Filmes

Zendaya faz 30 anos como a atriz de maior bilheteria de 2026, em filmes que não precisou carregar sozinha

Veronica Loop

Completar 30 anos é o momento em que a indústria do entretenimento decide o que é uma estrela de fato, e para Zendaya o veredito já chegou pré-escrito. A jovem atriz mais seguida de sua geração atinge o marco como o nome de maior bilheteria do ano, uma maison de moda com um sapato batizado em sua homenagem e um casamento que já é manchete por si só. A coroação é real. Também é, olhando de perto, incomumente generosa sobre de quem são os filmes que geraram essa bilheteria.

A história que todo mundo está contando diz que uma garota do Disney Channel se transformou numa força de bilheteria por pura presença. A versão mais verdadeira e interessante é sobre quais alavancas ela controla e quais pertencem à Marvel, a Christopher Nolan e a uma grife de luxo que a transformou numa linha de produtos. Acertar essa distinção é a diferença entre uma carreira duradoura e um pico bem timingado.

Comece pela matemática por trás da coroa. Dois de seus três lançamentos principais deste ano são filmes que ela divide, não protagoniza. Spider-Man: Brand New Day estreou com cerca de US$ 927 milhões mundialmente, a segunda maior abertura global já registrada — uma máquina de propriedade intelectual que teria aberto enormemente com ou sem qualquer membro do elenco. The Odyssey, de Nolan, arrecadou cerca de US$ 911 milhões como um conjunto de estrelas. Ambos são veículos onde seu nome divide o cartaz. A Forbes, a mais cuidadosa das publicações que mantêm a conta, ainda colocava Benny Safdie à sua frente no início de agosto; o título de “atriz de maior bilheteria” só se consolidou nas semanas seguintes. Uma coroa tão próxima de um cara ou coroa vale mais como proximidade de um blockbuster do que como autoria de um.

Agora veja os filmes que são inequivocamente dela. Challengers faturou cerca de US$ 96 milhões com um orçamento de US$ 28 milhões; The Drama, ao lado de Robert Pattinson, ultrapassou US$ 130 milhões com um gasto similar. Esses são os números que ela gera quando é o motivo pelo qual o ingresso é comprado — saudáveis, lucrativos e uma ordem de grandeza abaixo dos totais das franquias agora atrelados ao seu nome. Essa diferença não é uma crítica. É o formato real do seu mercado, e fingir que o número bilionário descreve o poder solo dela lisonjeia todo mundo menos a pessoa que precisa sustentá-lo.

Onde ela é genuinamente singular é na parte que a cobertura trata como enfeite. O crédito de coprodutora que negociou aos 16 anos, o controle criativo sobre suas próprias personagens, os dois Emmys e um Globo de Ouro por Euphoria, e uma operação de moda — incluindo a Miss Z da Louboutin — que supostamente vale oito dígitos por ano: esse é o ativo que não depende de um cronograma de estúdio ou de uma lista de elenco de um diretor. Tire as franquias e a marca ainda se sustenta. Tire a marca e as franquias teriam encontrado outro rosto.

O que deixa um item que as homenagens de aniversário pulam. Em dezembro, ela retorna como Chani em Dune: Part Three — um papel principal dentro de outra máquina pronta, suporte ao motor da história, não seu centro. O teste que resolveria a discussão, um filme que abre apenas com o nome dela, ainda não lhe foi entregue. Aos 30, com tanta alavancagem, o impressionante é que Hollywood tem se contentado em apostar nela sem nunca pedir que carregue um blockbuster sozinha.

O número que a coroou este ano veio com um asterisco em forma de máscara do Homem-Aranha. O que vale a pena observar é o filme que abre com o nome dela e de mais ninguém — e a indústria, apesar de todas as coroações, ainda não ousou assinar esse cheque.

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