Filmes

Trailer de ‘Jumanji: Open World’: o Bravestone de Dwayne Johnson preso em “modo demo”

Camille Lefèvre

A grande piada dos reboots de Jumanji nunca foi que Dwayne Johnson conseguia arremessar um homem através da selva. Era que, dentro daquele corpo impossível, alguém pequeno e assustado estava fazendo o arremesso. O primeiro trailer de Jumanji: Mundo Aberto deixa o jogo escapar do console e derrama os avatares em nossas próprias ruas — e, ao fazer isso, chega à versão mais reveladora da piada que a série já tentou.

Por dois filmes, Johnson interpretou o Dr. Smolder Bravestone como uma casca magnífica com um adolescente nervoso nos controles. A comédia vivia inteiramente na lacuna: a silhueta granítica do herói de ação, e o garoto em pânico pilotando-a de algum lugar atrás dos olhos. A ideia central do trailer remove silenciosamente esse piloto. Livres do jogo, mas sem jogadores para guiá-los, os heróis estão, como um personagem diz, “presos no modo demonstração”. O que resta na tela é o avatar sozinho, repetindo seu loop.

Esta é, o estúdio queira ou não, a ideia mais afiada que a franquia já se deu. O modo demonstração é a condição que um personagem de videogame ocupa quando ninguém está jogando — a animação ensaiada, o flexão ociosa, a pose mantida para uma plateia que se afastou do console. Veja os avatares se moverem em ciclos travessos e desajeitados por um mundo que é subitamente, desconcertantemente real, e você está vendo uma metáfora muito precisa para um certo tipo de estrela de cinema: a persona que continua fazendo flexões no horário marcado muito depois de alguém estar dentro dela dirigindo a performance.

Essa é a história pessoal que o trailer contrabandeia. O Bravestone de Johnson é o raro papel que vai contra, e não a favor, da marca Rock — o físico invencível usado para insegurança, o herói usado como cenário e nunca como a piada. O modo demonstração é o conceito que ou reforça essa autoparódia ou a abandona. Deixe Bravestone falhar, travar, repetir sua pose heroica enquanto a trama precisa de um ser humano, e a piada se aprofunda: um boneco de ação que esqueceu que já foi animado por uma criança assustada. Simplesmente deixe-o fazer flexões, e o final está no piloto automático no sentido mais literal.

O diretor Jake Kasdan, de volta para uma terceira vez, sempre construiu sua comédia no desencontro — atores atuando enfaticamente contra o tipo, a direção como uma máquina para a alma errada no corpo errado. O Professor Oberon de Jack Black carregando a vaidade de uma adolescente; o zoólogo de Kevin Hart reduzido à exasperação de Franklin Finbar; a Ruby Roundhouse de Karen Gillan transformando o próprio olhar masculino que o avatar foi projetado para atrair em arma. Tire os humanos dessa máquina e o desencontro corre o risco de desabar em mero espetáculo — criaturas e heróis soltos no mundo real, caos sem o fantasma dentro dele. Toda a aposta de Mundo Aberto é se Kasdan consegue manter o fantasma.

O elenco sugere que ele quer. Ao lado de Johnson, Black, Hart e Gillan, o trailer reúne Nick Jonas, Alex Wolff, Madison Iseman, Ser’Darius Blain, Danny DeVito e Rhys Darby, com novatos preenchendo uma edição que muitos leem como o encerramento da trilogia — “The Final Countdown” tocando sobre as imagens não é um sinal sutil. Kasdan divide novamente o crédito do roteiro com Jeff Pinkner e Scott Rosenberg, a dupla que entendeu desde o início que o motor da franquia era o personagem, não a selva.

A Sony abre o filme em 25 de dezembro, em um dos corredores de Natal mais lotados da memória: chega uma semana depois de Duna: Parte Três e do Vingadores: Doomsday da Marvel, ambos lançados em 18 de dezembro. Os reboots conquistaram essa confiança — Bem-Vindo à Selva e O Próximo Nível juntos arrecadaram mais de US$ 1,7 bilhão mundialmente — mas o pedigree não é a questão que o trailer levanta.

A questão é menor e mais estranha. Uma demonstração roda independentemente de alguém estar assistindo; é isso que a torna uma demonstração. O prazer desses filmes sempre foi a pessoa escondida dentro do herói. Se Mundo Aberto conseguir encontrá-lo novamente em um corpo que já não precisa dele, tem uma piada que vale a terceira contagem. Se não conseguir, será simplesmente Bravestone, fazendo flexões na manhã de Natal, para ninguém.

Tags: , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.