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Modern Warfare 4 homenageia Vince Zampella, pai de CoD demitido pela Activision

Veronica Loop
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A Infinity Ward encerra sua saga Modern Warfare com uma tela “In memoriam” para o homem que cofundou o estúdio, criou Call of Duty e foi mandado embora pela Activision em 2010. Ele morreu em dezembro passado, quando comandava a franquia rival, Battlefield.

A Infinity Ward voltou a incluir Vince Zampella em Modern Warfare. O homem que cofundou o estúdio e cocriou Call of Duty ganhou uma tela só sua nos créditos de Call of Duty: Modern Warfare 4, que diz apenas “In memoriam – Vince Zampella”. Ela aparece dentro da franquia cuja publicadora um dia o demitiu, no jogo que a Activision vende como o encerramento da atual fase de Modern Warfare.

A maior parte da cobertura tratou o gesto como uma homenagem elegante, e ele é mesmo. O detalhe mais revelador é onde o nome aparece. Zampella estava longe de Call of Duty havia mais de quinze anos e, quando morreu, em dezembro de 2025, era o executivo à frente do concorrente mais direto da série. Ninguém na Infinity Ward precisava colocá-lo ali. O estúdio fez isso mesmo assim, no fechamento da série que ele começou.

A tela e os outros três nomes ao lado dela

A homenagem aparece depois do fim da campanha. Geoff Keighley a identificou e publicou no X em 17 de outubro, um dia depois da abertura do acesso antecipado à campanha, e a história se espalhou a partir daí. As manchetes destacaram um nome, mas a sequência In Memoriam traz quatro. O site de games MP1st, o primeiro a listá-los, informa a ordem: Reiner Yang, Matt Canale, Preetam Raj Bordoloi e Zampella.

Bordoloi tem créditos em pelo menos dez jogos de Call of Duty, o mais recente deles Black Ops 7. Canale entrou na Infinity Ward com Call of Duty: Ghosts, em 2013, e trabalhou pela última vez em Warzone Mobile. Há pouca informação pública sobre a função de Yang, e outros veículos grafam o primeiro nome como Rainer. Uma franquia anual desse porte depende tanto de profissionais como eles quanto de seus fundadores. Os créditos colocam os quatro em pé de igualdade, ainda que a cobertura não tenha feito o mesmo.

O fundador que Call of Duty perdeu em uma briga com sua publicadora

O currículo de Zampella parece um mapa dos jogos de tiro militares modernos. Sua grande chance veio na 2015, Inc., em Tulsa, Oklahoma, onde foi designer-chefe de Medal of Honor: Allied Assault para a Electronic Arts, em 2002. No mesmo ano, cofundou a Infinity Ward com Jason West e Grant Collier e fechou contrato com a Activision para criar um jogo de tiro que vencesse Medal of Honor em seu próprio terreno. Esse jogo foi Call of Duty, lançado em 2003. Depois, a Activision comprou o estúdio.

Sob o comando de Zampella e West, a Infinity Ward fez Call of Duty 2, em 2005, e depois Call of Duty 4: Modern Warfare, em 2007, o jogo que tirou a série da Segunda Guerra Mundial e a levou para os conflitos contemporâneos. Modern Warfare 2 veio em 2009 e bateu recordes de vendas. Meses depois, a relação desmoronou. Em março de 2010, a Activision demitiu os dois, alegando quebra de contrato e insubordinação, e reteve os bônus e royalties que, segundo eles, lhes eram devidos por Modern Warfare 2.

O que veio em seguida foi uma das batalhas judiciais mais amargas que a indústria de games já viu. Zampella e West processaram a empresa por demissão injusta; dezenas de ex-desenvolvedores da Infinity Ward entraram com suas próprias ações e receberam um pagamento de 42 milhões de dólares da Activision em pleno julgamento, em maio de 2012. Os fundadores fecharam acordo semanas depois, em junho de 2012, em termos não divulgados. A essa altura, já tinham seguido em frente.

