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Riley Keough: a neta de Elvis que fez o cinema que quis

Penelope H. Fritz
Riley Keough
Riley Keough
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento29 de maio de 1989
Santa Monica, California, United States
OcupaçãoAtriz, Diretora, Produtora
Conhecido porMad Max: Estrada da Fúria, O Diabo de Cada Dia, A Casa Que Jack Construiu
PrêmiosCaméra d'Or, Cannes Film Festival, 2022 (War Pony, co-director)

War Pony, o primeiro filme dirigido por Riley Keough, não tem quase nada a ver com Elvis Presley. Co-dirigido com Gina Gammell, acompanha a vida de dois jovens Lakota na reserva de Pine Ridge, no Dakota do Sul — um mundo tão distante da mitologia de Graceland quanto a geografia americana permite. Aquela distância não foi acidente. Para quem passou anos respondendo perguntas sobre o avô, co-dirigir um filme cuja razão de existir era a história de outros foi a declaração mais precisa possível.

Nascida em Santa Mônica como filha mais velha da cantora e compositora Lisa Marie Presley e do músico Danny Keough, Riley cresceu dividida entre as casas dos pais no Havaí e em Los Angeles, estudando em casa por causa das constantes mudanças da guarda compartilhada. Sua mãe chegou a se casar brevemente com Michael Jackson. Graceland fazia parte da sua geografia cotidiana: uma casa de família que, por acidente histórico, era também um monumento nacional.

A saída, por um tempo, foi a moda. Desde a adolescência desfilou para Dolce & Gabbana e foi a cara dos perfumes Christian Dior. Quando chegou a atuação, foi gradual: um papel pequeno em The Runaways (2010) e depois Magic Mike (2012), sempre num registro que deixava o filme respirar ao redor dela.

Mad Max: Estrada da Fúria (2015), a épica de ação de George Miller, deu a ela visibilidade internacional e a apresentou no set, na Namíbia e na Austrália, ao dublê australiano Ben Smith-Petersen, que se tornaria seu marido. Mas a atuação que fez a crítica parar e prestar atenção foi American Honey (2016), o road movie de Andrea Arnold. No mesmo ano, estreou em The Girlfriend Experience — a série Starz produzida por Soderbergh — e recebeu sua primeira indicação ao Globo de Ouro.

Riley Keough in Hold the Dark (2018)
Riley Keough in Hold the Dark

O que veio depois foi uma sequência de escolhas deliberadamente difíceis: It Comes at Night (2017), Hold the Dark (2018), The Lodge (2019), Zola (2021). Nenhum desses filmes foi pensado para construir público para o seguinte. Eram, um após o outro, tentativas de ver o que uma tela consegue sustentar.

A pergunta inevitável diante de uma filmografia assim é se o posicionamento no cinema de autor foi ele mesmo um cálculo — trocar uma moeda (neta de Presley, modelo, presença nos tabloides) por outra (credibilidade, escolha dos diretores, prestígio de festival). Não há resposta fácil. O que se pode confirmar é que War Pony, codirigido após encontrar os roteiristas Franklin Sioux Bob e Bill Reddy na reserva de Pine Ridge, resultou na Caméra d’Or em Cannes 2022. O prêmio ao melhor primeiro longa foi entregue no dia do seu aniversário. Isso não é relações públicas. É trabalho real.

Em janeiro de 2023, sua mãe Lisa Marie Presley morreu de parada cardíaca após complicações de cirurgia bariátrica. Riley se tornou a única herdeira do patrimônio de Graceland. A perda pessoal e a herança pública chegaram juntas enquanto ela terminava Daisy Jones & the Six, a série da Amazon Prime Video em que interpreta uma cantora de rock dos anos 1970 em Los Angeles. O papel rendeu indicações ao Globo de Ouro e ao Emmy.

No fim de 2025, Jay Kelly, de Noah Baumbach, estreou na Netflix, com George Clooney, Adam Sandler e Laura Dern. Em maio de 2026, Butterfly Jam, de Kantemir Balagov, abriu a Quinzena dos Realizadores em Cannes com ela e Barry Keoghan. Ela tem dois filhos com Ben Smith-Petersen e é cofundadora da produtora Felix Culpa. Os projetos à frente — Out of This World, Rosebush Pruning, a série Cult Following — são os de uma atriz que já não responde por nenhum sobrenome além do seu.

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