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Catar – Suíça 1-1: o gol de Khoukhi nos acréscimos que transforma o domínio suíço em alerta

Jack T. Taylor

Boualem Khoukhi tem trinta e cinco anos, é um capitão cujo nome quase ninguém fora do Golfo precisara decorar e, por noventa e três minutos no San Francisco Bay Area Stadium, foi um passageiro no jogo dos outros. Então, no quarto minuto dos acréscimos, ele subiu. Um cruzamento veio da esquerda, a defesa suíça parou para assistir, e Khoukhi cabeceou limpo no ângulo. Uma cabeçada. Um 1-1 que a Suíça não tinha o direito de sofrer. Foi a única coisa que o Catar fez certo a noite inteira, e bastou.

A hora anterior tinha sido uma aula, e quem dava era a Suíça. O time de Murat Yakin passou pelo Catar à vontade, com Granit Xhaka ditando o ritmo lá de trás enquanto Manuel Akanji saía da defesa para iniciar jogada após jogada. Dan Ndoye deveria ter liquidado o duelo antes de ele começar: desperdiçou duas chances claras nos dez minutos iniciais. No apito final, a Suíça acumulava um número de gols esperados acima de dois; o Catar não chegava a meia chance. A diferença entre os dois times não era opinião. Era conta.

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O gol que deveria encerrar o assunto saiu da marca da cal. Mahmoud Abunada, já amarelado por aquele tipo de goleiro afobado que acaba condenando a zaga, saiu mal e atropelou Remo Freuler; depois que o árbitro de vídeo descartou um impedimento na origem do lance, Breel Embolo empurrou o pênalti rasteiro no canto com a calma de quem já dava a noite por sua. Dezessete minutos. O único debate parecia ser o placar final.

O Catar não era de todo inofensivo — Edmilson Junior aproveitou um raro erro de Akanji e obrigou Gregor Kobel à única defesa que o goleiro faria por um bom tempo —, mas esse lampejo só sublinhou o desequilíbrio. O que a Suíça fez com os setenta e três minutos seguintes é o vídeo que Yakin vai rever no voo de volta. Rubén Vargas arrancou de Abunada uma defesa que jamais deveria ter tido a chance de tentar. Embolo, de novo achado por um movimento que o Catar não conseguia acompanhar, mandou a finalização centímetros para fora. Um time que controla tanto um jogo e marca uma só vez não tem azar. É descuidado. E Copa do Mundo não perdoa descuido.

Julen Lopetegui sentiu o perigo antes de o placar avisar. Em sua estreia mundial como treinador — oito anos depois da demissão na véspera de um torneio que o persegue desde então — viu sua equipe presa por uma hora e rasgou o plano. Uma tríplice substituição aos sessenta minutos reorganizou a marcação catari e cortou os passeios suíços pelo meio. Não foi bonito nem constante, mas comprou os únicos minutos que acabaram importando.

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Yakin também buscou pernas novas — Zeki Amdouni no lugar de Vargas, Ardon Jashari para o miolo —, só que suas trocas corriam atrás de um segundo gol que a primeira hora havia merecido e o time havia jogado fora. Quanto mais o 1-0 resistia, mais pesado ficava o ar em volta. A Suíça manteve a bola sem voltar a ameaçar de verdade, e uma partida que parecia resolvida aos vinte minutos virou, em silêncio, a vantagem mais frágil que existe: a que só precisa de um vacilo.

O resto é aquilo que nenhum técnico desenha na lousa. É o mesmo Catar que deixou a própria Copa há três anos com três derrotas em três jogos, o primeiro país-sede eliminado depois de apenas duas rodadas: uma humilhação que os sobreviventes carregam como um crachá. Um time montado sobre essa lembrança tinha toda a desculpa para ruir depois do gol sofrido e sob a chuva de chances. Em vez disso defendeu a própria área como se o resultado fosse questão de brio, e quando Ahmed Alaaeldin levantou o cruzamento no fim, Khoukhi atacou a bola como quem cobra uma dívida antiga.

Foi essa recusa em se entregar que de fato decidiu a noite, e por isso o mesmo ponto se lê de forma tão diferente em cada banco. Para o Catar é um chão para construir: a prova de que a geração de 2022 não é o time que apareceu na América do Norte. Para a Suíça é um alerta escrito de próprio punho. O time de Yakin é claramente bom o bastante para mandar num jogo de Copa do primeiro ao último minuto. Se é implacável o bastante para vencer um é agora a pergunta aberta do Grupo B. E foi o Catar — justamente o Catar, numa noite em que foi superado de ponta a ponta — que obrigou todo mundo a fazê-la.

Copa do Mundo 2026 · San Francisco Bay Area Stadium
BOUALEM KHOUKHI 90'+4'
EMBOLO 17'
Qatar · 4-2-3-14-3-3 · Switzerland
1MAHMOUD ABUNADA
2PEDRO MIGUEL
4ISSA LAYE
5JASSEM GABER
13AYOUB ALOUI
14HOMAM AHMED
16BOUALEM KHOUKHI ★
23A. MADIBO
8EDMILSON JUNIOR
11AFIF
15YUSUF ABDURISAG
1KOBEL
4ELVEDI
5AKANJI
13RODRIGUEZ
6ZAKARIA
8FREULER
10XHAKA ★
20Michel AEBISCHER
7EMBOLO
11NDOYE
17VARGAS

Lances do jogo

🟨 MAHMOUD ABUNADA
13'
17'
EMBOLO ⚽
🟨 JASSEM GABER
23'
42'
ZAKARIA 🟨
🔁 AHMED FATHY ↔ AYOUB ALOUI
60'
🔁 KARIM BOUDIAF ↔ JASSEM GABER
60'
🔁 AHMED ALAAELDIN ↔ YUSUF ABDURISAG
60'
65'
Johan MANZAMBI ↔ Dan NDOYE 🔁
65'
Fabian RIEDER ↔ Michel AEBISCHER 🔁
🔁 MOHAMED MANAI ↔ ASSIM MADIBO
78'
79'
Zeki AMDOUNI ↔ Ruben VARGAS 🔁
🔁 HASSAN ALHAYDOS ↔ EDMILSON JUNIOR
88'
89'
Miro MUHEIM ↔ Ricardo RODRIGUEZ 🔁
89'
Ardon JASHARI ↔ Remo FREULER 🔁
⚽ BOUALEM KHOUKHI
90'+4'

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