Tecnologia

Novo assistente Android do Google copia sozinho sua lista de compras para o carrinho

Susan Hill

O novo assistente Android do Google consegue pegar uma lista de compras no seu app de notas, abrir o app de loja que você escolher e colocar os produtos no carrinho sozinho. Essa demonstração, mostrada no palco do The Android Show: I/O Edition, é o exemplo mais claro do que o Google chama de Gemini Intelligence — uma camada de recursos proativos e agentivos que chega primeiro ao Android. O celular parou de esperar ser perguntado. Ele está se oferecendo para terminar a tarefa.

O destaque é a automação de tarefas em várias etapas entre apps. O Gemini Intelligence lê conteúdo de um app — uma lista de nomes, um conjunto de datas, um rascunho de e-mail — e usa como entrada em outro, sem que o usuário precise trocar de tela manualmente. A versão que o Google mostrou pedia confirmação do usuário antes de fechar a compra, com o que a empresa descreve como transparência e controle integrados sobre quais apps o assistente pode usar.

O segundo pilar é o Gemini no Chrome para Android, com um modo experimental de navegação automática capaz de percorrer sites e concluir reservas em nome do usuário. O Google posicionou isso como uma forma de poupar o leitor do tédio de clicar passo a passo numa reserva de voo ou ingresso — o assistente cumpre as etapas em segundo plano e entrega o resultado. Os recursos de resumo que antes existiam apenas no Chrome para desktop também passam para o celular, disponíveis em um botão na barra de endereços.

Recursos menores completam o pacote. O Rambler é uma ferramenta de voz que melhora mensagens faladas — o usuário dita uma ideia bruta e o Gemini Intelligence ajusta a forma sem mudar o sentido. O Create My Widget gera widgets personalizados para a tela inicial a partir de uma instrução em linguagem natural, com o exemplo do Google montando dados de viagem do Gmail e do Calendar em um cartão único. São os pontos do anúncio mais visíveis no dia a dia.

As ressalvas não são pequenas. O lançamento é escalonado: primeiro celulares Samsung e Google selecionados, suporte Android mais amplo ainda este ano. Crucialmente, a camada proativa depende de o celular conseguir ler conteúdo de outros apps e agir dentro deles — um modelo de permissões com peso real em privacidade, ainda mais quando o assistente começa a preencher formulários, fazer pedidos e reservar ingressos. O Google disse que o controle sobre os apps onde o Gemini pode atuar fica nas mãos do usuário, mas o modelo de confiança não passou por auditoria independente, e a maioria dos defensores de privacidade vai querer ver a divulgação completa das permissões antes de recomendar para usuários menos técnicos.

A outra limitação é o alcance. O Google confirmou celulares Samsung e Google selecionados para a primeira onda; a lista exata e o cronograma por região não foram divulgados no palco. Mercados fora dos Estados Unidos e da Europa vão receber os recursos no ritmo do Google, que historicamente chega com meses de atraso na Ásia e na América Latina. Recursos de voz em idiomas locais não foram confirmados para todos os mercados — a demonstração do Rambler foi em inglês.

O Gemini Intelligence é a primeira vez que o Google empacota suas capacidades de agente sob uma marca única pensada explicitamente para o usuário comum, e não para desenvolvedores. Outros anúncios paralelos no The Android Show incluem o Googlebook — a nova plataforma de notebooks do Google — e ferramentas para desenvolvedores de widgets vibe-coded, mas o título para o consumidor é o próprio Gemini Intelligence.

A distribuição começa neste verão boreal em celulares Samsung e Google selecionados, com disponibilidade mais ampla em outros dispositivos Android mais à frente em 2026. A conferência para desenvolvedores Google I/O acontece em 19 e 20 de maio em Mountain View, onde o Google deve detalhar o lado para desenvolvedores da mesma plataforma.

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