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Angelina Jolie: a cineasta que o espetáculo tentou apagar

Penelope H. Fritz
Angelina Jolie
Angelina Jolie
Photo: Harald Krichel / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento4 de junho de 1975
Los Angeles, California
OcupaçãoAtriz e cineasta
Conhecido porO Panda do Kung Fu, Malévola, Malévola: Dona do Mal
Prêmios2 Oscar · 2 Globo de Ouro · Tony

O que revela a atuação de Angelina Jolie em Maria é a escala que ela escolheu. Pablo Larraín a coloca na última semana de vida de Maria Callas em um apartamento parisiense, e Jolie constrói tudo de dentro para fora, sem a fisicalidade que definiu seus anos de blockbuster. Não é a atriz de ação. É algo mais preciso.

Nasceu em Los Angeles em 1975. Os pais se separaram quando ela era pequena, e ela cresceu com a mãe, Marcheline Bertrand, entre Nova York e Los Angeles, enquanto o pai, Jon Voight — vencedor do Oscar — permaneceu ausente durante boa parte de sua infância. Décadas depois ela retiraria o sobrenome paterno do próprio. O Lee Strasberg Theatre Institute deu a ela não tanto disciplina quanto uma linguagem para o que ela já carregava.

Girl, Interrupted (1999) foi seu primeiro anúncio em termos próprios. Após trabalhos televisivos em Gia e George Wallace — dois Globos de Ouro — o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante chegou a seguir. A partir de então, os estúdios presumiram que ela traria uma qualidade de perigo a qualquer papel. Essa reputação abriu portas e, em determinado momento, fechou outras.

Lara Croft: Tomb Raider (2001) a fez a heroína de ação de sua geração. Mr. & Mrs. Smith (2005) gerou um romance real com Brad Pitt que passou a ocupar mais espaço no imaginário coletivo do que qualquer filme. Maléfica (2014) arrecadou mais de 758 milhões de dólares no mundo. Esse período foi real e massivo.

Em paralelo seguia o trabalho que a conversa pública ignorou quase sistematicamente. A Troca (2008), o filme de Clint Eastwood, rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Em terra de sangue e mel (2011), rodado no idioma local durante o cerco de Sarajevo, foi seu debut como diretora. First They Killed My Father (2017), em khmer, recebeu indicação ao BAFTA de Melhor Filme em Língua Estrangeira e passou quase sem atenção. Nos mesmos anos ela realizava missões de campo com o ACNUR e se submetia publicamente a uma dupla mastectomia preventiva após diagnóstico do gene BRCA1.

O divórcio foi protocolado em setembro de 2016. O processo jurídico se estendeu até 2025. Nesse intervalo ela dirigiu Without Blood, drama de guerra baseado no romance de Alessandro Baricco, e entrou no ciclo de Larraín — que já havia trabalhado com Natalie Portman em Jackie e Kristen Stewart em Spencer. A indicação ao Globo de Ouro por Maria confirmou que a segunda fase foi real e deliberada.

Tem seis filhos — Maddox, Zahara e Pax, adotados no Camboja, na Etiópia e no Vietnã respectivamente, e Shiloh, Knox e Vivienne, nascidos com Pitt. A disputa pela guarda foi pública de formas que ela não teria escolhido. O que restou foi um eixo profissional mais estável.

Coutures, de Alice Winocour, estreou em fevereiro de 2026. Sunny, thriller de ação da diretora norueguesa Eva Sørhaug, está em produção. The Initiative, com Doug Liman, está confirmado para 2027. Ela coleciona diretores, não papéis — o que é uma declaração diferente sobre para o que serve a segunda fase.

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