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Ken Watanabe, o ator que o Japão nunca quis deixar em Hollywood

Penelope H. Fritz
Ken Watanabe
Ken Watanabe
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento21 de outubro de 1959
Koide, Niigata Prefecture, Japan
OcupaçãoAtor
Conhecido porA Origem, Batman – O Início, O Último Samurai
PrêmiosOscar · Tony · 2 Japan Academy Film Prize, Best Actor · Japan Academy Film Prize nomination, Best Supporting Actor

Sempre que Hollywood precisou que o Japão tivesse uma face reconhecível, ligou para Ken Watanabe. E Watanabe chegava, interpretava o papel com a precisão de quem foi educado para a exatidão, e voltava para o Japão, onde esperava o trabalho que realmente lhe importava. Duas carreiras correndo em paralelo por mais de duas décadas. O mesmo ator. Nem sempre os mesmos propósitos.

Nasceu em 21 de outubro de 1959 em Koide, cidade serrana da prefeitura de Niigata, filho de dois professores — um deles ensinava caligrafia —, em um lar onde a precisão não era virtude decorativa, mas disciplina diária. Mudou-se para Tóquio após o ensino médio, não para buscar a fama, mas para se formar: na companhia de teatro Engeki-Shudan En, sob a direção de Yukio Ninagawa, um dos encenadores mais rigorosos que o Japão produziu no século XX. A televisão veio em 1982; o cinema, em 1984. Em 1987 já carregava o taiga drama de cinquenta episódios da NHK Dokuganryu Masamune, interpretando o senhor de guerra Date Masamune — o dragão de um olho só do norte.

Então a carreira parou. Em 1989, durante as filmagens da produção de Haruki Kadokawa O Céu e a Terra, Watanabe foi diagnosticado com leucemia mieloide aguda. Continuou trabalhando durante a quimioterapia. Teve uma recidiva em 1991. Uma transfusão de sangue recebida durante o tratamento transmitiu-lhe hepatite C, condição revelada em sua autobiografia de 2006. Ele se recuperou. Voltou. A precisão não o abandonou.

Ken Watanabe
Ken Watanabe

O restante do mundo o conheceu em 2003, como Lorde Katsumoto em O Último Samurai — o comandante cujo código de honra o filme argumenta sobreviver ao homem que o carrega. A Academia o indicou para Melhor Ator Coadjuvante. Christopher Nolan o escolheu para Batman Begins (2005) e depois para A Origem (2010), onde seu personagem Saito é uma das poucas figuras do filme que parece verdadeiramente à vontade operando em múltiplos mundos. Foi o Presidente em Memórias de uma Gueixa (2005). Foi o general Tadamichi Kuribayashi em Cartas de Iwo Jima (2006), o filme em japonês de Clint Eastwood. Interpretou o Dr. Serizawa em dois filmes de Godzilla.

O que esse currículo não captura é a carreira que corria em paralelo. Em 2006, Watanabe ganhou o Prêmio da Academia Japonesa de Cinema de Melhor Ator por Memories of Tomorrow, interpretando um homem que se perde no Alzheimer. Em 2020, interpretou Masao Yoshida — o verdadeiro superintendente da usina nuclear de Fukushima Daiichi que desafiou ordens do governo durante o desastre de 2011 — em Fukushima 50. Esses filmes foram feitos na língua do país onde os eventos aconteceram, para o público que os viveu.

A única ocasião em que as duas carreiras dividiram o mesmo endereço foi na Broadway. Em 2015, estreou no Lincoln Center Theater na remontagem de O Rei e Eu, tornando-se o primeiro ator japonês indicado ao Tony Award de Melhor Ator em Musical. A peça continuou em 2016. Naquele ano, durante uma pausa nas apresentações, foi diagnosticado com câncer de estômago. Cirurgia. Volta ao palco. Terminou a temporada.

A série do Max Tokyo Vice (2022–2024) o escalou como o detetive Hiroto Katagiri, com crédito de produtor. Cancelada após duas temporadas. O que demonstrou durante sua exibição foi que a autoridade de Watanabe na tela vem, em parte, da história por trás do rosto: um ator que representou o Japão para o público ocidental tempo suficiente para ter opiniões complexas sobre o que isso requer.

Então chegou KOKUHO. Dirigido por Sang-il Lee e lançado em 2025, o filme traz Watanabe como Hanai Hanjiro, um reverenciado mestre de kabuki cuja influência sobre o protagonista reside tanto no que retém quanto no que ensina. KOKUHO tornou-se o filme live-action japonês de maior bilheteria da história — US$ 128 milhões no mercado doméstico — e varreu o 49.º Prêmio da Academia Japonesa de Cinema com dez prêmios, incluindo Melhor Filme. Watanabe recebeu uma indicação de Melhor Ator Coadjuvante. No mesmo ano, apareceu na 3.ª temporada de Alice in Borderland (Netflix, setembro de 2025).

Dois filmes previstos para 2026: Samurai Vengeance e Hara o Kukutte. Foi nomeado embaixador da Netflix para a cobertura do Clássico Mundial de Beisebol 2026. Três cânceres. Três retornos. Seja lá o que Hollywood chame quando precisa do Japão encarnado em um único ator, ainda tem o número de Watanabe — mas o Japão também tem, e liga com mais frequência.

O ator Ken Watanabe fala sobre a nova série noir ‘Tokyo Vice’

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