Música

Britney Spears: a carreira de pop star que um tribunal gerenciou por 13 anos

Penelope H. Fritz

Por treze anos, um tribunal de Los Angeles gerenciou a carreira e a vida pessoal de Britney Spears enquanto ela enchia estádios e vendia discos para o mundo inteiro. Esse é o fato central de uma das trajetórias mais incomuns que a música pop já produziu — e o ponto de partida de um livro de memórias que vendeu mais de três milhões de cópias em poucas semanas.

Britney Jean Spears nasceu em 2 de dezembro de 1981 em McComb, Mississippi, e cresceu em Kentwood, Louisiana, onde começou a competir em concursos de talento antes dos cinco anos. Aos onze anos já participava de produções off-Broadway; aos doze entrou no Mickey Mouse Club da Disney ao lado de Justin Timberlake, Christina Aguilera e JC Chasez. Esse elenco, visto em retrospecto, lembra uma escola que estava formando, ao mesmo tempo, várias das vozes mais importantes do pop americano da década seguinte.

“…Baby One More Time”, lançado em 1998, vendeu mais de dez milhões de cópias em semanas e estreou em primeiro lugar nos Estados Unidos, redefinindo as expectativas comerciais do pop para adolescentes. Os álbuns que vieram a seguir — Oops!… I Did It Again (2000), Britney (2001), In the Zone (2003) — confirmaram uma longevidade que poucos tinham antecipado. “Toxic”, lançado em 2004, ganhou o Grammy de Melhor Gravação de Dança na 47ª cerimônia — o único Grammy que a Recording Academy já lhe concedeu, e a música que a crítica costuma apontar como seu trabalho mais duradouro.

O ano de 2007 foi o ponto de ruptura. Os eventos daquele ano — a raspagem pública do cabelo, duas internações psiquiátricas no Cedars-Sinai, a perda da guarda dos filhos Sean Preston e Jayden James — foram cobertos pela mídia como espetáculo, não como o colapso de uma pessoa que vivia sem privacidade desde a infância. Em fevereiro de 2008, um tribunal estabeleceu uma tutela que colocou seu pai, Jamie Spears, como co-tutor de seus assuntos pessoais e financeiros. A justificativa era protegê-la.

Blackout, gravado precisamente nesses meses conturbados de 2007, é o paradoxo mais visível de sua carreira: o álbum que muitos críticos consideram seu melhor trabalho foi produzido no pior momento de sua vida pessoal. Com produção de Danja e Bloodshy & Avant, é um disco de eletrônica introspectiva que continua sendo redescoberto por novas gerações.

Sob a tutela, Spears continuou trabalhando. Circus (2008), Femme Fatale (2011), Britney Jean (2013), Glory (2016) e uma residência de quatro anos em Las Vegas — Britney: Piece of Me, com ingressos esgotados quase em sua totalidade — geraram centenas de milhões de dólares enquanto ela não tinha controle sobre decisões básicas de sua própria vida. Uma advogada nomeada pelo tribunal descreveu a estrutura como uma que dava ao pai dela “controle total”.

O movimento Free Britney, ativo desde 2019, foi durante anos tratado como teoria conspiratória de fãs até que o documentário do New York Times Framing Britney Spears (2021) ofereceu um relato detalhado do alcance da tutela. Em junho de 2021, Spears prestou depoimento ao tribunal descrevendo a tutela como “abusiva” com detalhes específicos de intervenções médicas sem seu consentimento. A juíza Brenda Penny encerrou a tutela em 12 de novembro de 2021.

Em outubro de 2023, ela publicou A mulher em mim, escrito com Sam Lansky e narrado em audiolivro pela atriz Michelle Williams. Mais de três milhões de cópias nas primeiras semanas, um recorde histórico para a Simon & Schuster, e a revelação de um aborto durante seu relacionamento com Justin Timberlake, sobre o qual ele nunca havia falado publicamente.

Em janeiro de 2026 declarou que nunca mais se apresentaria nos Estados Unidos. Em março foi presa no condado de Ventura por suspeita de dirigir embriagada e sob efeito de substâncias controladas. Entrou voluntariamente em reabilitação em abril de 2026 e concluiu o programa no mesmo mês. Um acordo judicial em maio reduziu a acusação a uma infração menor, com doze meses de liberdade condicional.

Na Universal Pictures, o diretor Jon M. Chu — responsável por Wicked — está desenvolvendo uma adaptação cinematográfica de A mulher em mim com Spears como participante ativa. A trajetória que vai do vídeo de 1998 num corredor de escola às memórias de 2023 e ao biopic de Hollywood descreve uma das histórias mais singulares que o pop já contou: uma carreira gerenciada publicamente por tanto tempo que sua protagonista precisou de um livro para deixar claro, de uma vez por todas, que sempre foi dela.

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