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Hasan Minhaj, o comediante que recomeça depois de ter suas histórias checadas

Penelope H. Fritz
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Hasan Minhaj
Hasan Minhaj
Photo: Gage Skidmore / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento23 de setembro de 1985
Davis, California
OcupaçãoComediante e ator
Conhecido porQue Horas Eu Te Pego?, É Assim Que Acaba, Meu Ex é um Espião
Prêmios2 Peabody

Durante a maior parte da carreira, Hasan Minhaj vendeu uma coisa acima de todas as outras: a própria vida. O par do baile de formatura cuja família o barrou na porta de casa, o envelope com pó branco que, segundo ele, levou sua filha pequena ao hospital — as histórias que sustentavam seus especiais da Netflix eram contadas como coisas que tinham acontecido com ele, e o público as recebia como um testemunho sobre crescer como uma pessoa parda e muçulmana nos Estados Unidos. Quando uma revista checou os relatos e descobriu que vários não tinham acontecido da maneira como ele contava, o trabalho que todos na televisão esperavam que ele assumisse foi para outra pessoa. Tudo o que ele fez desde então parece uma resposta à pergunta deixada por aquela checagem: até que ponto o público é dono da vida de um comediante?

A história de sua vida começa em Davis, na Califórnia, cidade universitária onde Minhaj cresceu como filho de pais muçulmanos indianos de Aligarh, em Uttar Pradesh. Seu pai, Najme, é químico orgânico; sua mãe, Seema, concluiu a faculdade de medicina na Índia. Ele não foi longe de casa para estudar: cursou ciências políticas na University of California, Davis, uma formação que ainda aparece na estrutura de aula expositiva de quase tudo o que escreveu.

Nascido em 23 de setembro de 1985 e formado pela turma de 2007, ele começou no stand-up no norte da Califórnia, onde venceu uma competição de comédia promovida por uma rádio da região da Baía de São Francisco em 2008. Depois vieram os pequenos trabalhos na televisão que ajudam os jovens comediantes a se manter: um programa de pegadinhas românticas com câmera escondida da MTV chamado Disaster Date, um papel recorrente na sitcom State of Georgia e uma participação em Arrested Development. Nada disso dava pistas do que viria a seguir.

Em novembro de 2014, ele entrou para The Daily Show como correspondente — o último contratado por Jon Stewart antes de ele passar o comando a Trevor Noah. Ao longo de quase quatro anos, Minhaj desenvolveu ali um jeito próprio de falar: o filho de imigrantes de segunda geração, sincero, que discute com a câmera como discute com o pai. Em abril de 2017, foi o artista principal do White House Correspondents’ Dinner, evento que recompensou seu hábito de dizer coisas incômodas justamente às pessoas a quem elas diziam respeito.

A consagração, porém, veio com um espetáculo solo. Hasan Minhaj: Homecoming King estreou off-Broadway em 2015 e chegou à Netflix em maio de 2017, filmado no Mondavi Center, no campus onde ele havia estudado. Era uma hora sobre a distância entre um pai que queria que o filho não chamasse atenção e um filho que queria ser visto — e rendeu a Minhaj um Peabody Award. O formato, com um contador de histórias percorrendo um palco vazio diante de fotografias e elementos gráficos projetados, virou sua marca registrada.

A Netflix transformou esse formato em uma série semanal. Patriot Act with Hasan Minhaj estreou em outubro de 2018 e teve 40 episódios, cada um dedicado a um único tema, explicado em profundidade com gráficos, piadas e um domínio de políticas públicas que programas de fim de noite raramente se dão ao trabalho de apresentar. A série ganhou um segundo Peabody em 2019, e sua equipe de design levou o Emmy de design de movimento naquele ano. Um dos primeiros episódios, sobre o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, foi produzido após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi e retirado da Netflix dentro do reino por exigência legal do órgão regulador saudita; no restante do mundo, continuou disponível. A Netflix encerrou a série em agosto de 2020.

A fissura se abriu com o especial seguinte. Hasan Minhaj: The King’s Jester, lançado em outubro de 2022, reuniu fama, casamento e vigilância no mesmo registro confessional. Em setembro de 2023, a revista The New Yorker publicou uma reportagem de Clare Malone mostrando que várias das histórias mais comoventes contadas nos especiais — entre elas o susto com o pó branco e o relato de que policiais o agrediram depois que um informante do FBI se infiltrou em sua mesquita — tinham sido exageradas ou inventadas. Minhaj disse à revista que os relatos partiam de verdades emocionais. A discussão que permaneceu não dizia tanto respeito à liberdade da comédia para exagerar, algo de que todo comediante se vale, mas ao tema das histórias: inventar episódios de racismo dá munição a quem quer desacreditar os casos reais. Ele era apontado como favorito para se tornar o apresentador fixo de The Daily Show, programa que havia comandado como apresentador convidado naquele ano; em vez disso, a Comedy Central trouxe Jon Stewart de volta para as noites de segunda-feira em 2024. Minhaj respondeu com um longo vídeo contestando a reportagem e dizendo que ela era enganosa. Desde então, também brincou que fracassou tão feio que tiveram de trazer Jon Stewart de volta. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo, e o público teve de decidir em qual delas acreditar.

A atuação esteve presente em paralelo a tudo isso, quase sempre em papéis coadjuvantes. Ele interpretou um agente chamado Duffer em The Spy Who Dumped Me, em 2018, e entrou para a segunda temporada de The Morning Show, da Apple TV+, em 2021, como Eric Nomani, um coapresentador ambicioso. Apareceu na comédia de Jennifer Lawrence No Hard Feelings, em 2023, e também em It Ends with Us, em 2024. No mesmo ano, lançou o especial da Netflix Hasan Minhaj: Off with His Head e estreou no YouTube um programa de entrevistas, Hasan Minhaj Doesn’t Know. Em outubro de 2025, interpretou Ajay Singh, diretor de tecnologia da ENCOM, em Tron: Ares.

O sinal mais claro de para onde ele quer ir está em um filme que deixa explícito desde o primeiro quadro que as histórias são ficção. Best of the Best, dirigido por Lena Khan e escrito por Minhaj com Prashanth Venkataramanujam, seu colaborador em Patriot Act, estreou em Nova York em 9 de setembro de 2026 e chegou à Netflix no mundo todo em 18 de setembro. Ambientado no circuito competitivo de dança universitária que mistura Bollywood e outros estilos, o filme traz Maitreyi Ramakrishnan como uma estudante da UCLA em busca de um título nacional, com Minhaj no papel do professor Hamza Latif. O projeto estava em desenvolvimento desde 2021, quando ele criou sua produtora, a 186K Films. Cinco dias depois da estreia do filme, a empresa lançou Bollywood Dance U no canal de Minhaj no YouTube: uma série documental de quatro episódios criada e dirigida por Smriti Mundhra, responsável por Indian Matchmaking, com Minhaj narrando a rivalidade entre duas equipes universitárias do Texas.

Fora dos palcos, ele mantém a família que antes servia de matéria-prima para suas histórias em grande parte longe dos olhares do público. Em 2015, casou-se com Beena Patel, que conheceu na faculdade e tem doutorado em saúde pública; os dois têm uma filha e um filho.

Neste outono, ele volta à estrada em uma turnê com apresentações divididas com Ronny Chieng, antigo colega de The Daily Show, e, em 19 de novembro, a American Advertising Federation lhe entregará o Cultural Force Award, em Nova York. A pergunta que fica é se o contador de histórias que antes insistia que tudo era verdade conseguirá despertar o mesmo interesse do público agora que diz que inventou tudo.

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