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Avatar: Os Sete Refúgios no Paramount+: gêmeas e um mundo que culpa Korra

Veronica Loop
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A primeira série animada de Avatar desde A Lenda de Korra põe os criadores Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko de volta no comando e vira do avesso a promessa que fundou a franquia: 225 anos depois, o mundo tem medo do seu Avatar.

Avatar: Os Sete Refúgios (Avatar: Seven Havens), a primeira série animada inédita ambientada no mundo de Avatar: A Lenda de Aang desde o fim de A Lenda de Korra, em 2014, estreou no Paramount+ na sexta-feira, 9 de outubro, com os três primeiros episódios. Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko, que criaram a série original para a Nickelodeon há duas décadas, são os showrunners e construíram a nova série sobre uma ideia que a franquia nunca tinha testado: desta vez, o mundo quer se livrar do seu Avatar.

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O ponto de partida é sombrio para uma série com classificação TV-Y7 nos Estados Unidos. Um cataclismo destruiu a civilização, e os sobreviventes já escolheram em quem pôr a culpa: Korra, a Avatar anterior. Cerca de 225 anos depois dos acontecimentos de A Lenda de Korra, as pessoas vivem atrás das muralhas de sete refúgios fortificados, cidades onde dobradores de elementos diferentes convivem lado a lado, e quem herda o poder do Avatar é visto como o destruidor da humanidade, não como seu protetor. O perigo não vem só das pessoas: a sinopse oficial descreve o novo Avatar como alvo de inimigos humanos e espirituais.

A história acompanha Pavi, uma jovem dobradora de terra que tem a voz de Saheli Khan e que escondeu suas habilidades no refúgio murado de Ellora para se proteger. No primeiro episódio, esse segredo deixa de ser só dela. Karthik, com voz de Akshay Khanna, descobre do que Pavi é capaz e depois revela outra criança que ele acredita ser o Avatar: Nisha, com voz de Aishu Devan, a irmã gêmea de Pavi, perdida há muito tempo. A sinopse oficial estrutura a temporada em torno das irmãs, que tentam desvendar suas origens misteriosas e salvar os Sete Refúgios antes que os últimos redutos da civilização desmoronem.

Duas irmãs e um só título

A revelação das gêmeas é a grande aposta estrutural. Todas as histórias anteriores de Avatar giravam em torno de uma única figura, Aang em A Lenda de Aang e Korra na sequência, cuja chegada o mundo esperava ou, pelo menos, estava pronto para aceitar. Os Sete Refúgios começa com uma garota que precisa esconder o que é, acrescenta uma irmã que ninguém sabia que existia e coloca as duas numa sociedade que preferiria não ter Avatar nenhum. O que significa uma segunda criança com o mesmo direito ao posto num mundo que caça a primeira é a pergunta que a premissa lança, e a resposta fica para os dez episódios que restam do Livro 1.

Os criadores originais, agora com estúdio próprio

DiMartino e Konietzko já construíram este mundo três vezes. Avatar: A Lenda de Aang teve três temporadas na Nickelodeon entre 2005 e 2008, cada uma um “livro” batizado com o nome de um elemento: Água, Terra e Fogo. A Lenda de Korra veio depois, entre 2012 e 2014, em quatro livros, e avançou a ação uma geração, para um mundo industrializado construído em torno da Cidade República. Os Sete Refúgios salta muito mais à frente, a ponto de Korra ter virado uma figura histórica, e uma que leva a culpa.

A série também é a primeira produção da Avatar Studios, a divisão que a Nickelodeon criou em 2021, com DiMartino e Konietzko no comando, para expandir a franquia com novas séries e filmes de animação. A Nickelodeon encomendou Os Sete Refúgios em fevereiro de 2025 com um compromisso de 26 episódios, divididos em dois livros de 13 episódios de meia hora, o que mantém a estrutura em livros que os fãs das séries anteriores já conhecem.

