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Michael Fassbender trocou Hollywood pela pista de corrida e voltou melhor que nunca

Penelope H. Fritz
Michael Fassbender
Michael Fassbender
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento2 de abril de 1977
Heidelberg, Germany
OcupaçãoAtor
Conhecido porBastardos Inglórios, 12 Anos de Escravidão, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido
PrêmiosVolpi Cup · 2 Oscar · BAFTA · 3 Globo de Ouro

Michael Fassbender tinha duas indicações ao Oscar, uma reputação sólida e um dos perfis mais originais do cinema contemporâneo quando decidiu parar de aparecer em filmes. Não foi escândalo nem crise. Foi uma escolha.

Nasceu em 2 de abril de 1977, em Heidelberg, na Alemanha, filho de um cozinheiro alemão e de uma mãe irlandesa originária da Irlanda do Norte. A família se mudou para Killarney, no condado de Kerry, quando ele tinha dois anos. Seus pais administravam um restaurante; aos dezesseis anos entrou no teatro amador por acaso, aos dezenove deixou a Irlanda para estudar no Drama Centre de Londres e começou uma das primeiras carreiras mais irregulares e, por isso mesmo, mais fascinantes do cinema britânico contemporâneo.

O filme que mudou tudo foi Hunger (2008), do diretor Steve McQueen. Fassbender perdeu muito peso para interpretar o republicano irlandês Bobby Sands nas últimas semanas de sua greve de fome. O que impressionou a crítica não foi apenas o sacrifício físico — já visto em outros atores — mas a precisão com que habitou um homem em processo de morrer deliberadamente. O filme ganhou a Câmera de Ouro em Cannes. Fassbender virou, de uma hora para outra, um dos atores mais importantes da cena internacional.

A década seguinte consolidou essa reputação. Ele foi o jovem Magneto em X-Men: Primeira Classe (2011), papel que jogou com mais inteligência do que a franquia normalmente exigia. No mesmo ano, Shame de McQueen rendeu a ele a Copa Volpi de melhor ator em Veneza, por uma atuação visceral sobre dependência sexual. Depois vieram 12 Anos de Escravidão (2013) — indicação ao Oscar de coadjuvante pelo papel do sádico Edwin Epps — e Steve Jobs (2015), de Danny Boyle, que trouxe outra indicação, desta vez ao Oscar de ator principal.

Entre 2016 e 2019 chegaram os projetos grandiosos com resultados decepcionantes: Assassin’s Creed, Alien: Covenant, X-Men: Dark Phoenix. Não foi Fassbender que falhou em nenhum deles — foram os filmes ao redor dele. Um ator que funciona melhor quando o diretor tem algo preciso a pedir estava sendo usado apenas como presença. O contraste com os anos McQueen e Boyle era evidente.

O que veio depois é incomum em qualquer trajetória de Hollywood: Fassbender foi correr carros. Desde 2017 participava do Ferrari Challenge; depois passou para a Porsche e para a European Le Mans Series, onde competiu entre 2020 e 2023 com a equipe Proton Competition. Conquistou três pódios. Quatro anos sem filmes, morando em Lisboa com sua esposa, a atriz sueca Alicia Vikander, e os dois filhos do casal.

Michael Fassbender
Michael Fassbender. Photo: Tabercil from Canadian / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (source)

O retorno chegou com The Killer (2023), de David Fincher — um thriller da Netflix sobre um assassino profissional cuja lógica interna começa a rachar. Fassbender sustentou quase sozinho o filme, majoritariamente narrado em monólogo interior, com uma disciplina que lembrou seus melhores trabalhos. Em 2025, Black Bag de Steven Soderbergh o colocou ao lado de Cate Blanchett num espionagem elegante que conquistou 96% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes.

Em maio de 2026, Hope — o thriller de ficção científica do sul-coreano Na Hong-jin — estreou em competição no Festival de Cannes com sete minutos de ovação. Fassbender e Vikander dividiram as telas pela primeira vez desde 2016. A série Kennedy da Netflix, onde interpreta Joe Kennedy Sr. sob a direção parcial de Thomas Vinterberg, está em produção em Londres.

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A trajetória de Fassbender levanta uma pergunta simples que poucos atores de sua geração responderam com atos: o que acontece quando se escolhe o trabalho em vez da fama? A resposta, aos 49 anos, parece ser que o trabalho fica melhor.

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