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Daniel Day-Lewis, o ator que passou oito anos aposentado até seu filho precisar dele

O único ator a ganhar três vezes o Oscar de melhor ator anunciou sua aposentadoria em 2017. Em 2025, seu filho Ronan o trouxe de volta.
Penelope H. Fritz

Daniel Day-Lewis não avisou a ninguém quando parou de atuar. O comunicado chegou através de seu assessor de imprensa enquanto Trama Fantasma ainda estava em pós-produção — o décimo sétimo e último filme de uma carreira de quarenta anos. Também não avisou quando voltou. A notícia veio com a programação do Festival de Cinema de Nova York de 2025: Anemone, um drama psicológico que ele co-escreveu com seu filho Ronan — que fazia sua estreia como diretor de longa — tinha Day-Lewis no papel principal.

Nasceu em 29 de abril de 1957 em Kensington, Londres, numa família em que a literatura era herança, não aspiração. Seu pai, Cecil Day-Lewis, foi um poeta e depois Poeta Laureado do Reino Unido; sua mãe, Jill Balcon, atriz; seu avô materno, sir Michael Balcon, produtor dos Estúdios Ealing. Depois de várias escolas, foi em Bedales, escola progressista em Hampshire, que tomou a atuação a sério. A Bristol Old Vic Theatre School formalizou a decisão.

Os primeiros anos dividiu entre o teatro e o cinema. Interpretou Romeu para a Royal Shakespeare Company e apareceu em papéis menores antes de dois filmes de 1985 colocá-lo no mapa: My Beautiful Laundrette, de Stephen Frears, e a adaptação de E. M. Forster por James Ivory. A Insustentável Leveza do Ser, em 1988, deu-lhe projeção internacional.

Daniel Day-Lewis
Daniel Day-Lewis no New York Film Critics Circle Awards, janeiro de 2008. Foto: George Taylor / Everett Collection.

Meu Pé Esquerdo, de 1989, mudou tudo. Para viver Christy Brown, Day-Lewis passou meses na Clínica Sandymount de Dublin, se recusou a sair do personagem durante as filmagens e ganhou seu primeiro Oscar. Dois Oscars adicionais vieram depois: por Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson; e por Lincoln, de Steven Spielberg. Nenhum outro ator na história da Academia ganhou o prêmio de melhor ator três vezes.

Esse recorde é inseparável de uma metodologia que gera tanto admiração quanto questionamentos. Para Em Nome do Pai, teria ficado três dias em confinamento solitário sem água. Para O Boxeador, treinou três anos com o campeão mundial Barry McGuigan. Para Trama Fantasma, passou um ano aprendendo alta costura. Quarenta anos, dezessete filmes. A pergunta que Day-Lewis nunca respondeu diretamente.

Anemone recebeu críticas mistas (56% no Rotten Tomatoes). O que importa é o que representa: a prova de que a aposentadoria de 2017 tinha uma cláusula não negociada. Nenhum novo projeto foi anunciado.

Tem um filho, Gabriel, do relacionamento com a atriz francesa Isabelle Adjani. É casado desde 1996 com a cineasta e romancista Rebecca Miller — filha de Arthur Miller e Inge Morath — com quem tem dois filhos. Foi agraciado com o título de Knight Bachelor em 2014.

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