Tecnologia

Google piorou a busca para 450 milhões de europeus para cumprir regras antitruste da UE

Adrian Kessler

Para 450 milhões de europeus, o Google Search agora se comporta de forma diferente em consultas sobre hotéis, voos, restaurantes e outras categorias comerciais. Os preços em tempo real foram removidos das listagens que um dia fizeram do Google o primeiro destino para pesquisas de viagem. Um mecanismo de busca concorrente aparece no topo dos resultados, onde antes dominava a integração do próprio Google Shopping ou Google Maps. Os serviços especializados do Google agora competem sob o mesmo algoritmo que qualquer outro site.

O gatilho é o Digital Markets Act da UE, que designa grandes plataformas como “gatekeepers” proibidas de privilegiar seus próprios produtos nos resultados de busca. O regulamento entrou em vigor em 2024. O Google já havia feito rodadas anteriores de mudanças para conformidade; desta vez, a medida veio na esteira de uma multa antitruste de €460 milhões imposta em julho de 2026 por violações de autopreferência em resultados de hotéis, voos e compras. O prazo de 60 dias para cumprimento expira em setembro — a janela de execução que produziu a implementação de hoje.

Nick Fox, vice-presidente sênior de Conhecimento e Informação do Google, descreveu as mudanças como a maior redução na qualidade da busca em quase 30 anos de história da empresa. O Google afirma que seus próprios testes com usuários mostraram alta insatisfação — especificamente que os usuários precisam redigitar as consultas com mais frequência para encontrar o que desejam. A empresa ressalta que usuários fora da UE não são afetados.

O custo comercial é mensurável. Mudanças anteriores de conformidade com o DMA causaram um declínio de 30% no tráfego de reservas diretas para hotéis e empresas de serviços europeus, segundo o próprio relato do Google. Espera-se que as mudanças de setembro agravem esse número. Empresas europeias que dependiam da exibição de preços em tempo real para converter consultas de busca em reservas agora competem por posicionamento ao lado de agregadores que o regulamento foi projetado para promover.

A alegação de qualidade pertence à empresa que está sendo multada, não a um avaliador independente. O Google diz que está degradando seu próprio produto; a Comissão Europeia afirma que as mesmas mudanças corrigem anos de autopreferência que sufocaram concorrentes e desviaram tráfego para os próprios serviços do Google. Se a busca europeia é mensuravelmente pior por alguma medida neutra — ou simplesmente diferente de maneiras que prejudicam os interesses comerciais do Google — permanece em disputa. A Comissão não aceitou o enquadramento do Google.

O total acumulado de multas antitruste da UE contra o Google chegou a €10,38 bilhões ao longo de duas décadas, abrangendo os casos do Google Shopping, Android e AdSense. O DMA muda a lógica de execução de penalidades financeiras para mudança estrutural: o Google deve alterar como seu produto funciona, não apenas pagar. Para outros gatekeepers designados pelo DMA — Apple, Meta e Amazon — a implementação de conformidade do Google fornece o modelo mais claro até agora de como são as medidas corretivas comportamentais na prática.

Se esta implementação satisfaz a Comissão determinará a próxima consequência. Se a UE considerar as mudanças insuficientes, o Google enfrenta pagamentos de penalidades de até 5% da receita anual mundial. A avaliação da Comissão é esperada dentro de semanas após o prazo de 8 de setembro.

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