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Matthew Stafford leva o time de flag football das filhas ao título: por que o MVP da NFL apostou no simples

Jack T. Taylor
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O quarterback que venceu a votação mais apertada para MVP da NFL em mais de duas décadas estava à beira de um campo de flag football juvenil, com um quadro branco na mão e as três filhas mais velhas ao redor, e escolheu desenhar quase nada. Essa é a história de Matthew Stafford escondida em uma seleção afetuosa da ESPN sobre pais da NFL que treinam os próprios filhos — e ela diz mais sobre ele do que qualquer estatística de passes.

A interpretação mais fácil foi a que todo mundo fez: pai superstar, time de crianças, título, sorrisos por toda parte. É verdade, mas não é tudo. O que fica de fora é a decisão. Stafford ganha a vida acrescentando camadas de complexidade, mudando as proteções e castigando as defesas quando elas revelam suas intenções. Diante de um elenco de crianças, reduziu o jogo ao essencial. Saber o que as pessoas ao seu lado realmente conseguem fazer é a habilidade que o manteve na liga por tanto tempo. Naquele campo, isso parecia coisa de pai.

Como Matthew Stafford acabou treinando flag football

Ele nunca se candidatou ao cargo. As filhas quiseram jogar depois de participar de um acampamento de flag football feminino nas instalações dos Rams, e uma estudante de uma escola local já estava prestes a treinar o time. Então surgiu um conflito de agenda, e os pais recorreram a Stafford. “Todo mundo meio que olhou para mim e disse: ‘Quer dizer… tinha que ser você’”, contou Stafford à ESPN.

O elenco tinha seis meninas e quatro meninos, entre eles Chandler, Sawyer e Hunter Stafford. Eles foram campeões. Stafford fala disso como quem descreve o plano de um treino. “A gente meio que se alinhava e jogava sempre na mesma defesa”, disse, porque a ideia era manter tudo simples o bastante para as crianças entrarem em campo e se divertirem. Então vem a frase que revela tudo: “Eu poderia inventar algumas jogadas, mas será que a gente conseguiria executá-las? Provavelmente não.”

Essa frase é a cara de um quarterback. É a mesma avaliação que ele faz antes de cada jogada no domingo, só que diante de um grupo de crianças reunidas. “Naquele momento, eu sou só um pai ali”, acrescentou. Mas esse pai ainda treina como profissional. Em um vídeo que sua mulher, Kelly Stafford, compartilhou na primavera, ele mostra às crianças os ângulos de perseguição e depois ensina a observar o passador. “Os olhos do quarterback: se começarem a olhar para aquele lado para lançar, certo?”, diz ele, segundo o Rams Wire. Um quarterback que precisa vencer defensores atentos ao seu olhar estava ensinando crianças a ler os olhos de outro quarterback.

O fim de semana em que os Rams escolheram um quarterback no draft

O momento em que isso aconteceu deixa o quadro ainda mais interessante. Kelly publicou aqueles vídeos no mesmo fim de semana em que os Rams usaram a 13ª escolha geral para selecionar o quarterback do Alabama Ty Simpson, apresentado pelo Rams Wire como o novo projeto de mentoria de Stafford e envolto pela Newsweek na palavra “drama”. Simpson disse que Kelly já tinha entrado em contato com ele pelo Instagram. “Mal posso esperar para conversar com Matthew”, disse aos repórteres. Enquanto os Rams estavam ocupados no draft, Stafford estava em um campo juvenil ensinando ângulos de perseguição. As manchetes falavam em drama. O vídeo mostrava um treinador.

“Minha vida é uma bênção”

A manchete da ESPN promete uma perspectiva diferente, mas, no texto, as frases mais claras sobre o assunto são de outros pais. O linebacker dos Chargers Bud Dupree se deu conta, durante um treino, de que estava marcando uma rota que acabara de explicar ao filho Jett e se virou para Khalil Mack: “Cara, Khalil, acabei de ensinar meu filho a fazer isso.” O tackle dos Patriots Morgan Moses foi mais direto: “Eu disse a todo mundo que realmente não me importo se a gente ganhar ou perder.”

Stafford já tinha dito algo parecido com todas as letras, meses antes e em um momento mais difícil. Depois que os Rams perderam a final da NFC para o Seattle Seahawks em janeiro, ele contou em seu podcast “Let’s Go!” que uma das filhas chorou em seus braços e disse: “Pai, eu me sinto muito mal por você.” A resposta dele, segundo o E! News: “Sabe de uma coisa? Não sinta pena de mim. Minha vida é uma bênção.” Kelly disse que as meninas tinham ido a 15 dos 17 jogos da temporada regular dele, além dos playoffs, e que agora queriam jogar como quarterbacks em um time feminino de flag football. Poucos meses depois, o pai delas era o treinador.

O MVP por trás do quadro branco

O currículo torna essa simplicidade ainda mais marcante. Stafford venceu o prêmio de MVP da NFL da AP em 2025, na votação mais apertada desde 2003: 366 pontos contra 361 de Drake Maye. Ele liderou a liga com 4.707 jardas aéreas e 46 passes para touchdown, contra oito interceptações, segundo o NFL.com. Foi a primeira vez que entrou para o primeiro time All-Pro, em sua 17ª temporada — muito depois de o Detroit Lions selecioná-lo em primeiro lugar geral, em 2009, e alguns anos após conquistar o Super Bowl LVI com os Rams. Ao receber o troféu, prometeu voltar: “Vejo vocês no ano que vem.”

Ele voltou pelos Rams. Nesse intervalo, aceitou um trabalho que ninguém tinha oferecido e também conquistou o título. Em algum lugar de Los Angeles, há um time juvenil campeão de flag football cujas jogadoras e jogadores sabem que devem observar os olhos do quarterback — a lição que o treinador passou a carreira inteira ensinando, para desgosto das defesas.

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