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A Dona da Bola 2 na Netflix: Isla venceu, mas a prova não acabou

Veronica Loop

Isla Gordon conquistou a presidência do Los Angeles Waves. Não como interina, não enquanto o irmão Cam se recuperava, mas de forma definitiva e oficial. A segunda temporada de A Dona da Bola, da Netflix, começa exatamente daí: o que uma mulher que já provou tudo ainda precisa provar para as mesmas pessoas que viram?

O que a série deixa claro é que a quadra de basquete é apenas cenário. A arena de verdade é a sala do conselho — os donos do time, a diretoria, toda a lógica institucional construída em torno de uma ideia bem definida sobre quem deveria estar no comando. A primeira temporada fazia uma pergunta provisória: Isla consegue sobreviver? A segunda retira essa cláusula e faz a mais difícil: o que significa vencer quando as mesmas estruturas continuam rodando o mesmo processo de avaliação, agora com aposta mais alta e mais gente olhando?

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O irmão voltou

A maior mudança estrutural da temporada é a promoção de Cam Gordon (Justin Theroux) de personagem recorrente para elenco fixo. Na primeira temporada, Cam era o centro ausente: foi sua recaída e internação que abriram o espaço para Isla. O retorno na segunda temporada não é uma reviravolta narrativa. É uma mudança de arquitetura.

A temporada começa com Cam sentado na mesa de Isla — de pernas pra cima, tranquilo, cumprimentando ela com um “oi, irmãzinha, tô de volta.” A cena faz mais trabalho do que parece. Ele não está no corredor esperando. Não pediu reunião. Reocupou o espaço com a naturalidade de quem nunca realmente aceitou que aquele lugar deixou de ser seu.

A promoção de Theroux ao elenco fixo confirma o que a cena sugere: a questão de quem ocupa a presidência não é mais uma premissa que se resolve no final da temporada. É a condição permanente da série.

O novo treinador

Ray Romano entra como o novo técnico Norm e traz um registro que a série não tinha: paternal, levemente exasperado, confuso com a velocidade e a pressão ao redor. A chegada dele desloca o peso institucional para o lado da comissão técnica — eixo que, na primeira temporada, ficava subordinado à política da diretoria.

A equipe de roteiristas — Mindy Kaling, Ike Barinholtz e David Stassen — mantém sua marca registrada: todo momento em que Isla demonstra competência real vem acompanhado de uma pequena humilhação colocada no lugar certo. Menor que o sucesso, mas pontual como um relógio.

A referência real

A inspiração não está escondida. Jeanie Buss — presidente do Los Angeles Lakers, produtora executiva da série e responsável por revisar cada versão da edição — é a referência declarada para a história da herdeira reformada que assume uma dinastia familiar contra a resistência dos irmãos e da instituição.

Mas o que A Dona da Bola processa vai além de uma mulher no esporte. É a experiência concreta de quem recebeu o cargo oficialmente — passou pelo período de experiência, teve o voto do conselho — e descobre que a organização ainda roda o mesmo processo de validação, agora com linguagem mais formal e mais testemunhas. A série não comenta isso. Faz comédia. E confia que o público completa o raciocínio sozinho.

Kate Hudson interpreta Isla com uma precisão que a energia superficial da personagem esconde. A escolha central de atuação é nunca mostrar o abalo que Isla teria todo o direito de sentir — manter a armadura da competência perfeita mesmo enquanto o time é reconstruído em tempo real. Diante do Cam de Theroux, que conduz suas manobras com uma irresponsabilidade afável quase sedutora, a compostura de Isla é o argumento de verdade da série: que o preço de ser levada a sério é nunca pagar esse preço em público.

Running Point Season 2 - Netflix
RUNNING POINT SEASON 2. Kate Hudson as Isla Gordon in Episode 206 of Running Point Season 2. Cr. Katrina Marcinowski/Netflix © 2025

A pergunta que a temporada abre não tem resposta fácil. O que uma presidente ainda precisa provar para deixar de ser uma exceção? E o que acontece quando nem vencer fecha essa pergunta? A série não pretende responder. Essa é justamente a engrenagem.

A Dona da Bola, temporada 2, estreia em 23 de abril de 2026 na Netflix com todos os 10 episódios disponíveis de uma vez. Kate Hudson volta como Isla Gordon ao lado de Brenda Song (Ali), Justin Theroux (Cam, agora no elenco fixo), Scott MacArthur (Ness, gerente geral), Drew Tarver (Sandy, diretor financeiro), Fabrizio Guido (Jackie), Max Greenfield (Lev), Jay Ellis (técnico Jay) e Uche Agada (Dyson Gibbs, também promovido ao elenco fixo). Novos nomes: Ray Romano como técnico Norm, Ken Marino, Tommy Dewey, Richa Moorjani, Jake Picking, Blake Anderson, Duby Maduegbunam e Aliyah Turner. Criada por Mindy Kaling, Ike Barinholtz, David Stassen e Elaine Ko, com Stassen como showrunner. Produção de Kaling International e Warner Bros. Television Studios, com Kaling, Barinholtz, Stassen, Kate Hudson, Jeanie Buss e Linda Rambis como produtores executivos.

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