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Copa do Mundo 2026, oitavas de final: Argentina e Suíça avançam por caminhos opostos, o caos contra o controle

Kenji Nakamura

Dois duelos de oitavas terminaram no mesmo lugar — uma vaga nas quartas de final —, mas por desenhos táticos exatamente opostos. A Argentina chegou lá renunciando ao controle: dois gols atrás do Egito, empurrou todo mundo para frente, aceitou o risco de ficar exposta e venceu no meio da desordem que ela mesma provocou. A Suíça chegou lá se recusando a apostar: um bloco compacto e em camadas que asfixiou a Colômbia, secou o jogo até os pênaltis e resistiu. Duas leituras contrárias do mesmo problema, e ambas deram certo no mesmo dia.

O padrão argentino nasceu de uma inversão deliberada. Com o Egito à frente por 2 a 0 — Yasser Ibrahim de cabeça numa bola parada, Zizo num contra-ataque pela direita logo depois da hora de jogo — e com um pênalti de Lionel Messi defendido por Mostafa Shobeir ainda no primeiro tempo, a estrutura de segurança da equipe já não servia. A resposta foi abandoná-la. A Argentina levou os laterais para dentro do campo adversário, aceitou ficar curta atrás e transformou o jogo numa avalanche de volume ofensivo. Cristian Romero diminuiu, Messi empatou quatro minutos depois e Enzo Fernández cabeceou a virada nos acréscimos. Três gols em cerca de um quarto de hora: não foi sorte, foi o que acontece quando um time troca proteção por presença e inunda a área.

Dois métodos, o mesmo destino

A Suíça leu o mesmo tabuleiro pelo avesso. Diante de uma Colômbia que não sofria gols havia três partidas, a ideia não foi acelerar, e sim desacelerar tudo. O bloco suíço se organizou em camadas — linha compacta, distâncias curtas entre os setores, a bola sempre empurrada para as zonas onde menos machuca — e drenou o ritmo do adversário até os 120 minutos sem gols. Foi um plano que trocou brilho por paciência: negar espaço, negar transição, negar o momento em que a Colômbia costuma decidir. A última camada desse desenho tinha nome. Nos pênaltis, Gregor Kobel defendeu a cobrança de Juan Hernández, Davinson Sánchez acertou a trave e, apesar do gol de Luis Díaz, a Suíça venceu por 4 a 3. É a primeira vez que os suíços chegam às quartas desde 1954 — e chegaram justamente por não terem gambleado uma única vez.

O ponto está no que vem agora. Os dois vencedores se enfrentam entre si: Argentina e Suíça medem forças nas quartas de final, em Kansas City, entre os dias 9 e 11 de julho, já dentro dos Estados Unidos, onde a competição segue até a final, marcada para 19 de julho no MetLife Stadium. É o confronto entre duas filosofias que resolveram o mesmo enigma por lados opostos: o time que venceu quebrando a própria forma contra o time que venceu se recusando a quebrar a sua. O caos que a Argentina abraçou vai bater de frente com a compostura que a Suíça nunca soltou, e a chave da vaga na semifinal será qual dos dois métodos impõe seu tempo ao outro.

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