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Spider-Man: Brand New Day: o vazamento pirata teve milhões de visualizações e a bilheteria nem notou

Veronica Loop

Duas coisas sobre Spider-Man: Brand New Day são verdadeiras ao mesmo tempo, e a segunda importa mais do que a maior parte da cobertura admite. Uma cópia pirata completa e de alta qualidade do filme se espalhou pelo X, assistida por mais pessoas do que muitos lançamentos independentes alcançam em uma vida inteira — e não fez nada ao filme. A abertura foi a maior já registrada. O vazamento foi uma nota de rodapé para ela. O que essa lacuna expõe não é uma crise de pirataria para a Sony, mas um problema de responsabilidade para a plataforma que continua hospedando o roubo.

O instinto é ler a contagem de visualizações como dano. Não é. Uma visualização pirata é uma captura de qualidade de celular — comprimida, com marca d’água, um eco borrado de um filme feito para uma tela de cinema — e o público que realmente impulsionou o fim de semana nunca estava escolhendo entre aquilo e um ingresso. O produto que valia a pena nunca esteve no X. O que estava no X era uma versão pior dele, e a Sony não teve comentários porque, comercialmente, não havia nada a responder.

Para o leitor que clicou, a oferta concreta era magra: um stream que seria descontinuado no momento em que fosse denunciado, sem som, sem escala, e uma contagem regressiva para a remoção correndo o tempo todo. É o equivalente da pirataria a um produto falsificado vendido de um cobertor — brevemente disponível, visivelmente inferior, sumido antes do terceiro ato. As pessoas que queriam o filme foram para a sala construída para exibi-lo.

A mecânica é a verdadeira história. A cópia pirata atingiu 5,9 milhões de contas e coletou mais de 143 mil curtidas e mais de 10 mil recompartilhamentos antes de ser derrubada — e ficou lá pela maior parte de um dia útil. Esta é a segunda semana consecutiva que um grande lançamento de estúdio surge dessa forma: Christopher Nolan‘s The Odyssey vazou no X na semana anterior, acumulando 2,1 milhões de visualizações em duas horas e meia. O fio condutor é o X Premium, cujo nível pago permite que assinantes enviem vídeos de até quatro horas — tempo suficiente para carregar um longa-metragem inteiro. A plataforma está monetizando exatamente a capacidade que está sendo usada para piratear filmes.

A defasagem é onde o fracasso reside. O clipe do Homem-Aranha foi ao ar no início da manhã, horário do Pacífico, e não foi removido até o meio da tarde — aproximadamente nove horas em que foi recompartilhado, espelhado e reenviado mais rápido do que a moderação conseguia perseguir. A Universal, por conta própria, ‘iniciou imediatamente protocolos de remoção’ em The Odyssey e o derrubou em menos de três horas. Nove horas contra três não é um erro de arredondamento; é a diferença entre uma plataforma que trata o roubo hospedado como uma emergência e uma que o trata como engajamento.

Nada disso tocou o balanço. Brand New Day arrecadou US$ 72 milhões recordes em prévias, superando os US$ 60 milhões que Avengers: Endgame obteve em suas próprias exibições antecipadas, e seguiu com uma sexta-feira de US$ 168 milhões que superou a marca de US$ 157,4 milhões de Endgame em um único dia. Ele estreou em 31 de julho em 4.487 cinemas norte-americanos — Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jon Bernthal e Jacob Batalon no elenco — e está projetado para bem mais de US$ 330 milhões no mercado interno. O vazamento e o recorde pertencem ao mesmo título do fim de semana.

A conclusão é mais simples do que o ciclo de indignação sugere: o Homem-Aranha pirata nunca foi o Homem-Aranha pelo qual alguém pagou para ver, e a única parte com um problema genuíno é aquela que ainda vende envios de quatro horas por mês. Duas sextas-feiras, dois estúdios, um trilho de distribuição — e o X está cobrando por isso.

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