Negócios e finanças

Microsoft lidera a nuvem de IA, mas o mercado se recusa a acreditar

Victor Maslow

A SpaceX está entrando no Nasdaq-100, e a imprensa financeira já encontrou sua pauta. A história mais relevante é mais discreta: a empresa que processa mais consultas de IA corporativa do que qualquer outra plataforma em nuvem acabou de registrar seu melhor trimestre no Azure — e seus investidores acumulam uma perda de quase 30% desde o pico histórico da ação.

O Azure cresce 40% ao ano. As ações da Microsoft perderam quase um quinto do valor desde janeiro e negociam a cerca de 20 vezes os lucros esperados para este ano. Essa diferença entre desempenho operacional e preço de mercado não é um descuido. É a posição deliberada do mercado.

Essa posição tem sua lógica. Empresas de software menores construídas sobre a plataforma Microsoft enfrentam pressão de ferramentas nativas de IA que realizam o mesmo trabalho com menor custo. GitHub Copilot e Microsoft 365 Copilot competem com startups que não carregam os custos estruturais da Microsoft. O crescimento que o Azure gera na camada de nuvem é compensado, no cálculo do mercado, pelo risco de disruption nas camadas inferiores do stack.

O que esse cálculo tem dificuldade em absorver: a taxa de crescimento de 40% do Azure percorre o mesmo ciclo de orçamento corporativo de IA que o Amazon Web Services e o Google Cloud. Os três expandem juntos. Os gastos empresariais com computação de IA não estão se antecipando — ainda estão acelerando. A posição da Microsoft nesse ciclo é sustentada pela parceria exclusiva com a OpenAI, cujos modelos rodam em escala na base de clientes enterprise do Azure.

A entrada da SpaceX no Nasdaq-100 transmite um sinal diferente. A empresa, ainda privada, ingressa em um índice público por um mecanismo que reflete como os portfólios institucionais são construídos quando as empresas de tecnologia mais valiosas preferem permanecer fechadas. As receitas e as margens da SpaceX são mais difíceis de interpretar por meio de um múltiplo de lucro convencional.

A comparação que o mercado efetua é entre duas apostas de infraestrutura: uma que já gera receita consistente, outra valorizada por um futuro no qual o setor acredita, mas que ainda não consegue medir.

No trimestre mais recente, a receita da Microsoft chegou a US$ 82,89 bilhões, alta de 18% ao ano, com lucro por ação de US$ 4,27 frente a uma estimativa de consenso de US$ 4,06. A ação caiu 8% após o relatório. O próximo balanço trimestral vai testar se a taxa de crescimento do Azure aguenta um período de pressão sobre os orçamentos empresariais.

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