Da Respawn a Battlefield

A dupla fundou a Respawn Entertainment em abril de 2010, assinou com a Electronic Arts e lançou Titanfall em 2014 e Titanfall 2 em 2016. West deixou o estúdio em 2013; Zampella ficou e assumiu o comando. A EA comprou a Respawn em 2017, e o estúdio lançou depois Apex Legends, em fevereiro de 2019, um jogo de tiro free-to-play que reuniu 25 milhões de jogadores na primeira semana, e Star Wars Jedi: Fallen Order no mesmo ano, seguido de Star Wars Jedi: Survivor em 2023.

Dentro da EA, Zampella continuou subindo. Assumiu a DICE LA em 2020, depois rebatizada como Ripple Effect Studios, e em 2021 passou a comandar toda a franquia Battlefield após o lançamento decepcionante de Battlefield 2042. O resultado foi Battlefield 6, lançado em 10 de outubro de 2025. O jogo vendeu mais de sete milhões de cópias nos três primeiros dias, a maior estreia da história da série, e terminou 2025 como o jogo mais vendido dos Estados Unidos, um primeiro lugar que Call of Duty costuma reservar para si.

Dois meses depois desse lançamento, em 21 de dezembro de 2025, Zampella morreu em um acidente com seu carro na Angeles Crest Highway, nas montanhas ao norte de Los Angeles. Ele tinha 55 anos. A EA chamou sua morte de “uma perda inimaginável”. Em fevereiro de 2026, o DICE Summit substituiu uma palestra principal por uma sessão intitulada “Remembering a Titan” (“Lembrando um titã”).

Um capítulo final que termina com o homem que o abriu

Na época, a mensagem da própria Infinity Ward dizia a Zampella que ele “sempre terá um lugar especial em nossa história”. Modern Warfare 4 transforma essa frase em algo que os jogadores podem ver. O jogo é o 23º Call of Duty e o quarto e último capítulo da série Modern Warfare reiniciada em 2019, que continuou com Modern Warfare II em 2022 e Modern Warfare III em 2023. Sua campanha leva a guerra para a Península Coreana, tendo no centro uma invasão do Sul pela Coreia do Norte.

Chris Schmidt dirigiu o jogo, Stephen Barton e Jason Graves compuseram a trilha sonora, e a Infinity Ward liderou o desenvolvimento com a ajuda de outros dez estúdios, entre eles Treyarch, Sledgehammer Games e Raven Software. O diretor de marketing da Activision, Tyler Bahl, apresentou o jogo como uma forma de “encerrar este capítulo e começar um novo”, sem fechar a porta para a volta de alguns de seus personagens.

Onde e quando os jogadores encontram a homenagem

Os primeiros a ver a tela foram os jogadores com acesso antecipado à campanha, aberto desde 16 de outubro para quem fez a pré-venda digital; o DMZ, o modo de extração, foi liberado para eles em 20 de outubro. O jogo completo chegou em 23 de outubro para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC. É o primeiro Call of Duty lançado apenas para o hardware da geração atual e o primeiro a sair no Switch 2 no mesmo dia que nas demais plataformas, com essa versão a cargo da Digital Legends. Ao contrário de Black Ops 6 e Black Ops 7, ele não entrou no Game Pass no lançamento.

Poucas homenagens dentro de um jogo alcançam tantos jogadores: qualquer pessoa que termine a campanha, em todas as grandes plataformas ao mesmo tempo. A Activision, hoje pertencente à Microsoft, é uma empresa muito diferente daquela que enfrentou Zampella nos tribunais, e boa parte da equipe que ele liderou na Infinity Ward o seguiu para a Respawn anos atrás. Os créditos não comentam nada disso. Deixam um nome em uma tela preta, no fim do último Modern Warfare: o do homem que fez o primeiro.

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