Negócios e finanças

Sam Altman: “Conheço muita gente que não foi à faculdade e se deu muito bem”

Victor Maslow

Sam Altman construiu a empresa que mais faz para redefinir como é um primeiro emprego. Por isso, quando disse a uma sala cheia de estagiários de tecnologia que o diploma universitário tradicional se tornou mais longo do que precisa ser, o cenário reforçava tanto o argumento quanto ele próprio — e então ele trouxe a questão para o âmbito pessoal.

“Conheço muitas pessoas hoje que não foram à faculdade e se saíram muito bem.”

Ele falava no Internapalooza, encontro para estagiários de tecnologia de verão promovido pelo investidor Cory Levy, em declarações reportadas pela Fortune. Altman deixou Stanford após dois anos para cofundar a Loopt, que entrou na primeira turma da Y Combinator e o colocou no caminho que acabaria por levá-lo a comandar a própria incubadora. Mais dois anos de estudos, disse ele, trariam “retornos drasticamente decrescentes”.

Lida rapidamente, é a conhecida despretensão de fundador: mais um homem que pulou a segunda metade da faculdade dizendo à próxima geração que ela também pode pulá-la. “Da forma como o mundo evoluiu”, acrescentou, “a faculdade simplesmente não deveria ser tão longa quanto é”.

Mas a frase faz algo mais incisivo do que oferecer um conselho de carreira, e merece uma segunda leitura. “Se saíram muito bem” é a sobrevivência falando. Altman conhece as pessoas que deixaram a faculdade e prosperaram porque circula nos ambientes onde elas foram parar; a população muito maior dos que abandonaram os estudos e não se saíram tão bem não está em seus contatos. Seu próprio percurso — Stanford, depois Loopt, depois a primeira turma da YC — foi menos um atalho que contornava o sistema do que uma faixa expressa por seu corredor mais exclusivo. Para alguém sem essa rede ou esse capital, esses anos ainda rendem as apresentações, a credencial e o fôlego que Altman já tinha.

A ironia está na sala que ele escolheu. Os estagiários à sua frente ocupam exatamente o degrau de entrada que seu próprio produto está ocupado em retirar. No mesmo evento, ele afirmou que “você pode criar praticamente uma startup inteira sozinho em uma sala com muitos tokens de IA” — uma frase que, vista por outro ângulo, descreve os empregos que talvez já não precisem ser preenchidos. Ele é, ao mesmo tempo, o arquiteto dizendo aos jovens que a velha escada é longa demais e o homem serrando seus degraus inferiores.

Altman provavelmente tem razão ao dizer que um diploma pode ser mais longo do que precisa. Mas “se saíram muito bem” não é um plano; é uma coletânea de melhores momentos, com os fracassos cortados. A pergunta útil não é se quatro anos são longos demais — é quem pode se dar ao luxo de descobrir.

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