Análise

Sam Richardson faz ‘Into the Sky’ valer a pena — mas o roteiro fica para trás

Molly Se-kyung
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Sam Richardson sustenta Into the Sky por noventa minutos com uma performance que o roteiro não sempre merece. Isso não é elogio vago: é o diagnóstico preciso que a recepção crítica no Fantastic Fest 2026 deixou registrada. Cada crítica, independentemente da nota, identificou Richardson como a razão principal para ver o filme. E as divisões em tudo o mais — roteiro, personagens secundários, escala do terceiro ato — mapeiam exatamente onde o ator termina e o material começa.

Richardson interpreta Bobby, um homem cujo casamento desmoronou não por uma crise comum, mas porque ele continua sendo abduzido por extraterrestres. O filme abre com Bobby de bruços em um campo de golfe na Carolina do Norte, nu e coberto de uma substância azul. Não é a primeira vez. O que a performance de Richardson captura imediatamente não é choque, mas cansaço: um homem a quem esgotou a capacidade de espanto e que agora administra o extraordinário como um problema logístico. É uma nuance muito mais difícil de manter do que parece.

Drew Mylrea e Evan Wolf Buxbaum, em sua primeira parceria em um longa-metragem, fizeram uma escolha concreta: as abduções não são jogadas como espetáculo. Sem sequências de invasão, sem close-ups de criaturas. A abordagem fica mais próxima dos episódios cômicos de Arquivo X — aqueles em que a coisa estranha já aconteceu e agora faz parte da terça-feira de alguém. Elements of Madness identificou isso como a inteligência central do filme: as abduções funcionam como moldura metafórica, com Bobby tratando a intrusão catastrófica como prova de que o universo conspira contra ele, em vez de examinar a explicação mais simples para o casamento fracassado.

Fantastic Fest dividido ao meio

A recepção crítica no festival se dividiu de um jeito que mapeia com precisão os dois registros concorrentes do filme. Cassondra Feltus, para o Black Girl Nerds, leu Into the Sky como «uma mistura divertida e coesa de ficção científica, comédia e romance que subverte as expectativas», comparando o tom a «a comédia de O Guia do Mochileiro das Galáxias combinada com os elementos de ficção científica contidos de Nope». The HoloFiles deu 8 de 10 e apontou que o filme «excede em muito a categoria «assistível»» pelo comprometimento com a contenção.

A minoria crítica leu a mesma contenção de outro jeito. Sunshine State Cineplex deu 5 de 10 e argumentou que o filme «erra o alvo apesar de um convincente Sam Richardson». Geek Vibes Nation (4 de 10) identificou o mesmo problema estrutural: o roteiro «não faz o suficiente para estabelecer por que Bobby quer de volta exatamente essa relação». O casamento que deveria ancorar toda a lógica emocional do filme não tem fundação sólida o bastante para sustentar o peso que lhe é pedido.

A técnica de Richardson — e seus limites como solução

O que distingue Richardson no cinema de gênero é a ausência de troca de modo. A maioria dos comediantes levados para filmes de gênero alterna entre modo comédia e modo drama, e a costura aparece. Richardson não alterna. O instinto cômico e o instinto emocional chegam da mesma fonte — uma atenção à pessoa específica na frente dele, uma recusa de generalizar a reação. Feltus percebeu isso ao escrever que ele «continua hilariante seja fazendo o papel de coadjuvante ou de engraçadão». É também o que impede o cansaço de Bobby de ser apenas preparação para o próximo gag alienígena.

David Cross, como Jaden, um companheiro de abduções que Bobby conhece após o retorno, é posicionado para funcionar como perspectiva alternativa. Cross se entrega à premissa sem reservas. Mas a observação de Geek Vibes Nation de que seu personagem «tem decididamente menos a fazer» por conta de roteiro fraco é precisa. Sofia Black-D’Elia, como Nico, gera leituras críticas contraditórias: Black Girl Nerds encontrou química genuína com Richardson; Sunshine State Cineplex localizou o problema no texto, não nas atuações.

O que o registro mostra — e o que ainda divide a crítica

Into the Sky, escrito e dirigido por Drew Mylrea e Evan Wolf Buxbaum, teve sua estreia mundial no Fantastic Fest 2026. Sam Richardson interpreta Bobby, cujo casamento é destruído por abduções alienígenas repetidas. Elenco: David Cross (Jaden), Sofia Black-D’Elia (Nico), Fiona Rene (Brittany), Jonathan Rudnitsky (Chance). Os diretores descrevem o projeto como «blockbuster indie». É o primeiro longa da dupla.

O registro crítico está substancialmente dividido. Black Girl Nerds, Elements of Madness e The HoloFiles encontraram o equilíbrio entre comédia e gênero eficaz. Sunshine State Cineplex (5/10) e Geek Vibes Nation (4/10) identificaram relacionamentos centrais subdesenvolvidos e um clímax limitado pelo orçamento como problemas que a atuação de Richardson não consegue compensar por completo. Onde não há divisão é em Richardson: cada crítica, em todo o espectro de veredictos, apontou a performance dele como o motivo de ver o filme. Essa unanimidade, cercada por tantos desacordos, é o dado mais claro que o festival deixou sobre Into the Sky.

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