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País de Gales sem Rodon: Bellamy convoca Cian Ashford pela primeira vez

Jack T. Taylor
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Toda convocação de seleção parece papelada até que você nota quem está de fora e quem está chegando para ocupar seu lugar. A mais nova lista de Craig Bellamy para o País de Gales é uma dessas. O zagueiro que ancorou a linha defensiva durante uma Copa do Mundo está fora, e o nome que chega na mesma respiração pertence a um atacante do Rhondda que esperou quase toda a vida pelo telefone tocar.

Joe Rodon é a ausência que importa. Ele é a coisa mais próxima de uma certeza na defesa que esta seleção galesa tem — a metade mais alta da dupla do Leeds United que seu técnico de clube batizou de Muralha Galesa, o homem que jogou cada minuto de uma campanha de Copa do Mundo sem piscar. Agora, um tendão da coxa cedeu no pior momento possível, e tendões da coxa não se importam com o calendário. O de Rodon se foi exatamente quando Gales menos pode se dar ao luxo de perdê-lo.

Porque este é o momento em que Gales sobe o nível. A equipe de Bellamy está num grupo da Liga A com Portugal, Dinamarca e Noruega — um campeão europeu no meio e nenhum adversário fácil — e abre com duas partidas fora de casa, primeiro Lisboa, depois Copenhague. A recompensa por terminar entre os dois primeiros é uma quartas de final na primavera; o preço de ficar em último é a armadilha para um nível inferior. Não existe versão deste grupo que perdoe uma defesa instável.

Nessa lacuna entra Cian Ashford, embora não como um substituto direto — você não responde à perda de um zagueiro de 1,93m com um atacante de 21 anos, e Bellamy não está fingindo o contrário. A convocação de Ashford é uma declaração de outro tipo. Ele entrou no Cardiff City aos seis anos de idade, subiu cada degrau das categorias de base de Gales a partir do sub-15, e começou esta temporada como se estivesse determinado a tornar o passo para a equipe principal inevitável, participando de todos os jogos do campeonato e marcando duas vezes. Bellamy recompensou a forma conquistada no jogo doméstico em vez da reputação acumulada em outro lugar, e essa escolha mostra como ele pretende construir.

A tentação é arquivar os dois fatos separadamente — veterano lesionado, jovem promovido — mas eles pertencem à mesma história. Gales é uma nação pequena que aprendeu a lutar acima do seu peso confiando num núcleo coeso e recusando-se a recuar. Rodon é um pilar desse núcleo. Sua ausência força Bellamy a descobrir, em jogos reais contra adversários sérios, até onde vai essa confiança. Ben Cabango é reconvocado, Harry Wilson e Jordan James voltam das lesões que os custaram o verão, e a reformulação na defesa será trabalhada no campo de treinos nos dias que antecedem Lisboa.

O que Ashford traz é mais difícil de medir do que um gol sem sofrer e vale mais do que parece. Uma primeira convocação muda um jovem jogador — a forma como treina, o padrão que exige de si mesmo, a crença de que o teto está mais alto do que uma temporada de Championship. Se ele joga ou assiste, sai do estádio um futebolista diferente, carregando uma certeza que não tinha quando chegou. Gales tem feito dessas induções um hábito discreto, e as melhores delas têm um jeito de se tornar a próxima coisa da qual o técnico não pode abrir mão.

A pergunta mais difícil é se Bellamy tem o suficiente na defesa para sobreviver à espera. A recuperação de Rodon leva semanas, não dias, e a forma do grupo pode estar definida antes que ele chute uma bola. Gales joga fora contra Portugal em Lisboa em 24 de setembro e contra a Dinamarca em Copenhague três dias depois, antes de Noruega e Dinamarca virem a Cardiff. Quando seu pilar estiver recuperado, a margem para erro já pode ter sido gasta.

Bellamy construiu seu País de Gales na ideia de que ninguém é insubstituível. O tendão da coxa de Rodon é o primeiro teste real de se ele acredita nisso.

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