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Humphrey Bogart, o durão de Hollywood que nunca conseguiu fechar o coração

Penelope H. Fritz

Há em Casablanca um plano sem diálogo — Rick Blaine sozinho em sua mesa de café, a chuva ao fundo, olhando para algo que a câmera não mostra — em que Humphrey Bogart não faz nada e o espectador entende tudo. Nenhum gesto, nenhum truque de close-up. Apenas um rosto que havia aprendido, muito antes de aquela câmera encontrá-lo, a conter algo grande sem deixar transparecer. Era esse o paradoxo Bogart.

Ele nasceu no dia de Natal de 1899, em Manhattan, filho mais velho de um cirurgião cardíaco e de uma ilustradora comercial cujos rendimentos superavam os do marido. Maud Humphrey havia estudado em Paris e preferia que os filhos a chamassem pelo primeiro nome. Deixou a Phillips Academy Andover após um semestre e chegou ao teatro sem um plano definido. Os anos de Broadway entre 1921 e 1935 foram em grande parte sem destaque. O papel que funcionou chegou em 1935 com A Floresta Petrificada, onde interpretou o fugitivo Duke Mantee — imóvel e genuinamente ameaçador.

A Warner Bros. colocou-o em papéis de gângster em produções de série B: foi baleado em doze filmes, enforcado ou eletrocutado em oito, encarcerado em nove dos seus primeiros trinta e quatro. A virada chegou em 1941 com The Maltese Falcon, a estreia de John Huston como diretor: Sam Spade, detetive particular que decidiu que a única posição honesta é desconfiar de todos. Bogart interpretou o cinismo como inteligência conquistada, não como pose. Casablanca, no ano seguinte, estruturou a mesma tensão de outra forma: Rick Blaine afirma ter renunciado a todo compromisso e o filme trata exatamente do momento em que essa afirmação se torna insustentável.

Em 1944 ele conheceu Lauren Bacall — dezenove anos, vinte e cinco a menos do que ele. Casaram-se em maio de 1945 numa fazenda em Ohio. Ela escreveu mais tarde que ninguém jamais havia escrito uma história de amor melhor do que a que viveram.

O momento mais revelador da vida pública de Bogart foi talvez o que ele depois tentou apagar. Em 1947, organizou o Comitê pelo Primeiro Emendamento, levando figuras de Hollywood a Washington para protestar contra o assédio a roteiristas e diretores. Depois, em março de 1948, publicou na Photoplay um artigo intitulado Não sou comunista, distanciando-se dos dez escritores que havia defendido. A retirada foi incompleta — ele nunca delatou ninguém.

O Oscar chegou em 1952 por African Queen: Charlie Allnut, um barqueiro embebido em gin que tropeça no heroísmo no Congo Belga ao lado de Katharine Hepburn. The Caine Mutiny rendeu-lhe em 1954 uma terceira indicação. Diagnosticado com câncer de esôfago em 1956, morreu em janeiro de 1957, aos cinquenta e sete anos. The Maltese Falcon volta às salas americanas em dezembro de 2026 para o seu octagésimo quinto aniversário.

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