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David Jonsson: de dar alma a um androide a herdar o manto do Pantera Negra

Penelope H. Fritz
David Jonsson
David Jonsson
Photo: Gage Skidmore / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento4 de setembro de 1993
Custom House, London, England
OcupaçãoAtor
Conhecido porAlien: Romulus, A Longa Marcha: Caminhe ou Morra, Rye Lane: Um Amor Inesperado
PrêmiosBAFTA · Black British Theatre · Independent Spirit

O papel de Andy em Alien: Romulus não veio com manual de instruções. Um androide não é exatamente humano nem exatamente máquina — não tem experiência vivida para recorrer, nenhuma herança inconsciente de gestos e ritmos, nenhuma sombra do que amou e perdeu. David Jonsson teve que construir um do zero, e a pergunta à qual ele voltava não era “como um sintético se comporta”, mas “o que um sintético deseja”. Essa inversão, em retrospecto, foi o que tornou a performance impossível de ignorar.

Jonsson cresceu em Custom House, na região do East London onde os Docklands dão lugar a ruas comuns de casas geminadas. O pai era engenheiro de TI no Aeroporto de Heathrow; a mãe trabalhava na Polícia Metropolitana. Sobre sua herança — crioulo serra-leonês, nigeriano e sueco — ele já falou como uma camada que carrega para cada sala em que entra, atento a como está sendo lido. Foi para Nova York por dois anos depois do GCSE, voltou para entrar no National Youth Theatre, depois se formou na Royal Academy of Dramatic Art, em 2016, com uma convicção sobre performance e quase nenhum plano para o que viria depois.

O palco veio primeiro. Sua estreia no West End foi em Mary Stuart, no Almeida, dirigida por Robert Icke — uma produção exigente que exigia uma imobilidade que a câmera raramente recompensa. Don Juan in Soho veio em seguida, e depois and breathe…, uma peça sobre a comunidade negra na Grã-Bretanha que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Black British Theatre Award. O trabalho no teatro foi onde ele aprendeu o princípio que depois aplicou a Andy: a performance não é sobre mostrar a emoção; é sobre contê-la.

A série de TV Industry, que estreou na BBC Two e na HBO em 2020, deu a Jonsson seu primeiro papel sustentado na tela — Augustus “Gus” Sackey, um operador financeiro que navega por um banco de investimento londrino com a atenção particular de quem sabe que sua presença ali é condicional. A atuação era deliberada e controlada, funcionando numa frequência que recompensa a atenção em vez de exigi-la. Confirmou que o que ele faz no palco se traduz para a tela sem perder densidade.

Rye Lane, a comédia romântica de Raine Allen-Miller ambientada em um único dia no Sul de Londres, foi um registro diferente: charmosa, rápida, emocionalmente exposta. Jonsson interpretou Dom — recentemente com o coração partido, desarmado pela situação — e o filme lhe rendeu uma indicação ao British Independent Film Award de Melhor Atuação Conjunta ao lado de Vivian Oparah. Estabeleceu que ele conseguia sustentar um filme tanto com calor humano quanto com precisão. Depois veio Alien: Romulus, e a franquia que mudaria tudo.

O que o diretor Fede Álvarez queria de Andy era uma ruptura deliberada com a tradição que a franquia havia construído em torno de seus personagens sintéticos — não uma ferramenta, não uma ameaça, mas uma entidade em genuíno sofrimento moral. O risco era o sentimentalismo. O que Jonsson entregou foi algo mais perturbador: um androide tentando tanto ser humano que seu cuidado pelas pessoas ao redor se torna sua própria espécie de tragédia. Alguns críticos argumentaram que a performance desequilibrou o filme, desviando o foco da mecânica de terror e sobrevivência na qual a série se sustenta. O contra-argumento é que Andy é o único personagem em Alien: Romulus que está totalmente presente — que, por não ter nenhum interesse biológico na sobrevivência, é o único que escolhe agir. Jonsson não contestou a crítica. Ele simplesmente apontou para o próximo projeto.

O prêmio EE BAFTA Rising Star, votado pelo público e não por entidades da indústria, foi para Jonsson em fevereiro de 2025 — à frente de Marisa Abela, Jharrel Jerome, Mikey Madison e Nabhaan Rizwan. É um prêmio que historicamente marca o momento exato em que um talento passa de “conhecido pelo público de cinema” para “conhecido”. No mesmo ano, ele apareceu na adaptação de Francis Lawrence para A Longa Marcha, de Stephen King, como Peter McVries, e em Wasteman, que também coproduziu executivamente — um sinal de onde suas ambições estão quando as câmeras não estão rodando.

O anúncio na San Diego Comic-Con em julho de 2026 de que Jonsson interpretará T’Challa II — o filho já crescido do rei de Chadwick Boseman — em Pantera Negra 3, de Ryan Coogler, chegou com um peso que não pode ser administrado apenas pelo talento. Boseman morreu em 2020; sua ausência agora é parte da arquitetura da franquia, não uma lacuna a ser preenchida, mas uma gravidade a ser navegada. Jonsson também tem Benn/Eubank pela frente, interpretando Chris Eubank em uma das rivalidades definidoras do boxe britânico, e Scandalous!, no qual vive Sammy Davis Jr. ao lado de Sydney Sweeney como Kim Novak. Cada projeto exige habitar uma pessoa real — o que é uma pressão diferente de inventar uma.

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Pantera Negra 3 estreia em dezembro de 2028. O que Jonsson construir antes disso — e como ele lidará com o peso depois — será o argumento que sua carreira vem construindo desde que um humano sintético entrou numa franquia de terror e perguntou o que significa querer sobreviver.

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