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Só 18% do seu feed são amigos reais — a Myspace planeja a volta por causa disso

Susan Hill

A proposta do Myspace para seu retorno chama atenção pelo que ela não promete. Os irmãos que controlam a plataforma desde 2011 não estão vendendo nostalgia — estão vendendo uma estatística: apenas 18% do conteúdo no feed médio de redes sociais hoje vem de pessoas que o usuário realmente escolheu seguir. Os outros 82% são recomendações, posts patrocinados e conteúdo de marca inseridos pelo algoritmo da plataforma.

Chris e Tim Vanderhook, que adquiriram o Myspace em 2011 e o mantiveram vivo através de múltiplas tentativas fracassadas de revival desde então, acreditam que essa lacuna é a oportunidade deles. “Vamos relançar o Myspace”, disse Tim Vanderhook em um novo documentário sobre a plataforma. “Só estamos esperando o momento certo para fazer isso.”

O argumento a favor desse timing é mais concreto do que parece. Usuários no Facebook, Instagram, TikTok e X relatam que passam mais tempo rolando conteúdo de contas que nunca procuraram e menos tempo vendo o que as pessoas que originalmente seguiram estão publicando. A mecânica dos feeds algorítmicos — construídos para maximizar o tempo de uso em vez da profundidade da conexão — produziu o mesmo resultado em todas as grandes plataformas. O que antes se chamava de rede social se tornou, pelos próprios números, majoritariamente não-social.

O Myspace era arquiteturalmente diferente. No auge de 2006, quando brevemente ultrapassou o Google e o Yahoo Mail como o site mais visitado dos Estados Unidos e contava com mais de 100 milhões de usuários, a plataforma era construída em torno de perfis que os próprios usuários desenhavam: fundos personalizados, players de música curados e uma lista escolhida a dedo de oito amigos exibida no topo de cada página. Também funcionava como um motor genuíno de descoberta musical. Adele, Arctic Monkeys, Lily Allen e Calvin Harris construíram suas primeiras audiências na plataforma antes de contratos com gravadoras, execução em rádio ou atenção mainstream os alcançarem.

Os Vanderhooks descrevem seu relançamento planejado como um retorno a esse modelo — curadoria algorítmica reduzida, perfis customizáveis, feeds povoados por conexões reais em vez de conteúdo recomendado por uma máquina. Eles não especificaram quais recursos viabilizariam isso, e não deram uma data de lançamento.

Essa ausência é o argumento mais forte contra eles. Uma tentativa anterior de reboot do Myspace em 2011, reposicionado em torno de streaming de música, perdeu mais de US$ 150 milhões antes de colapsar. Tom Anderson — que se tornou o primeiro amigo padrão de todo novo usuário e a figura mais próxima de um símbolo público que a plataforma original teve — não tem envolvimento no revival atual. A plataforma que os Vanderhooks precisariam construir hoje compete com os aproximadamente dois bilhões de usuários do TikTok, os 2,4 bilhões do Instagram e recém-chegados como Threads e Bluesky, que já estão fazendo o mesmo argumento de redução algorítmica com roadmaps de produto ativos.

Um documentário do diretor Tommy Avallone, também intitulado Myspace, renovou a atenção pública em torno da plataforma e do revival. Os Vanderhooks dizem que estão esperando o momento certo. Eles não disseram quando será, nem como a plataforma será quando chegar.

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