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Leandro Hassum, o comediante que se reencontrou além do próprio personagem

Penelope H. Fritz
Leandro Hassum
Leandro Hassum
Photo: Multishow / CC BY 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento26 de setembro de 1973
Ilha do Governador, Rio de Janeiro, Brazil
OcupaçãoAtor, comediante, roteirista e produtor
Conhecido porJust Another Christmas, Se Eu Fosse Você, Até que a Sorte nos Separe
PrêmiosPrêmio Quem Best Film Actor (2012) · Melhores do Ano Best Comedian (2010, 2013, 2014) · Meus Prêmios Nick Best Humorist (2011) · Brazilian International Press

O que há de mais desorientador na transição de carreira de Leandro Hassum não é que ele mudou — comediantes mudam — é que ele perdeu o dispositivo. A comédia física é um contrato específico com o público: o corpo é a piada, o comediante é ao mesmo tempo o autor e o mecanismo de entrega. Quando Hassum fez a cirurgia bariátrica e perdeu mais de 65 quilos, ele anulou metade desse contrato. Continuava com o timing — o timing sempre foi o que realmente importava — mas o tipo tinha desaparecido. Ele precisou começar a convencer as pessoas de que era um ator.

Ele não começou como ator, mas como um garoto da Ilha do Governador, esculpida numa baía do Rio de Janeiro, que descobriu aos dezesseis anos que fazer uma plateia rir era a única coisa que queria fazer. Estudou no Teatro O Tablado, ganhou prêmios em festivais regionais de teatro e passou o início dos vinte anos construindo um circuito de stand-up por cidades brasileiras numa época em que o stand-up brasileiro mal existia como formato organizado. O material que desenvolvia não era abstrato — passava pela própria vida, pelo próprio tamanho, pela física específica de ser Leandro Hassum numa sala cheia de pessoas que precisavam acreditar que ele estava dentro da piada antes de poderem rir.

O grande momento veio através do Zorra Total, da TV Globo, o programa de esquetes satíricos de longa duração onde ele e Marcius Melhem criaram Jorginho e Pedrão, uma dupla que se tornou uma das parcerias mais reconhecíveis da televisão brasileira ao longo dos anos 2000. O spin-off Os Caras de Pau confirmou que Hassum não era apenas alguém que se encaixava num esquete. Quando ele fez seu primeiro filme de verdade, o público já estava esperando.

Até que a Sorte nos Separe chegou em 2012 e estabeleceu o recorde de melhor estreia de filme brasileiro daquele ano, levando 320 mil pessoas no primeiro fim de semana. Era amplo, alegre e totalmente despreocupado com sutileza — e funcionou justamente porque Hassum entendia seu papel como o veículo para uma comédia que não pedia desculpas pelo que era. Duas sequências vieram depois. A franquia se tornou um marco do cinema popular brasileiro quando parou de fingir que queria Cannes.

Algo mais silencioso também estava se acumulando. Desde 2010, toda criança brasileira que assistiu à franquia Meu Malvado Favorito ouviu a voz de Hassum saindo do Gru — um personagem cuja cordialidade, incompetência e eventual ternura Hassum interpretou em quatro filmes até 2024. Quatorze anos interpretando o mesmo personagem amado não é o tipo de crédito que aparece num reel de festival, mas o conectou a uma geração inteira de lares brasileiros de uma forma que nenhum número de bilheteria captura.

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A pergunta crítica honesta diz respeito ao que aconteceu entre 2014 e 2020. Depois da cirurgia, Hassum continuou trabalhando — O Candidato Honesto, Dona Flor e Seus Dois Maridos, televisão — mas sua presença no cinema se contraiu, em vez de se expandir. As comédias escancaradas que o haviam feito exigiam que o público o aceitasse como o mesmo intérprete num corpo fundamentalmente diferente, e nem o cinema brasileiro nem o próprio Hassum navegaram essa recalibração de forma limpa. Ele já não era fisicamente legível como o mesmo personagem, mas o novo personagem ainda não havia chegado completamente. A Cara do Pai, o drama televisivo de 2017, foi o primeiro indício sustentado de que ele conseguia ocupar tempo de tela através de algo além da energia física. Passou relativamente despercebido.

O ajuste eventualmente encontrou seu pé. Em 2025, Família, Pero No Mucho — lançado na Netflix internacionalmente como Almost Family — alcançou um público verdadeiramente novo. Dirigido por Felipe Joffily, acompanha um pai brasileiro lidando com o namorado argentino de sua filha durante um feriado de neve em Bariloche, e foi o primeiro longa de Hassum a encontrar distribuição fora das plataformas domésticas do Brasil. Modesto, eficaz e mais caloroso que seus trabalhos iniciais, estabeleceu um registro diferente: um comediante que aprendeu a interpretar uma pessoa, não um tipo.

Voltei na Foto, que estreia no Telecine Premium em 8 de agosto de 2026, é o projeto onde as apostas parecem mais altas. Hassum coescreveu o filme com Maurício Rizzo e Bíbi Da Pieve, e interpreta Leonardo — um homem na casa dos cinquenta que é transportado de volta a 1986, onde encontra seu eu mais jovem e seu pai vivo. Com Tony Ramos no elenco, dirigido por Matheus Malafaia, o filme abre um dia antes do Dia dos Pais no Brasil. Um comediante que escreveu um filme de viagem no tempo sobre um filho que quer uma nova chance com o pai não está sendo sutil sobre o que está examinando. Se a estreia em agosto finalmente lhe dará o papel que ele vem construindo na última década — essa é a pergunta ainda em aberto.

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