Atores

Emma Myers sai de Wandinha para resolver o caso sozinha

Penelope H. Fritz
Emma Myers
Emma Myers
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento2 de abril de 2002
Orlando, Florida, U.S.
OcupaçãoAtriz
Conhecido porTorturada Pelo Próprio Pai, Um Filme Minecraft, Trocados
PrêmiosKids' Choice Award (Favorite Butt-Kicker, 2025)

Aos vinte e quatro anos ela carrega a melhor amiga loba de Wandinha e a próxima protagonista do thriller adolescente da Netflix, ambas no mesmo ano e na mesma plataforma. Daqui a seis dias estreia a segunda temporada de A Good Girl’s Guide to Murder, e é essa estreia que vai dizer se o segundo papel é o que vai ficar.

A adolescente que se candidatou ao papel de Wandinha Addams ganhou o quarto ao lado. A escolha tinha lógica: Enid Sinclair, com seu guarda-roupa em código de cores e sua simpatia sem pose, era o oposto estrutural de que a protagonista precisava e um lugar em que uma jovem atriz confiável podia se fixar por anos. Três temporadas depois, Emma Myers é a única egressa de Nevermore que a Netflix chamou de volta para liderar outra série, e esse segundo trabalho já chega com o nome dela no alto dos créditos.

Veio de Orlando, segunda de quatro irmãs em uma casa em que os dois pais eram advogados. A família educou as filhas em uma cooperativa de homeschooling; Myers já contou que a comunidade que uma escola normalmente fornece ela teve de montar em estúdios de dança e no teatro local. A dança veio primeiro. A interpretação apareceu aos cinco anos, observando uma irmã mais velha em testes de elenco e anunciando, com a seriedade inapelável de uma criança que acabou de decidir, que também conseguiria fazer aquilo. O primeiro trabalho remunerado veio aos oito: um episódio de The Glades e uma participação em Letters to God, ambos rodados perto de casa.

Pela adolescência os créditos foram se somando sem virar carreira: o thriller da Lifetime Girl in the Basement, um curta, uma comédia romântica da ABC que fechou após uma temporada, um filme natalino de TV, um terror que nunca saiu. O tipo de papel que uma atriz jovem trabalhando vai cumprindo enquanto espera o teste que decide o resto.

Esse teste chegou em 2021, quando ela gravou para o papel-título da releitura dos Addams que Tim Burton preparava. O casting acabou se decidindo entre Jenna Ortega e mais alguns nomes; Myers foi redirecionada para Enid Sinclair, a loba que divide quarto com a protagonista e oferece o calor que Wandinha se recusa a produzir. A série estreou na Netflix em novembro e pulverizou o recorde de horas vistas em inglês da plataforma. A conversa que veio depois apresentou Myers ao público melhor do que se apresenta a maioria dos protagonistas. Enid virou o personagem que os espectadores indicavam um ao outro como motivo para continuar quando a escuridão de Wandinha virava castigo prolongado.

Naquela acolhida havia uma armadilha. O papel mais provável de lançar a carreira de uma jovem atriz também é o mais provável de fixá-la: a melhor amiga radiante de um fenômeno viral vira quantidade fixa, difícil de recolocar como protagonista. Departamentos de elenco leem química, não a atriz. O que Myers fez desde então sugere que a equipe ao redor dela viu a armadilha e se moveu de propósito contra. Nos doze meses seguintes ao lançamento de Wandinha, ela abriu cartaz com Jennifer Garner em Family Switch, uma comédia de troca de corpos da Netflix que a posicionou ao lado de uma estrela de Hollywood fora da órbita Addams; na mesma temporada aceitou um papel pequeno em Southern Gospel, um drama do circuito cristão que servia de contraprogramação tonal. Nenhum dos dois construiria carreira sozinho. Juntos provaram que a carreira não tinha forma de Enid.

A prova de verdade veio com A Good Girl’s Guide to Murder. A série britânica, adaptada por Poppy Cogan a partir do romance de Holly Jackson, foi ao ar primeiro na BBC Three em 2024 antes de a Netflix distribuí-la globalmente. Myers vive Pippa Fitz-Amobi, uma aluna do último ano de ensino médio que reabre um caso de assassinato-suicídio arquivado na cidade pequena que preferia ter esquecido. Pip é o motor de cada cena. O papel exigiu carregar uma série de seis horas: ser consciência, suspeita e desconforto de um espectador conduzido por provas insuficientes. A renovação veio em poucos meses. Jackson, que assinou os romances, voltou para coescrever a segunda temporada. Nada disso acontece se a atriz protagonista não estiver fazendo o trabalho.

Os meses entre temporadas afinaram a aposta. Um Filme Minecraft a colocou ao lado de Jack Black e Jason Momoa numa adaptação de videogame com campanha global de lançamento — seu primeiro longa de grande estúdio com o nome na faixa de cima do cartaz — e rendeu um Kids’ Choice Award. Star Wars: Visions somou trabalho de voz na antologia animada da Lucasfilm. A segunda temporada de Wandinha, lançada em 2025, deu a Enid a promoção que as roteiristas vinham segurando: no encerramento ela se torna loba Alfa permanente, empurrada para a posição de força que a série mantinha apenas implícita. O arco fora de cena se encaixou ao de dentro com precisão incomum.

O que é público sobre a vida privada de Myers é o que ela mesma confirmou. Vive com discrição, fala das irmãs com frequência nas entrevistas e aparece em eventos como quem preferia estar lendo um romance de Holly Jackson em vez de pisar tapete vermelho. Disse, mais de uma vez, que o homeschooling não a preparou para a conversa miúda das estreias. Não há namoro público. A versão de Myers lendo o cômodo em que está continua sendo o que há de mais interessante em qualquer entrevista dela.

Os próximos dezoito meses vão decidir o formato da próxima década. A terceira temporada de Wandinha é gravada na Irlanda e em Paris, com uma volta a Nevermore que as roteiristas já anunciaram como um deslocamento de Enid para o centro do quadro. A Good Girl’s Guide to Murder volta em 27 de maio com o segundo romance de Holly Jackson adaptado em seis episódios. Angry Birds 3: O Filme chega em dezembro com Myers em um papel principal de voz. A Forbes a colocou na lista 30 Under 30 de Hollywood de 2026, o tipo de sinal de consenso que o setor publica quando já decidiu. A demonstração que falta a Myers fazer no resto do ano é se ela é mesmo a protagonista que o setor agora está dizendo que ela é.

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