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Ryan Reynolds, o ator que transformou o maior fracasso de Hollywood em um negócio bilionário

Penelope H. Fritz
Ryan Reynolds
Ryan Reynolds
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento23 de outubro de 1976
Vancouver, British Columbia, Canada
OcupaçãoAtor e produtor
Conhecido porDeadpool, Deadpool 2, Deadpool & Wolverine
Prêmios2 MTV Movie · People's Choice

Ryan Reynolds vendeu dois negócios por quase dois bilhões de dólares, quebrou o recorde de bilheteria para filmes adultos com Deadpool & Wolverine (2024) e transformou um clube de futebol galês de quinta divisão em fenômeno global — tudo construído, em parte, sobre os escombros de Lanterna Verde, o filme de 200 milhões de dólares que quase encerrou sua carreira antes que ela decolasse de verdade.

A primeira vez que Reynolds chegou ao set de uma superprodução de super-heróis com orçamento real, interpretava Hal Jordan, piloto que vira guardião cósmico do universo. Lanterna Verde custou mais de 200 milhões de dólares, recebeu críticas devastadoras e faturou apenas 219 milhões no mundo. A maioria dos atores teria ido embora em silêncio. Reynolds fez algo mais estranho: manteve a ferida aberta, transformou o desastre em parte do personagem, e anos depois filmou Deadpool atirando no seu eu de 2011 antes que ele pudesse assinar aquele contrato.

Reynolds cresceu como caçula de quatro irmãos em Vancouver, Colômbia Britânica, numa família sem nenhum vínculo com o showbiz. Seu pai trabalhou em distribuição de alimentos após carreira na Polícia Montada Real do Canadá. Reynolds conseguiu seu primeiro papel com 13 anos num teste aberto e passou os anos seguintes conciliando pequenos papéis com turnos noturnos num supermercado. Quando entrou no sitcom da ABC Two Guys and a Girl em 1998, estava há sete anos no mercado sem um único momento que definisse sua carreira.

A série lhe deu seu primeiro público americano sustentado e uma persona que funcionava: o cara bonito e levemente desajeitado que se sai bem justamente porque sabe que está se saindo bem. A autoconsciência sempre foi o fio condutor.

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Depois que a série terminou em 2001, ele passou quase uma década tentando se estabelecer como protagonista. Van Wilder (2002) o tornou ícone da comédia universitária. A Proposta (2009), ao lado de Sandra Bullock, provou que ele podia sustentar uma comédia romântica até 317 milhões de dólares de bilheteria mundial. E depois veio Enterrado Vivo (2010) — 95 minutos de Reynolds sozinho em cena dentro de um caixão — que mostrou algo que as comédias não haviam revelado: ele podia prender a atenção do público sem o charme como rede de segurança. O filme ganhou o Prêmio FIPRESCI em San Sebastián.

Ryan Reynolds em R.I.P.D. (2013)
Ryan Reynolds em R.I.P.D. (2013)

Lanterna Verde veio depois, no momento errado, com o roteiro errado, nas condições de produção erradas. Virou sinônimo do abismo entre a promessa do marketing e o produto real, e quase destruiu uma carreira que tinha acabado de encontrar seu caminho.

O que raramente se analisa na origem de Deadpool é o quanto Reynolds também teve sorte. O material de teste com classificação R que convenceu a Fox a bancar o projeto teria sido vazado sem autorização. A narrativa do criador que lutou uma década para fazer seu filme é real e também está um pouco mais limpa do que a história completa. O sistema não conseguiu matar o projeto; Reynolds soube explorar essa abertura. Deadpool (2016) faturou 783 milhões de dólares no mundo.

Em paralelo, Reynolds construiu um modelo de negócios que hoje supera seus rendimentos cinematográficos. Adquiriu participação na Aviation American Gin em 2018 e a vendeu à Diageo dois anos depois por 610 milhões de dólares. Em 2019 tornou-se coproprietário da Mint Mobile, operadora de telefonia barata que ele comercializou com a mesma voz de ironia sincera que usa para Deadpool. A T-Mobile a adquiriu em 2023 por 1,35 bilhão de dólares. Sua empresa Maximum Effort virou referência no marketing de celebridades.

Em fevereiro de 2021, Reynolds e Rob McElhenney compraram o Wrexham AFC, clube de futebol galês então na quinta divisão inglesa, por cerca de 2 milhões de libras. O que veio depois se tornou o tema de quatro temporadas de um documentário no FX: o clube conquistou três promoções consecutivas e chegou ao Championship em 2025. A temporada 2025-26 ficou a poucos pontos dos playoffs.

Deadpool & Wolverine (2024) trouxe de volta o Wolverine de Hugh Jackman e se tornou o primeiro filme do UCM a ultrapassar 1 bilhão de dólares desde Vingadores: Ultimato em 2019. Com bilheteria final de 1,34 bilhão de dólares, é o filme para adultos de maior arrecadação da história. Para 2026, tem dois projetos: Mayday, um thriller da Guerra Fria da Apple com Kenneth Branagh, e Dragon’s Lair, adaptação da Netflix do videogame de arcade de 1983 em que interpreta o herói Dirk, o Intrépido. Produz os dois. Do turno noturno no supermercado à franquia para adultos mais rentável da história do cinema há um caminho cheio de erros estratégicos e recuperações calculadas que, visto de fora, continua sem se parecer com nenhum método convencional.

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