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Andrew Garfield quer os bilionários «apavorados» com «A Revolta»

Veronica Loop

Andrew Garfield fez um pedido para as pessoas mais ricas do planeta, e disse isso em voz alta durante uma exibição de The Uprising em Los Angeles: ele espera que, se algum bilionário assistir ao filme, fique “morrendo de medo — cagando de medo, pra ser sincero”. É o tipo de frase que detona no contato — limpa, facilmente citável, feita para viajar — e viajou mesmo.

O filme é a dramatização de Paul Greengrass sobre a Revolta dos Camponeses na Inglaterra, com Garfield no papel de um lavrador viúvo que transforma o luto num exército contra os coletores de impostos de um rei menino. Garfield não parou no medo. Ele disse que também queria incluir os bilionários na misericórdia do filme: “eles são os que talvez mais precisem de cura, de certa forma”. Ameaça e absolvição num só fôlego — é um material de divulgação muito bom.

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Eis o que o ciclo de indignação continua ignorando enquanto calcula o saldo bancário de Garfield. The Uprising é um lançamento da Focus Features — uma empresa da Comcast — produzido pela Blumhouse de Jason Blum. Uma revolta contra a riqueza concentrada chega aos cinemas bancada pela riqueza concentrada, vendida por um estúdio cuja controladora é uma das maiores corporações do planeta. A coisa mais subversiva na tela foi aprovada justamente por quem ela ousa amedrontar.

Essa contradição é o combustível, não o defeito. As respostas online foram imediatas e previsíveis: Spencer Pratt perguntou se Garfield se referia “aos bilionários que aprovam seus filmes e bancam seus cheques de muitos milhões de dólares”, e lembrou que o ator acabou de ser pago para interpretar um bilionário de verdade da tecnologia, Sam Altman. Outros chamaram de cosplay — um ricaço fazendo um dramalhão de fantasia de classe trabalhadora. Tudo isso é marketing gratuito. O clipe agora alcançou públicos que o trailer jamais conseguiria, impulsionado pela própria raiva que provocou. A polêmica é a campanha.

Hollywood passou os últimos anos aprendendo que a raiva de classe é lucrativa. Parasita, Glass Onion: Um Mistério Knives Out, O Menu, Triangle of Sadness: Triângulo da Tristeza, Saltburn — o filme de “comer os ricos” virou um gênero confiável, e os estúdios aprenderam a precificar a fúria. A frase de Garfield cai exatamente dentro dessa máquina. Não é um deslize; é a proposta. O filme bajula o ressentimento da plateia e o revende pelo preço do ingresso, e todos os envolvidos entendem o jogo.

Nada disso torna The Uprising cínico ou Greengrass insincero. A Revolta dos Camponeses é história real com dentes reais, e o diretor de Voo 93: O Ataque ao Pentágono e Capitão Phillips sabe como encontrar um rosto humano dentro de uma multidão. Mas a coisa mais honesta de todo o lançamento pode ser a própria citação — não porque bilionários vão tremer, mas porque diz em voz alta que o medo agora é um produto. Garfield nos disse para que serve o filme. A máquina que o pagou também disse.

The Uprising estreia nos cinemas dos EUA neste mês pela Focus Features, com Cosmo Jarvis como o líder rebelde Wat Tyler, Woody Norman como Ricardo II, e Jamie Bell, Thomasin McKenzie, Katherine Waterston e Tom Hollander no elenco de apoio. O patrimônio líquido declarado de Garfield gira em torno de 16 milhões de dólares — confortável, famoso e, segundo sua própria definição, longe do degrau que ele quer ver suando.

Os bilionários que ele quer assustados não vão ficar. Os que financiaram o filme estarão de olho no fim de semana de estreia — e, se a indignação se mantiver, agradecendo a ele em silêncio.

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