Música

Nick Jonas e o disco que chegou tarde, mas chegou certo

Penelope H. Fritz

Nick Jonas demorou para encontrar o disco que queria fazer. Não o disco que o mercado esperava, nem o que definiria uma posição nas paradas — o disco que soasse verdadeiro. Sunday Best, seu quinto álbum solo, lançado em fevereiro de 2026, chegou ao trigésimo lugar na Billboard 200, a posição de estreia mais baixa de sua carreira solo. As críticas foram as melhores que já recebeu. Essa inversão não é acidente: é o resultado de alguém que parou de otimizar.

Nicholas Jerry Jonas nasceu em Dallas, Texas, e cresceu em Wyckoff, Nova Jersey, o terceiro dos quatro filhos de um compositor e ministro ordenado e de uma professora de língua de sinais. Aos sete anos já estava no palco da Broadway — Tiny Tim, Gavroche, Chip Potts — depois que um encontro casual num salão de cabeleireiro o levou a trabalho com um representante profissional. A Columbia Records o assinou como solista aos onze anos. A gravadora gostou da voz, mas não do álbum. Quando os irmãos acrescentaram harmonias a uma demo, um executivo ouviu outra coisa: um grupo. O que começou como o projeto de Nick se transformou nos Jonas Brothers.

O grupo dominou o pop jovem americano entre 2007 e 2010: quatro álbuns pela Hollywood Records, o filme Camp Rock da Disney com quase nove milhões de espectadores na estreia, e A Little Bit Longer (2008) estreando em primeiro na Billboard 200. O fenômeno era real. Tinha prazo de validade. Os Jonas Brothers se separaram em outubro de 2013.

Jonas respondeu em 2014 com um álbum solo homônimo que cortava deliberadamente com a estética anterior. Jealous chegou ao sétimo lugar na Billboard Hot 100 e ao segundo no Reino Unido. Last Year Was Complicated (2016) chegou ao segundo lugar na Billboard 200, sua posição mais alta como solista. Paralelamente, desenvolvia uma carreira de ator em Kingdom, o drama de MMA que durou três temporadas no DirecTV.

A reunião dos Jonas Brothers em 2019 foi precisa: Sucker estreou em primeiro lugar na Hot 100, a primeira vez para o grupo nessa posição. Spaceman, seu quarto álbum solo (2021), teve recepção crítica melhor do que o décimo segundo lugar na Billboard sugeria.

Sunday Best chegou após o maior intervalo entre seus álbuns solo. O disco vem do reencontro de Jonas com a fé depois de um período de afastamento da igreja, do casamento com a atriz indiana Priyanka Chopra desde dezembro de 2018, e da paternidade — a filha Malti nasceu por barriga de aluguel em janeiro de 2022. O material pessoal está integrado sem ser confessional no sentido que convidaria uma leitura de fofoca; é, no fundo, um disco sobre o que sustenta.

A leitura mais honesta de sua carreira solo é que as trajetórias comercial e artística caminharam em sentidos opostos. Os primeiros trabalhos foram modestos na crítica e fortes nas paradas. Sunday Best inverteu isso. O álbum demonstra que Jonas encontrou um modo de fazer música que nasce de algo real.

Paralela à carreira corre sua relação pública com o diabetes tipo 1, diagnosticado aos treze anos quando perdeu quase onze quilos em duas semanas durante uma turnê dos Jonas Brothers. Gerencia a doença com bomba de insulina, testemunhou perante o Senado americano e co-fundou o Beyond Type 1 em 2015.

Em junho de 2026 lança A Night with Nick, uma pequena turnê pela costa leste dos EUA. O filme Power Ballad com Paul Rudd estreia em maio de 2026. Uma comédia romântica para a Netflix está em desenvolvimento. A aposta agora é pelo formato menor. É a mais corajosa que já fez.

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