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Aprendiz de Espiã: Na Cidade Eterna não sabe para quem foi feito e só se salva pela dupla central

A sequência de Peter Segal (2024) reúne Dave Bautista e Chloe Coleman, mas se perde entre comédia familiar e thriller.
Martha O'Hara
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Um agente veterano da CIA, uma adolescente de 14 anos e um plano nuclear apontado para o Vaticano. Em “Aprendiz de Espiã: Na Cidade Eterna”, Peter Segal retoma a dupla do filme de 2020 e a manda para a Itália. O diretor, que também assina o roteiro com Jon e Eric Hoeber, quer entregar ao mesmo tempo ação de espionagem e comédia de família, e é na costura entre as duas coisas que o filme perde o pé.

J.J. (Dave Bautista) reencontra Sophie (Chloe Coleman), sua protegida, e a missão é impedir o atentado. Outras sinopses acrescentam que o plano também mira o chefe da CIA e o filho dele, Collin, vivido por Taeho K. Nada disso é desenvolvido além do necessário para empurrar a história até a cena seguinte: o perigo existe no papel, mas quase nunca na tela.

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O problema central é o tom. A ação de viagens pelo mundo, à moda de Bond, rendeu ao filme a classificação PG-13 nos Estados Unidos, e essa ambição convive mal com o humor de desenho animado que aparece entre uma explosão e outra. Fica difícil dizer a quem o filme se dirige: é bobo demais para os adultos e agitado demais para as crianças. Ele não escolhe um lado, e a plateia sente isso a cada mudança de clima, sem saber se deve se preocupar com os personagens ou rir deles.

O que segura a sessão é o elenco. Bautista e Coleman funcionam como par: o brutamontes de expressão fechada e a menina que sabe mais do que deixa transparecer formam o único elo emocional que a história oferece, e os dois parecem se divertir de verdade em cena. O roteiro, porém, só encosta nessa relação. Havia material para algo além de uma sequência de provocações, e o filme prefere usar o afeto deles como moldura para a ação. Anna Faris, como Nancy, traz leveza, embora apareça pouco para marcar o personagem. Flula Borg, no papel de Crane, serve de contraponto a Bautista e arranca algumas das risadas mais honestas da sessão. Ken Jeong (David Kim), Kristen Schaal (Bobbi) e Craig Robinson (Connelly) completam o time de comediantes, mas cada um faz o seu número sem que os personagens ganhem muito mais do que um traço de caricatura.

A trama, aliás, não surpreende. Um plano nuclear contra um alvo famoso, uma dupla que se reencontra para salvar o dia, uma ameaça que chega perto de gente querida: tudo isso já passou por muitos filmes de espionagem, e aqui chega sem uma virada que o renove. O resultado é inofensivo e previsível. As piadas que funcionam devem mais ao entrosamento dos atores do que a uma comédia bem armada, e o Vaticano, que deveria dar peso ao perigo, serve só de endereço para a ameaça.

Resta a questão do cenário. Um filme que se chama “Na Cidade Eterna” assume a obrigação de fazer o público sentir a cidade, e aqui a promessa só se cumpre pela metade. Roma é um pano de fundo reconhecível, bom para situar mais uma missão de resgate, nunca um lugar com presença própria. Há quem aponte que parte dos cenários lembra a Cidade do Cabo; de fora não dá para saber por que a produção fez essa escolha, mas o efeito, para quem repara, é o de uma Roma de cartão-postal, atravessada correndo e nunca de fato olhada.

Como continuação, o filme vive do carinho do público pela dupla e não pretende ser mais do que isso. Com 101 minutos, não se arrasta, mas também não deixa assunto para a conversa na saída. Quem gostou do primeiro pode se contentar com o reencontro de Bautista e Coleman. Quem espera uma comédia de espionagem com identidade própria vai sair com a sensação de ter visto a mesma ideia em versão ampliada, só que com um endereço mais famoso.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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