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Michael Jordan, vinte e três anos longe da quadra e ainda ocupado em construir coisas que precisam vencer

Penelope H. Fritz
Michael Jordan
Michael Jordan
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento17 de fevereiro de 1963
Brooklyn, New York, United States
OcupaçãoEx-jogador profissional de basquete
Conhecido porPantera Negra, Creed: Nascido para Lutar, Como Mágica
PrêmiosNBA Champion (1991, 1992, 1993, 1996, 1997, 1998) · NBA Most Valuable Player (1988, 1991, 1992, 1996, 1998) · NBA Finals MVP (1991, 1992, 1993, 1996, 1997, 1998) · NBA Defensive Player of the Year (1988) · NBA Rookie of the Year (1985) · NBA scoring champion (10 times · Naismith Memorial Basketball Hall of Fame (2009 individual; 2010 1992 Dream Team) · Olympic Gold Medal (1984 Los Angeles; 1992 Barcelona · NCAA Champion (1982, University of North Carolina) · Presidential Medal of Freedom (2016)

Michael Jordan tem sessenta e três anos, não disputa uma partida competitiva de basquete há mais de duas décadas e acaba de confessar numa entrevista de televisão que a vontade de voltar a jogar é, nas palavras dele, “não um pedacinho, uma parte enorme”. Disse isso a Gayle King com aquele meio sorriso de quem sabe que a resposta já está fechada. Em seguida mudou de assunto e começou a falar de NASCAR. A conversa estava marcada como um “Insights to Greatness” para a volta do basquete à NBC; terminou parecendo o boletim médico de um competidor que desviou a fome, não a apagou.

É o ponto não resolvido do capítulo tardio. O Jordan canonizado — seis anéis, seis MVPs das Finais, dez títulos de cestinha, o arremesso nos últimos segundos contra Utah que fechou o título de 1998 — está selado. O Jordan que trabalha, não. Ele é dono da equipe que lidera hoje a classificação da NASCAR Cup, recebe o que o setor descreve como o maior contrato de analista já assinado por uma emissora americana por umas poucas horas de câmera pré-gravada por ano, e a linha de tênis que leva o nome dele faturou 7,3 bilhões de dólares no ano fiscal 2025 mesmo depois de cair dezesseis por cento. A vitrine fechou em 2003. A competição, não.

Nasceu no Brooklyn e cresceu em Wilmington, Carolina do Norte, quarto de cinco filhos de James, supervisor da General Electric, e de Deloris, caixa de banco que organizava a casa em torno da disciplina e das segundas chances. O menino não entrou no varsity da Laney High no segundo ano — a versão mais precisa é que o colocaram no junior varsity porque o time principal voltava com catorze dos quinze jogadores, mas o desfeito ficou cravado fundo o bastante para ele continuar a citá-lo trinta anos depois. Cresceu dez centímetros naquele verão, entrou no programa de Dean Smith na Universidade da Carolina do Norte em 1981 e, calouro, marcou o arremesso decisivo contra Georgetown na final da NCAA de 1982. O primeiro mito já estava escrito antes dos vinte.

Os Chicago Bulls o escolheram em terceiro no draft de 1984, atrás de Hakeem Olajuwon e Sam Bowie. Em doze meses já era Calouro do Ano; em quatro temporadas, MVP da liga e Melhor Defensor no mesmo ano; em sete, os Bulls começavam o primeiro tricampeonato — 1991, 1992, 1993 — contra os Lakers de Magic Johnson, os Trail Blazers de Clyde Drexler e os Suns de Charles Barkley. No verão de 1993 o pai dele, James, foi assassinado na beira de uma estrada da Carolina do Norte e Jordan deixou o basquete para jogar beisebol de liga menor pelos Birmingham Barons, afiliada dos Chicago White Sox. O retorno por fax em duas palavras — “I’m back” — chegou em março de 1995. O segundo tricampeonato — 1996, 1997, 1998 — veio contra Seattle e duas vezes contra Utah, a segunda fechada com o arremesso por cima de Bryon Russell que hoje é a fotografia que vende a marca.

O parágrafo crítico fica aqui, porque o cânone tem contracânone. Arremesso Final, os dez episódios que Jason Hehir montou com quinhentas horas de material da temporada 1997-98 e lançou na primavera pandêmica de 2020 pela ESPN e pela Netflix, foi feito dando ao próprio Jordan o voto editorial final. O que a série sustenta é inequívoco: a mesma obsessão competitiva que tornou os seis anéis possíveis também tornou difícil conviver com ele. Horace Grant, Will Perdue e Steve Kerr (em quem Jordan deu um soco num treino de 1995) cabem dentro do enquadramento. A própria frase de Jordan — “vencer tem preço, liderar também” — foi ao mesmo tempo defesa do documentário e admissão dele. Depois tem a volta com os Washington Wizards entre 2001 e 2003, capítulo que a série quase pula: o executivo que no ano anterior havia escolhido Kwame Brown no draft se colocou de regata aos trinta e oito anos, fez respeitáveis vinte pontos de média e arremessou abaixo de quarenta e cinco por cento pela primeira e única vez na carreira. O arco são seis anéis e uma coda que ninguém pede para lembrar.

Michael B. Jordan
Michael B. Jordan. Photo: Gage Skidmore from Peoria, AZ, United States of America / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (source)

As décadas seguintes fizeram dele outra espécie de figura pública. Os Hornets — comprados em 2010 por duzentos e setenta e cinco milhões de dólares e vendidos em agosto de 2023 por três bilhões a um grupo liderado por Gabe Plotkin e Rick Schnall — não passaram da primeira rodada de playoffs em treze anos de gestão dele, balanço que destoa do número de saída. Manteve uma participação minoritária. A Jordan Brand dentro da Nike, onde recebe um royalty estimado em cinco por cento, pagou a ele duzentos e setenta e cinco milhões de dólares só em 2025 e o elevou ao topo do ranking Sportico ajustado pela inflação, quatro bilhões e meio de ganhos acumulados — o número mais alto que a revista já calculou para qualquer atleta em qualquer esporte. A Forbes o coloca em 4,3 bilhões. Em particular, é desde abril de 2013 marido da modelo cubano-americana Yvette Prieto, pai das gêmeas Victoria e Ysabel nascidas em fevereiro de 2014, e pai de três filhos adultos — Jeffrey, Marcus, Jasmine — do primeiro casamento com Juanita Vanoy.

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O que o liga de verdade hoje é a equipe de corrida. Fundou a 23XI Racing com o piloto Cup Denny Hamlin em 2020 — o nome é o número antigo dele costurado ao de Hamlin — e Tyler Reddick abriu a temporada 2026 vencendo a Daytona 500, depois Atlanta, depois COTA: o primeiro piloto da era moderna da Cup a levar as três primeiras corridas de uma temporada. Reddick acrescentou Darlington e Kansas, tornando-se o primeiro desde Dale Earnhardt em 1987 a vencer cinco das nove primeiras provas. Bubba Wallace pilota o segundo carro. A equipe lidera a classificação da Cup; Jordan, em entrevista após entrevista, fala do projeto como antes falava do jogo sete. O retorno da NBA pela NBC começou com ele como special contributor, uma entrevista pré-gravada espalhada ao longo do ano. A sequência de Reddick, a conversa com Gayle King, o ranking da Sportico: são as últimas semanas da biografia, e contam todas sobre o mesmo homem que continua a fabricar o que quer fabricar. A próxima corrida é em Talladega. O próximo anel não vai estar no United Center.

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