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Citadel 2: Gabriel Leone vira o vilão bilionário, na Prime Video

Veronica Loop

Em uma cena da segunda temporada de Citadel, o vilão — um bilionário brasileiro com fortuna industrial, interpretado por Gabriel Leone — revela que a tecnologia catastrófica que ele pretende usar contra o mundo foi construída pela própria Citadel, pelas mãos do personagem de Stanley Tucci. A piada interna fica óbvia em uma série que passou três anos no purgatório da pós-produção. A franquia deveria ter quatro países; duas das séries derivadas já foram canceladas antes desta temporada estrear.

O que volta nesta semana não é a mesma marca que estreou três anos atrás. Citadel foi concebida como nave-almirante de um universo de espionagem multinacional: quatro derivadas — italiana, indiana, espanhola e mexicana — foram anunciadas junto com a original para amortizar a propriedade intelectual e provar que o modelo pós-Marvel funcionava no streaming. Duas dessas derivadas, Citadel: Honey Bunny e Citadel: Diana, foram canceladas antes da estreia desta segunda temporada. O público que comprou ingresso para um império se vê agora diante de uma série só — e o marketing reformulou essa contração como uma virada criativa: «recolocar o foco da temporada nos personagens» é exatamente o tipo de frase que permite ler um encolhimento forçado como um refinamento deliberado.

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A resposta estrutural a esse problema se lê nos créditos antes mesmo de qualquer cena começar. David Weil, que assumiu o papel de showrunner durante a conturbada produção da primeira temporada, desta vez concentra três funções: showrunner, diretor e produtor executivo. Depois de uma primeira temporada criticada pela dispersão de centros de decisão e uma conta de refilmagens estimada em 300 milhões de dólares, a resposta institucional foi entregar o volante a uma única pessoa.

O elenco segue a mesma lógica. Jack Reynor (Midsommar, The Peripheral) faz Hutch, o novo agente de campo. Matt Berry (What We Do in the Shadows) interpreta Franke Sharpe — colocar um especialista em registro cômico dentro de um thriller sério de altíssimo orçamento é uma correção tonal feita pelo elenco, não pelo roteiro, e funciona como a admissão mais discreta da série às críticas de asfixia tonal da primeira temporada. Lina El Arabi vive Celine, a analista construída em torno do público demográfico mais jovem que as derivadas canceladas deveriam alcançar. E Gabriel Leone, o ator brasileiro lançado internacionalmente pela série Senna em 2024, dá vida a Paulo Braga, o antagonista da temporada — casting internacional de prestígio ocupando o lugar onde um vilão doméstico americano teria bastado, e a energia spinoff que a série não conseguia mais obter por nenhum outro caminho.

O vilão que parou de se esconder

O antagonista é justamente a parte em que a série parou de fingir. Manticore, na primeira temporada, era um sindicato de famílias ricas sem nome que operava por insinuação. Na segunda temporada tem rosto, passaporte e uma infraestrutura que ele mesmo mandou construir para soltar no mundo. Não é mais ficção embrulhada em metáfora confortável.

Em um ano em que contratantes privados de inteligência disputam abertamente contratos de vigilância estatal, em que fundos soberanos redesenham agendas políticas à luz do dia, em que a fronteira entre infraestrutura corporativa privada e infraestrutura pública estatal deixou de ser fronteira para virar gradação, um thriller de espionagem sobre um bilionário armando a infraestrutura que sua classe já possui é o que o gênero produziu de mais próximo de uma descrição direta de 2026. Os antagonistas genéricos anteriores — sindicatos orientais vagos, aparatos de Guerra Fria abandonados, redes terroristas sem rosto — vêm sendo substituídos pelas preocupações literais da imprensa econômica.

A cena mais desconfortável da temporada é aquela em que os agentes percebem que a tecnologia que estão tentando desativar é exatamente a que sua própria agência construiu. A pergunta que vem em seguida é a que a série não consegue responder: as pessoas que ergueram o aparato de vigilância podem, de fato, ser as mesmas que vão desmontá-lo? Em outro ano essa pergunta seria leitura cínica de worldbuilding. Em 2026 ela se lê como o problema documental que a série finalmente aceitou colocar na tela.

Uma temporada avaliada em tempo real

O contexto sistêmico é a leitura mais honesta de por que a temporada existe nessa forma. A aposta pós-Marvel do universo compartilhado em streaming — várias séries caras interconectadas alimentando uma única propriedade intelectual — não é mais a tese operacional de nenhum streamer grande. Marvel já recuou; Star Wars está consolidando; The Wheel of Time foi cancelada depois de três temporadas apesar do consenso crítico, em uma decisão relatada como exclusivamente financeira. A premissa de que uma série de prestígio cara poderia ser amortizada por uma constelação de derivadas mais baratas está sendo desfeita em tempo real em toda a indústria.

Que a Amazon escolha lançar todos os sete episódios de uma vez, abrindo mão da conversa cultural semanal que uma série tentpole costuma buscar, parece menos uma série pedindo um veredito e mais uma série se preparando para receber um.

Citadel Season 2 - Prime Video
Priyanka Chopra Jonas (Nadia Sinh)

Esse veredito a temporada não tenta dar — e está certa. Não há versão do final capaz de responder se uma franquia de espionagem pode sobreviver ao universo que ela foi desenhada para lançar; a resposta está em dados de conclusão que a Amazon não publica e em decisões de renovação que ainda não foram tomadas. A temporada vem sendo avaliada em tempo real por espectadores que não escrevem crítica, e seu argumento é um só: ela merece sobreviver ao colapso ao seu redor.

Os sete episódios de Citadel temporada 2 chegam à Prime Video na quarta-feira, 6 de maio de 2026, com lançamento simultâneo em mais de 240 países e territórios. Voltam Richard Madden como Mason Kane, Priyanka Chopra Jonas como Nadia Sinh e Stanley Tucci como Bernard Orlick, ao lado de Lesley Manville e Ashleigh Cummings. Estreiam Jack Reynor (Hutch), Matt Berry (Franke Sharpe), Lina El Arabi (Celine), Gabriel Leone (Paulo Braga), Merle Dandridge e Rayna Vallandingham. Showrunner e diretor principal: David Weil. Direções adicionais: Joe Russo e Greg Yaitanes. Produção: Amazon MGM Studios e AGBO dos irmãos Russo.

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