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Kıvanç Tatlıtuğ, o galã de Amor proibido que prefere homens encurralados

Penelope H. Fritz
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Kıvanç Tatlıtuğ
Kıvanç Tatlıtuğ
Photo: daly3d abd / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento27 de outubro de 1983
Adana, Turkey
OcupaçãoAtor
Conhecido porThe Butterfly's Dream, Última Chamada para Istambul, Asim, O Vigarista
Prêmios2 Golden Butterfly Award for Best Actor · Turkish Film Critics Association (SİYAD) Award for Best Actor · Sadri Alışık Award for Most Successful Actor · Golden Butterfly Award for Best TV Couple, with Serenay Sarıkaya

Em Riad, no Cairo ou em Casablanca, ele nunca se chamou Kıvanç Tatlıtuğ. Era Muhannad, o marido loiro de um melodrama turco que um canal saudita comprou, redublou no dialeto sírio e transformou em febre regional. O rosto viajou antes que o ator tivesse voz no assunto. Quase tudo o que ele escolheu desde então parece uma longa discussão com aquela primeira impressão: papéis em que o bonitão é quem está encrencado, e um esforço paciente para ser visto atuando, não só admirado.

Um jogador de basquete de Adana

Ele cresceu em Adana, a cidade do algodão no sul da Turquia, onde nasceu em 27 de outubro de 1983, filho de Erdem e Nurten Tatlıtuğ, numa família com raízes albanesas e bósnias do lado do pai e de Edirne do lado da mãe. O primeiro sonho era a quadra. Jogou basquete nas categorias de base de clubes locais e depois no Ülkerspor, no Beşiktaş e no Fenerbahçe, até que uma lesão num treino encerrou essa história.

A moda chegou por uma vitrine. A mãe viu o anúncio de uma agência, mandou uma foto do filho e, em 2002, ele venceu o Best Model of Turkey e depois o Best Model of the World. Uma agência de Paris o contratou, e ele morou um ano e meio na cidade. Quando as propostas da televisão começaram a chegar, voltou para casa e fez aulas de interpretação com o apresentador e ator Okan Bayülgen e com Laçin Ceylan, ator do Teatro Estatal.

Muhannad, Behlül, Kuzey

O primeiro protagonista, em Gümüş, ao lado de Songül Öden, durou 100 capítulos no Kanal D a partir de 2005 sem chamar muita atenção no próprio país. Em 2008, a MBC levou a novela ao mundo árabe com o título Noor, e os capítulos finais teriam reunido 85 milhões de espectadores. Houve religiosos irritados, reportagens sobre esposas que comparavam os maridos a Muhannad e agências de turismo vendendo Istambul a quem nunca tinha pensado em ir.

A Turquia o descobriu de vez em Amor proibido, adaptação do romance de Halit Ziya Uşaklıgil, em que viveu Behlül Haznedar, o sobrinho ocioso que se torna amante da jovem esposa do tio, papel de Beren Saat. O trabalho lhe rendeu o Golden Butterfly de melhor ator em 2009. Depois de uma participação como Sekiz na segunda temporada de Ezel, segurou Kuzey Güney por 80 capítulos, entre 2011 e 2013, como Kuzey Tekinoğlu, um dos dois irmãos separados pela mesma mulher, ao lado de Buğra Gülsoy. O segundo Golden Butterfly veio em 2012.

A virada aconteceu no cinema. Em The Butterfly’s Dream, de Yılmaz Erdoğan, lançado em 2013 e depois escolhido pela Turquia para disputar uma vaga no Oscar, interpretou Muzaffer Tayyip Uslu, poeta real da cidade mineira de Zonguldak que morreu jovem de tuberculose durante a Segunda Guerra Mundial. A Associação de Críticos de Cinema da Turquia o elegeu melhor ator. Em seguida, a TV o levou de volta ao romance de época com Kurt Seyit ve Şura, encerrada após 21 capítulos em 2014, e O bravo e a bela, com Tuba Büyüküstün, antes do policial Colisão e de um papel cômico como Sarı Saruhan em Organize İşler: Sazan Sarmalı, comédia de golpes de Erdoğan.

Prêmios que discordam

A estante de troféus conta duas histórias. Os Golden Butterfly são decididos em boa parte por voto popular, e premiaram o amante e o irmão. O prêmio da crítica veio na única vez em que ele interpretou um homem que se apaga tossindo, sem que o queixo fizesse o trabalho. A fase do streaming não resolveu a questão. Encurralados, suspense de Onur Saylak no litoral do Egeu, com roteiro do romancista Hakan Günday, deu a ele Yalın, um golpista de pirâmide que negociou a própria liberdade e se mudou para a costa; a crítica da MCM considerou o papel um dos melhores dele em anos, mas apontou um terceiro ato que perde o fôlego. No mesmo ano, Última chamada para Istambul o reuniu com Beren Saat numa noite brilhosa em Nova York, justamente o registro do qual ele tentava sair havia uma década.

A ponte para um público que dispensava dublagem passou pela Bélgica. Em 2021 ele entrou na segunda temporada de Noite adentro, da Netflix, como Arman, e em 2022 protagonizou o derivado turco O Submarino. No mesmo ano, Âşıklar Bayramı, de Özcan Alper, uma viagem de pai e filho pelo mundo dos trovadores populares, ficava do outro lado da balança.

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Aile e o que vem por aí

O argumento recente mais forte a favor do ator foi Aile: laços de paixão, exibida pela Show TV entre 2023 e 2024. Como Aslan Soykan, o filho que comanda o poderoso clã Soykan sob o olhar da mãe, vivida por Nur Sürer, contracenou com Serenay Sarıkaya, a psicóloga Devin, por duas temporadas e 30 capítulos. A dupla levou em 2023 o Golden Butterfly de melhor casal da TV.

Fora das telas, ele é reservado. Casou-se com a estilista Başak Dizer na embaixada turca em Paris em 19 de fevereiro de 2016, e o filho, Kurt Efe, nasceu em abril de 2022. Em agosto de 2026 fechou as contas no Instagram e no X.

O próximo passo é um retorno. Em 16 de outubro de 2026 a Netflix lança Organize İşler: Karun Hazinesi, série de oito episódios que leva para a TV os filmes de Organize İşler, escrita e criada por Yılmaz Erdoğan e dirigida por Şenol Sönmez, com Tatlıtuğ de volta como Sarı Saruhan. Mais adiante está Dönence, série de espionagem em que ele deve viver Ali, um policial expulso da corporação e recrutado por uma unidade secreta de inteligência; o projeto já perdeu duas protagonistas e não tem data de filmagem confirmada. Vinte anos depois de Muhannad, ele continua escolhendo homens com algo a esconder, torcendo para que o público repare em como escondem.

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