1991) o transformaram em estrela de cinema. A indústria havia decidido o que ele era. A indústria tinha apenas parte da razão.

O que aconteceu paralelamente ao rótulo de sex symbol foi um esforço sustentado — muitas vezes subestimado — para ser levado a sério. Seven (1995) o colocou ao lado de Morgan Freeman no thriller de David Fincher. 12 Macacos (1995), de Terry Gilliam, deu a ele um papel sem nenhuma relação com sua aparência — o excêntrico Jeffrey Goines — que lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. A Academia estava prestando atenção, mesmo quando a imprensa de celebridades não estava.

Brad Pitt em Clube da Luta
Brad Pitt em Clube da Luta (1999)

Clube da Luta chegou em 1999 como uma provocação. Fincher de novo, o romance de Chuck Palahniuk, e Pitt como Tyler Durden: o alter ego, o agente do caos, a filosofia da destruição em forma humana. O filme dividiu a crítica na estreia e hoje é canônico. A atuação de Pitt era o que o filme dependia: Tyler Durden precisava ser sedutor da mesma forma como as más ideias são sedutoras — brevemente coerente, irresistível na superfície, e profundamente vazio nas implicações.

O que a narrativa tabloide de Brad Pitt apaga sistematicamente é que, enquanto sua vida amorosa era dissecada nas revistas, ele estava construindo uma das operações de produção mais sérias de Hollywood. Plan B Entertainment, empresa que cofundou, ficou por trás de 12 Anos de Escravidão (2013) e A Grande Aposta (2015): dois Oscars de melhor filme em anos consecutivos. Não é coincidência. São escolhas editoriais e financeiras sobre quais histórias merecem existir.

Brad Pitt em Moneyball: O Jogo dos Números
Brad Pitt em Moneyball: O Jogo dos Números (2011)

Como ator, a década de 2008 a 2019 foi a mais sustentada e premiada. O Curioso Caso de Benjamin Button exigiu que ele habitasse o mesmo personagem em momentos radicalmente diferentes de uma vida ao contrário — sem vaidade. Moneyball: O Jogo dos Números deu a ele Billy Beane — o gerente geral dos Oakland Athletics que revolucionou as estatísticas do beisebol — e permanece, para muitos, sua atuação mais calibrada. Duas indicações ao Oscar de melhor ator nesse período.

Bastardos Inglórios (2009) com Tarantino foi a prova de seu alcance: exagerado, cômico, imponente. Era Uma Vez em… Hollywood (2019) lhe deu Cliff Booth e o Oscar de melhor ator coadjuvante — sua primeira estatueta como intérprete, depois de mais de trinta anos na indústria.

Brad Pitt em Era Uma Vez em Hollywood
Brad Pitt em Era Uma Vez em… Hollywood (2019)

A nota crítica honesta é esta: durante boa parte de seus melhores anos, a imprensa preferiu escrever sobre seus casamentos do que sobre seus filmes. Em 2006, o mesmo ano em que Pitt entregou uma das melhores atuações em conjunto da década em Babel, de Iñárritu, o ciclo midiático estava quase inteiramente ocupado por seu relacionamento com Jolie. Não é culpa dele. Mas é uma distorção. O cineasta e o objeto tabloide coexistem em universos paralelos que raramente se cruzam.

Em 2024, Wolfs o reuniu a George Clooney na comédia criminal de Jon Watts no Apple TV+, que se tornou o filme mais assistido da história da plataforma. No ano seguinte, F1 — no qual interpretou Sonny Hayes, um piloto veterano convocado de volta à Fórmula 1 — arrecadou 634 milhões de dólares no mundo todo. Ele tinha sessenta e um anos.

Em 2026, três projetos chegam: Heart of the Beast com David Ayer (setembro), As Aventuras de Cliff Booth com Tarantino e Fincher (IMAX, novembro) e The Rider com Edward Berger para a A24. O homem que os tabloides nunca pararam de fotografar é também, aos sessenta e dois anos, o ator mais ativo de sua própria geração.

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