A volta pesa por causa do jeito como a dupla deixou a franquia da última vez. Em 2020, os dois abandonaram a adaptação em live-action de A Lenda de Aang da Netflix, citando diferenças criativas. A saída aconteceu no mesmo ano em que a série animada original chegou à Netflix e conquistou um público novo e enorme, boa parte dele jovem demais para ter assistido na Nickelodeon na primeira exibição. Os Sete Refúgios coloca os criadores de novo no comando de uma história de Avatar nas telas pela primeira vez desde que Korra acabou, em 2014, diante de um público que hoje inclui quem descobriu a franquia pelo streaming e quem cresceu com ela.

Quem faz a série

A animação é em 2D, feita no Nickelodeon Animation Studio, em Burbank, na mesma tradição influenciada pelo anime de onde vieram as séries anteriores. Ethan Spaulding é produtor executivo, Sehaj Sethi é roteirista-chefe e coprodutor executivo, e Alexandra Chiu é diretora supervisora. Jeremy Zuckerman, que compôs a trilha de A Lenda de Aang e de A Lenda de Korra, volta como compositor, o que dá à nova série um dos seus fios de continuidade mais claros com as antigas.

Elenco novo e uma voz que o fã conhece

Saheli Khan lidera o elenco como Pavi, com Aishu Devan no papel da gêmea, Nisha. Major Curda dá voz a Jae, um dobrador de ar que comanda um esquadrão da Brigada, a força de defesa de Ellora. Akshay Khanna faz Karthik e Sakina Jaffrey empresta a voz a Agam, enquanto Darren Barnet e Dianne Doan completam o elenco principal de vozes. O elenco ampliado inclui Eric Bauza, Melody Butiu como Malika e Tobit Raphael como Ulan.

A voz conhecida é de Dee Bradley Baker, que fez os sons de Appa e Momo na série original e aqui interpreta Geet, um animal companheiro. Os nomes do novo mundo, de Pavi, Nisha e Karthik ao refúgio de Ellora, vêm do Sul da Ásia, do mesmo jeito que A Lenda de Aang construiu suas quatro nações sobre culturas do Leste Asiático, do Sudeste Asiático e dos povos inuítes.

Como o Paramount+ vai lançar o Livro 1

Depois da estreia com três episódios em 9 de outubro, o Paramount+ lança o restante do Livro 1 em blocos semanais, sempre às sextas: os episódios quatro a seis em 16 de outubro, sete a nove em 23 de outubro e os quatro últimos em 30 de outubro, fechando a primeira temporada de 13 episódios. A reação inicial da crítica aos primeiros episódios foi, no geral, calorosa, e a maior parte das ressalvas mirou a animação, não o roteiro.

A Paramount já foi além da encomenda original. Na New York Comic Con, no próprio dia da estreia, DiMartino e Konietzko anunciaram que a série foi renovada para os Livros 3 e 4, além dos dois livros encomendados em 2025. Com isso, o plano chega a quatro livros, a mesma extensão de A Lenda de Korra. O Livro 2 ainda não tem data de estreia.

Uma franquia sobre equilíbrio, reconstruída em torno do medo

A Lenda de Aang ganhou uma segunda vida excepcionalmente longa, e Os Sete Refúgios é o teste para saber se seus arquitetos conseguem abrir uma terceira era animada que pare em pé sozinha, e não só pelo reconhecimento. Ambientar a história cerca de 225 anos depois de Korra, e transformar o Avatar em alguém caçado, mantém a nostalgia à distância de propósito: o que soa familiar é a dobra, a estrutura em livros, a música e um dublador, não os heróis antigos.

A ideia por trás da premissa inverte aquilo sobre o qual a franquia foi construída. Em A Lenda de Aang, a volta do Avatar é o que um mundo inteiro espera. Em Os Sete Refúgios, é o que os sobreviventes mais temem, e duas irmãs precisam descobrir o que esse papel significa depois que uma catástrofe o reescreveu. Se a série vai conseguir sustentar essa tensão ao longo de 13 episódios, e depois de mais três livros, é a pergunta em aberto enquanto o Livro 1 chega ao segundo bloco.

Por enquanto, as peças estão no lugar: as pessoas que inventaram este mundo, o compositor que deu a ele o seu som, uma nova dupla de protagonistas e um calendário que fecha o Livro 1 até o fim de outubro. Restam dez episódios para Pavi e Nisha mostrarem aos refúgios que tipo de Avatar eles ganharam.

Elenco

Fotos: The Movie Database (TMDB)

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